Árbitro de video testado pela primeira vez em Pernambuco com sucesso

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A partir de Pernambuco, o uso da tecnologia do árbitro de vídeo no futebol brasileiro dá seu primeiro e decisivo passo, rumo a implantação definitiva em diversas outras competições. A CBF e a Federação Pernambucana de Futebol estão de parabéns pela inovação e o uso da tecnologia para auxiliar o trabalho da arbitragem, conforme vem defendendo há muito tempo a ANAF.

O tempo de cerca de cinco minutos e meio para decidir sobre a marcação de um pênalti, em um lance decisivo aos 48 minutos do 2º tempo na primeira partida da final do Campeonato Pernambucano, é plenamente justificável, na medida em que assegura uma marcação correta contando com o recurso inédito, que já foi aproveitado para definir um lance capital do confronto.

arbitro video

O árbitro da partida, José Woshington da Silva, indicou pênalti para o Salgueiro. Neste momento, Fabrício Sales (assistente 2) sugeriu pelo rádio que a jogada fosse revista, pois tratava-se de uma grande decisão. O árbitro, então, fez o sinal em forma de tela, gesto previsto pelo protocolo para indicar que haveria a revisão.

Dentro da unidade móvel, o árbitro de vídeo Péricles Bassols (CBF/PE), por intermédio do operador, apresentou a Woshington o lance pedido por ângulos diferentes. Como não era uma questão inequívoca para nenhum dos lados (foi ou não pênalti), a marcação dependia da interpretação do árbitro principal. Ele usou a tecnologia, conferiu o replay no monitor disponível ao lado do gramado – no tempo normal do movimento e em câmera lenta – e confirmou a penalidade.

– De acordo com o protocolo aprovado pela FIFA, o árbitro de vídeo só deve interferir, indicando que a marcação precisa de mudança, quando o lance não depende de interpretação, ou seja, fica nítido que o árbitro principal, de campo, está cometendo um erro. Como as imagens não nos mostraram isso, reforcei para o Zé (José Woshington) que ele próprio deveria olhar os replays no campo e checar. Fez isso e manteve o pênalti – explicou Bassols.

Para o chefe do Setor de Futebol do International Football Association Board (IFAB), Dirk Schlemmer, a experiência foi positiva e mostra que o árbitro de vídeo é um caminho novo que o mundo do futebol está desbravando.

– A equipe seguiu o protocolo e atuou, exatamente, como determinado pelos procedimentos acordados. Precisamos ajustar alguns elementos, como o tempo levado para a revisão, mas o que vi nos deixa muito satisfeitos com a demonstração do Brasil – afirmou o alemão, que recebeu da CBF todos os arquivos com as imagens utilizadas durante o jogo.

O chefe do Departamento de Arbitragem da CBF e coordenador do projeto do árbitro de vídeo no Brasil, Sérgio Corrêa, aprovou a estreia da tecnologia como influenciadora e elogiou a postura dos árbitros envolvidos.

– Não seria fácil atuar em um jogo desses, uma final de campeonato, sabendo que tratava-se de um dia histórico para o futebol brasileiro e mundial. Tanto a equipe de campo quanto a da unidade móvel atuaram dentro do protocolo e isso nos traz muita satisfação, pois é uma ideia que nasceu no Brasil – ressaltou Sérgio, que acompanhou a partida ao lado do gramado.

AV reviu vários lances

Supervisionado por Manoel Serapião Filho, instrutor e autor do projeto do AV, com o apoio institucional da Comissão de Arbitragem da CBF e da Escola Nacional de Arbitragem de Futebol (ENAF), Péricles Bassols reviu vários outros lances no centro de vídeo: saídas de bola pela linha de fundo e lateral, impedimentos e falta na entrada da área, entre outros. Porém, nenhum dessas marcações, independentemente de certas ou erradas, mereceu intervenção direta porque não terminou em gol.

– Estamos há dois anos no esforço contínuo para possibilitar a realização de hoje (domingo). Sabemos que ajustes são necessários, que a evolução é gradativa, mas não dá para esconder o orgulho pelo ineditismo do futebol brasileiro – destacou Serapião.

Além de Bassols, Serapião e Dirk, estavam no centro de imagem do AV o operador de replay, um técnico para eventuais reparos emergenciais, e o presidente do Comitê de Arbitragem da Conmebol, Wilson Seneme.

– Existe a intenção de uso do árbitro de vídeo nas competições da Conmebol e o que acompanhamos serviu como uma demonstração histórica de que a tecnologia pode ajudar a arbitragem do futebol – avaliou Seneme.

Nesta segunda-feira (8), a equipe envolvida reúne-se, em Recife, para uma análise de todas as fases do processo executado antes, durante e depois do evento.

Nomes gravados na história

O quarteto de árbitros de campo que trabalhou em Sport x Salgueiro saiu por sorteio, como determina o regulamento do Campeonato Pernambucano 2017. Todos são naturais do estado e fazem parte do quadro de árbitros da CBF/FPF: José Woshington da Silva, 29 anos, de Carpina (PE), foi o árbitro principal; Marlon Rafael Gomes de Oliveira, 30 anos, de Paulista (PE), o assistente 1; Fabrício Leite Sales, 30 anos, de Camaragibe (PE), o assistente 2; e Gleydson Ferreira Leite, 40 anos, de Jaboatão dos Guararapes (PE), o assistente de revisão.

Lances capitais

O projeto brasileiro, que se tornou mundial após incorporação pelo IFAB, aponta que o AV não atua em todas as dúvidas que possam surgir em campo. As informações são passadas ao árbitro principal em quatro situações:

– Foi gol / Não foi gol

– Foi pênalti / Não foi pênalti

– Cartão vermelho direto indevido

– Identificação errada do jogador punido

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