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Arbitragem, discussão eterna
Você sabia que se o jogador de futebol tocar na
baliza de escanteio o árbitro deve marcar tiro livre indireto? Bom, se a bola
tocar e voltar para o campo, o jogo continua.
Por que esse preâmbulo? Para que possamos 'navegar' nas ondas da arbitragem,
como no erro do árbitro Edílson Soares da Silva, ao validar gol inexistente de
Dudu, do Cruzeiro, em jogo contra o Guarani, no Mineirão, no começo deste mês. A
bola, chutada pelo atacante cruzeirense, resvalou em Marcelão, do Bugre, ia
entrando mansamente até que o goleiro Jean, caído do lado de fora do campo,
esticou o braço entre a rede e evitou que entrasse.
Pronto, eis aí mais um capítulo sobre arbitragem de
futebol, recheada de histórias de gols irregulares, o principal deles feito
com as "mãos de Deus", segundo Diego Maradona, na inesquecível vitória da
seleção Argentina contra a Inglaterra, por 2 a 1, na Copa do Mundo do México, em
1986.
Talvez você também não se recorde da cena repudiante do volante Dimas, do XV de
Jaú (SP), ao retirar o cartão vermelho das mãos do árbitro paulista Antonio
Carlos Saraiva, num jogo contra o Corinthians, e, braço direito erguido, teve a
ousadia de mostrar o dito cujo ao árbitro.
Com o impensado gesto, Dimas, revoltado com a arbitragem, se juntou aos seus
companheiros André e Níveo que haviam sido expulsos, em jogo de vitória
corintiana por 2 a 0, no dia 9 de julho de 1986, no Estádio do Pacaembu.
Recordar confusão em arbitragem sem associar José de Assis Aragão é um erro
imperdoável. Acreditem: Aragão é o único juiz artilheiro na história do
futebol. No clássico Palmeiras e Santos, em 1983, o
Peixe vencia por 2 a 1 até os 46 minutos do segundo tempo quando Jorginho, do
Verdão, finalizou, a bola ganharia a linha de fundo, mas, de repente tocou na
perna de José de Assis Aragão - posicionado rente a linha, a dois metros do
poste direito do goleiro Marola, do Santos - e entrou no gol, logicamente
validado. "Foi muito azar", ainda repete o juiz, hoje presidente da Associação
Nacional dos Árbitros de
Futebol, que na época passou pelo constrangimento de ter sido cumprimento
por Jorginho.
Três anos antes, Aragão apitou a final do Campeonato Brasileiro entre Flamengo e
Atlético-MG, num Maracanã com mais de 154 mil pagantes, e ficou marcado pela
expulsão de Reinaldo, do Galo, caído em campo, com dores no músculo da perna,
por suspeitar que o atacante estivesse fazendo cera. Há quem diga que Reinaldo
teria xingado o juiz, fato que resultou no cartão vermelho, em jogo que o
Flamengo ganhou por 3 a 2 e comemorou o título.
Pois bem, você tem conhecimento de algum árbitro que tenha dado cartão amarelo a
algum jogador antes mesmo de iniciar uma partida? Se você
não sabia, então fique sabendo que Francisco Jesuíno Araújo, o xerife Chicão,
recebeu este cartão e o juiz do jogo entre São Paulo, do volante, e Palmeiras,
era José de Assis Aragão, em 1976. Chicão se aproximou do juiz, antes da bola
rolar, e disse: "Aragão, vê se apita direito essa porcaria"!
Ariovaldo Izac
aizac@camisa12.com.br
O apito inicial de Léa Campos
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por Mariana Várzea
físicas para exercer a profissão. |
Na olimpíadas de
Sydnei, realizadas em 2000, o Brasil levou pela primeira vez uma delegação
esportiva com o mesmo número de atletas mulheres e homens. Sabem porque?
Havia um time de futebol feminino mostrando a transformação ocorrida
definitivamente neste esporte, até muito pouco tempo considerado "coisa de
homem". Embora tenham terminado a copa em terceiro lugar, elas honraram um
caminho aberto por Asaléa de Campos, mais conhecida como Léa Campos,
primeira juíza de futebol do mundo. Mineira, nascida em 1945 em Belo Horizonte e formada em Educação Física pela Universidade de Brasília, Léa Campos se apaixonou por futebol quando estava ainda na escola secundária, tornando-se centroavante de um time de meninas. Longe de ser masculinizada, foi Miss Belo Horizonte e dos Ex-combatentes antes de se dedicar à bola. Deixando a faixa de miss na gaveta, tornou-se jornalista esportiva nas rádios mineiras e relações públicas do Cruzeiro. Sua carreira de árbitro começou em 1967, quando passou oito meses na escola de árbitros da Federação Mineira de Futebol. No entanto, só em 1971 seu diploma foi reconhecido pela FIFA. Como na época era comum dizer que a mulher tinha uma estrutura óssea inferior à masculina, Lea encontrou muitas dificuldades pela frente até conseguir legalizar o seu diploma, inclusive a oposição direta de João Havelange, que publicamente se dizia contrário à presença feminina no futebol. Durante três anos teve não somente que apelar ao presidente da República, como ainda submeter-se a exames e testes, a fim de provar que apesar de ser mulher, tinha condições |
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Conquistada a etapa legal, Léa apitou jogos em gramados de quase todos os
estados brasileiros, menos em São Paulo - na época, a Federação Paulista
considerava ilegal o exercício da função de juiz por uma mulher. Ganhando
cada vez mais espaço, foi para a Copa Mundial de Futebol Feminino no
México, representando o Brasil no árbitro. Sua carreira foi vitoriosa.
Apitou centenas de partidas na Europa e nas três Américas, sem nunca
receber reclamações pelas suas arbitragens. Por causa de um problema nos
joelhos, afastou-se dos gramados e pasmem, virou lutadora livre e boxista,
diplomando-se pela Federação Mineira de Pugilismo. Atualmente, ela ensina futebol para mulheres nos Estados Unidos e é cronista esportiva dos jornais Gol Internacional e Noticiero Colombiano de Nova York. Se considerarmos que desde o século XIX as inglesas chutam a bola, podemos dizer que apesar de ter dado muita lição ao mundo, faltava ao Brasil encarar o poder feminino neste esporte. Foram quase cem anos de discriminação às mulheres apaixonadas por futebol. A coisa era tão séria que o futebol feminino no Brasil foi durante muitos anos considerado ilegal. O primeiro veto à sua prática aconteceu em 1940 e foi assinado pelo então presidente Getúlio Vargas. Depois, com a Deliberação 7/65, da Confederação Nacional de Desportos, publicada em 2 de agosto de 1965, proibiu-se às mulheres não só jogar futebol, de campo, salão ou praia, bem como a prática de lutas de qualquer natureza, pólo e pólo aquático, rugby, halterofilismo e baseball. Somente em 1991, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) criou a Seleção Brasileira de Futebol Feminino, que chegaria em 3º lugar no 1º Torneio Mundial, realizado na China. Depois, na Olimpíada de Atlanta, conquista o inédito quarto lugar, um dos maiores feitos da categoria para o futebol brasileiro, repetido na Olimpíada de Sidney, em 2000. Hoje, existem 50 mulheres nos quadros da CBF e, delas, apenas quatro pertencem também à FIFA. Se considerarmos que, nos campos de futebol, a mulher ainda não conseguiu dar o apito final da igualdade, Asaléa de Campos merece todos os louros do mundo, por ter garantido pioneiramente o direito feminino de fazer cumprir as regras no gramado. Fonte: http://www.bolsademulher.com |
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Fonte: http://www.futebolnarede.com.br
Vai uma Brahma, aí?
Esta é do polêmico e espirituoso árbitro Mário Vianna que, na Copa de 70, no México, era comentarista de arbitragem da Rádio Globo. Aliás, é bom lembrar, Vianna (com dois "enes", é claro) foi um dos pioneiros nesta nova carreira. Momentos antes da partida entre Brasil e Tchecoslováquia, o ex-árbitro virou-se para Luiz Mendes, perguntando a nacionalidade do juiz Abraham Klein, de Israel:
– Ô Mendes, este árbitro é israelita?
– Mário, eu não sei. Ele pode até ser, pois eu não sei a religião dele. Mas certamente é israelense – devolveu o comentarista da “palavra fácil”.
Desconfiado, Vianna aceita a argumentação do colega e algum tempo depois fica sabendo que o juiz era judeu. O jogo começa, Klein comete vários erros e Mário Vianna, num rompante colérico, dispara:
– Este judeu safado está roubando o Brasil!
O pior de tudo era que o principal patrocinador da rádio era a cerveja Brahma, na época presidida justamente por judeus. Foi preciso muito jogo de cintura de Waldir Amaral, diretor de esportes da emissora, para manter o "titio" na equipe até o final da Copa.
Florianópolis - O fato de ter segurado a bola com as mãos dentro da área deu notoriedade ao zagueiro do Avaí Rogério Prateati, 25 anos. O jogador protagonizou um dos lances mais polêmicos do futebol catarinense nos últimos tempos, que ganhou repercussão nacional e internacional. O lance que originou pênalti favorável ao Brusque, convertido aos 23 minutos do período final da segunda partida da semifinal do returno, foi o assunto do dia entre os jogadores avaianos na Ressacada. Sorte do Avaí, que conseguiu reverter a desvantagem na prorrogação da partida, marcando o gol que credenciou o time a disputar a final do returno.
Mesmo que o ato não tenha comprometido a situação do time na partida, Prateati mostrava-se chateado pela atitude involuntária. "Não esperava tanta repercussão. A partir daquele momento me preocupei em crescer mais ainda no jogo e me senti na obrigação de fazer o gol ou ajudar meus companheiros de ataque", lembra o zagueiro. Notoriedade com este tipo de situação, jamais pretende repetir. "Quero ser destaque algum dia com um gol daqueles, do Fantástico", brincou.
Em busca de uma explicação plausível, todos, incluindo Prateati, afirmaram categoricamente terem escutado o som tradicional do apito do árbitro no momento em que uma falta se desenhava na linha lateral da grande área do ataque brusquense. Centro das atenções, inclusive dos próprios companheiros de equipe, Prateati jurou ter escutado o apito do árbitro antes de interceptar a bola com a mão. "Naquele momento eu estava seguro do que estava fazendo, esperando a cobrança da falta. Tenho absoluta certeza de ter escutado um apito. Sem querer ou não, o Giuliano apitou", defendeu-se Prateati.
As opiniões dos colegas, que com ele relaxaram na banheira de hidromassagem após a reapresentação de ontem, foram idênticas. O meia Helton afirmou que estando perto do lance teve a mesma impressão, discordando da idéia de que o som tivesse partido das arquibancadas. "Mesmo que o apito tivesse o som igual ao do árbitro, ele seria ouvido em outros lances do jogo. Ele deve ter apitado sem querer. Quando o Rogério tocou na bola, ele resolveu dar pênalti", explicou o meia.
Joinville - Afinal, se não foi o árbitro Giuliano Bozzano, quem apitou e levou Rogério Prateati a segurar a bola com as mãos dentro da área?
Diante da afirmação categórica de Bozzano - "eu não apitei" - a maior suspeita voltou-se para algum torcedor anônimo que teria levado apito para o estádio. "Eu não ouvi nada", disse Bozzano, contrariando afirmação de Prateati.
Ontem, contudo, a versão que circulava livremente dentro do Brusque indicava que o autor do apito é um dos atletas do próprio Brusque. Trata-se do lateral Marcelo, que acompanhava o lance de perto. Ao ver o colega cair próximo à área, teria apitado, gerando toda confusão.
"Mas ele não poderia estar jogando com apito", reagiu o árbitro ao tomar conhecimento do fato. A verdade, segundo um dirigente do Brusque, é que Marcelo tem grande habilidade de imitar vários sons com a boca como latidos, miados, canto de pássaros, até apito de futebol.
"Você está brincando! Isso é muito engraçado e curioso", reagiu Bozzano.
Ontem, de folga, o jogador não foi encontrado. Em casa, o árbitro Giuliano Bozzano, afirmava categoricamente que ele não apitou porque o lance da queda de Polaco foi forçada. "Além disso, carrego o apito preso ao pulso, e não levei a mão à boca quando o jogador caiu". Na sequência, contudo, foi obrigado a marcar pênalti ao ver o zagueiro agarrar a bola. "Ele ficou branco", disse Bozzano ao lembrar a reação do zagueiro.
Brinco impede um reserva de entrar
São Paulo - caso folclórico no futebol: um jogador não pôde entrar em campo por não ter conseguido tirar o brinco. O fato ocorreu aos 37 minutos do primeiro tempo do jogo Palmeiras 2 x 1 Brasiliense, no Estádio Palestra Itália pelo Campeonato Brasileiro/05.
Valdir Espinosa(Brasiliense) precisava substituir o zagueiro Gérson, que havia se contundido, e chamou Renato. Só que ele tinha um brinco e o árbitro Wagner Tardelli mandou que tirasse o adereço para jogar.
Mas Renato não conseguiu. Por cinco minutos, médico, massagista e companheiros de banco tentaram tirar o brinco de ouro e nada. Espinosa ficou irritadíssimo. O Brasiliense já tinha tido Pituca expulso e estava com nove em campo. Para não perder mais tempo, o técnico tratou de improvisar o lateral-esquerdo Rochinha na zaga.
"A partir de agora vou olhar as orelhas de todos os jogadores. Quem não tirar o brinco, eu tiro a orelha", prometia Espinosa. Renato - (que depois conseguiu tirar o brinco) - foi multado.
Quando o futebol vira folclore
A história do futebol é feita
de estatísticas, tragédias e folclore. Como não poderia deixar de ser, o do
Paraná também segue essa trilha, e vira motivo de muitas risadas quando o
assunto é folclore. Muitas histórias se perderam no tempo, sem registros, ou
estão escondidas nas súmulas e relatórios dos árbitros nas entidades que
dirigiam o futebol paranaense.
Desde que a Federação Paranaense de Futebol foi fundada, há 66 anos, o folclore
passou a ilustrar a trajetória com alguns casos ou "causos". Não se pode falar
disto sem lembrar do "Atletiba do Gorrinho" durante o "campeonato tartaruga" de
1946. Foi assim chamado porque substituiu-se a Fórmula Fraga (de dois turnos e
decisão em melhor de três pontos) por um campeonato longo, de três turnos,
pontos corridos, tomando o ano inteiro.
A FPF não tinha ainda dez anos. No Atletiba daquele ano, o tribunal resolveu
suspender o jogador Lolô, do Atlético, na sexta-feira, véspera do clássico,
implantando um ambiente "propício". A pena foi revogada no dia seguinte, ao
mesmo tempo que o árbitro Ataíde dos Santos suspendeu o Atletiba amador no
sábado, sem justificativas.
No jogo dos profissionais, domingo, o Coritiba abriu o marcador aos 3 minutos.
Aos 8, Jackson empatou, mas proporcionou uma cena hilariante. Cireno, ao pegar a
bola no fundo do gol, aproveitou a viagem para tirar o gorro do careca goleiro
Belo, do Coxa. Iniciou-se uma perseguição a Cireno,que foi agredido pelo
goleiro. O árbitro Xavier Viana expulsou o arqueiro coxa que, no entanto, não
aceitou sair de campo. Por ordem da diretoria, todo o time se retirou e o
Atlético foi declarado vencedor. O Atletiba não passou de 8 minutos.
Na seqüência da história, ocorreram inúmeros jogos folclóricos e fantásticos,
com outras situações inusitadas. Algumas destas partidas tornaram-se lendárias.
A maioria delas se iniciou na década de 70 e se estendeu nos anos 80, quando a
televisão ainda não estava presente em todos os jogos.
Ziquita endoida
Atlético e Colorado jogavam no estádio Joaquim Américo, em 5 de novembro de
1978. O Colorado vencia por 4 a 0 e a maioria dos torcedores do Furacão já
deixava o estádio. Aos 29 minutos da segunda etapa, entra em campo o atacante
rubro-negro Ziquita. Numa tarde iluminada, foi marcando um gol atrás do outro.
Fez 1, 2, 3 e quando aos 43 ele empatou o jogo, o estádio quase veio abaixo.
Ninguém acreditava no que via. Se isto não bastasse, o mesmo Ziquita quase virou
o placar, cabeceando uma bola na trave, aos 44 minutos.
A mesma Baixada fora palco de uma visita inesperada, 1972. A data marca 25 de
março. O Atlético mandava uma partida do campeonato paranaense contra o Jandaia.
Já vencia por 6 x 0 e aos 30 minutos do segundo tempo, ninguém entendeu a
atitude do trio de arbitragem e dos jogadores que, do nada, se atiraram ao chão.
Um enxame de abelhas africanas sobrevoou o campo de jogo e foi um desespero
geral. Foram longos cinco minutos de correria e até os bombeiros foram chamados.
Não foi preciso: as danadas logo foram embora e o jogo prosseguiu.
Dulcídio "foge"
Em outra partida entre Atlético e Campo Grande (RJ), em 1983, no mesmo estádio
Joaquim Américo, o folclórico árbitro Dulcídio Vanderley Boschilla teve uma
"atuação" inesquecível. Em plena tarde, apitava cheio de estilo, quando de
repente pediu licença aos dois capitães e deu um pique até o vestiário. Voltou
dois minutos depois, "aliviado", como explicou para os jogadores. O árbitro
chegou até a ser aplaudido pela torcida na volta do banheiro. Maldita feijoada!
A briga das faixas
Era para ser um Atletiba amistoso, se é que existe algum. Data: 27 de novembro
de 1985, no Couto Pereira. Atlético e Coritiba realizariam um "amistoso" para a
entrega das faixas. O Coxa era o campeão brasileiro e o Furacão campeão
paranaense. O jogo corria bem até o gol de Nivaldo para o Atlético, aos 42 da
primeira etapa. E não passou daí. O time coxa-branca partiu para cima do
bandeira reclamando impedimento e o "pau comeu solto".
O jogo prosseguiu, até vir uma ordem "secreta" para que os jogadores fizessem o
"cai-cai". Três jogadores se atiraram ao solo, simulando contusão. Fim de festa.
Ou quase. A pancadaria continuou no meio campo e na arquibancada. Faixa mesmo,
só para os curativos.
A trave caiu
Grêmio Maringá e Cascavel empatavam em 0 a 0 no dia 17 de outubro de 83, no
estádio Willie Davids, em Maringá. O jogo passaria batido pelo Campeonato, mas
ao final do primeiro tempo, num lance normal, o goleiro Juarez espalmou a bola
para escanteio e se pendurou na trave. A baliza, feita de árvore Ipê, não
suportou os 79 quilos do goleiro e veio abaixo. O árbitro suspendeu a partida.
Torcedores culpavam um casal de corujas (vê se pode!) que tinham transformado a
trave em ninho, mas a administração do estádio confirmou que as traves
apodreceram devido às chuvas.
O lance gerou o "teste da trave", anunciado pelo diretor do Departamento de
Árbitros, Rubens Maranho. Porém, Rubens não estava muito certo de como seria o
teste mas arriscou: "Talvez amarrando no travessão um peso de 120 Kg antes das
partidas", comentou. Obviamente, a idéia não vingou.
O "becão" Mátter
Este jogo é de 1981. O Colorado vencia o Toledo por 1 a 0, em 19 de janeiro, na
Vila Capanema. Só a vitória interessa ao Boca, pois o empate o desclassificaria
para o returno. E ia vencendo até os 43 minutos da segunda etapa, quando o
atacante do Toledo avançou e tocou para o gol. A bola tinha direção certo, ia
entrando, mas...eis que surge o fisicultor do Colorado, Luis Roberto Matter, que
estava no banco de reservas.
Mais que depressa invadiu o campo e tirou o "gol feito", salvando sua equipe.
Foi uma confusão só. O juiz Célio Silva apontou bola a chão. Segundo a regra,
Mátter seria considerado um "corpo estranho". O preparador físico foi suspenso,
mas entrou para história como zagueiro salvador, sem nunca ter jogado na defesa
boca-negra.
Goleiros artilheiros
Parece coisa do destino contra o Colorado. Em 16 de novembro de 1980, pelo 1º
turno do quadrangular final do campeonato paranaense, jogavam no Cascavel e
Colorado, no estádio Theodoro Colombelli, em Cascavel. O time da casa vencia por
1 a O, quando o goleiro Zico, ao repor a bola em circulação o fez com tanta
força que acabou marcando o segundo gol do Cascavel, na vitória por 3 x 0 sobre
o Boca.
A bola viajou pelo ar, "quicou" na na risca da grande área e encobriu o goleiro
Joel Mendes, que chegou ainda a tocar nela com a ponta dos dedos. "Eu levei um
susto quando a bola entrou. Francamente, não acreditei que tinha marcado um
gol", disse Zico mais tarde. A torcida do Cascavel foi à loucura.
Outro clássico gol de goleiro foi de Betão, do União Bandeirante, sobre Willer,
do Batel. O jogo foi no dia 11 de fevereiro de 1990, no estádio Waldomiro
Gelinski, em Guarapuava. O Batel, time da casa, vencia por 1 a 0, quando Betão
deixou sua meta para sair driblando. Foi até o meio de campo e quando chutou,
acabou pegando o goleiro Willer adiantado, empatando a partida por cobertura.
Mesmo assim, sua equipe acabou perdendo o jogo por 2 x 1.
Cai-cai e dois campeões
Colorado e Cascavel faziam o jogo final do Paranaense, em 30 de novembro de
1980, no estádio Durival de Britto. O Colorado precisava vencer por 5 gols de
diferença para ser campeão do ano. Logo aos 5 minutos, Jorge Nobre faz o
primeiro gol boca-negra e o atleta do Cascavel, Marcos, tentou segurar a bola
dentro do gol, para retardar a partida.
O lance gerou a maior confusão e o árbitro Tito Rodrigues expulsou Marcos. Aos
23 minutos, Jorge Nobre aumentou a vantagem do Boca para 2 x 0. No final do
primeiro tempo, estourou outra confusão e Tito expulsou outro jogador do
Cascavel, deixando a Cobra com nove em campo. Aí começou a balbúrdia. Para o
segundo tempo, o Cascavel voltou com sete jogadores apenas. O médico da equipe,
Antônio Comatsu, "vetou" as voltas de Nelo e Dudu, alegando que eles estavam
contundidos.
E quando a primeira bola foi atrasada para o goleiro Zico, do Cascavel, ele
também caiu contorcendo-se em dores. Agora, o Cascavel só tinha seis em campo. O
árbitro esperou 15 minutos e encerrou a partida. O caso foi parar no TJD, que
autorizou o presidente da Federação, Luiz Gonzaga da Motta Ribeiro, a proclamar
as duas equipes campeãs.
Pênalti da discórdia
Esta é de amargar. Tudo aconteceu na última rodada do vergonhoso campeonato
paranaense de 1987. O certame foi marcado por falcatruas, invasões de campo e
várias "suspeitas" de jogos arranjados. A última rodada decidia o título. A data
marca 19 de outubro. O Atlético precisava vencer o Londrina, em Curitiba, e
torcer para que o Pinheiros perdesse para o Cascavel, em Cascavel.
A semana que antecedeu os jogos foi repleta de comentários insinuando que o
Atlético haveria comprado o árbitro e que o Pinheiros teria dado dinheiro ao
Cascavel para que a "Cobra" não atrapalhasse seus planos. E no domingo aconteceu
o desfecho. Logo que começou o jogo em Cascavel, todos notaram que havia algo
diferente no ar. O árbitro Rosaldo Goes dos Santos expulsou Róberson, do
Pinheiros. Ao sair, o jogador teria dito: "Não adianta você roubar, esse jogo
está acertado com o Cascavel".
O jogo prosseguiu e o árbitro expulsou outro jogador do Pinheiros. De repente,
marcou um pênalti para o Cascavel. O tumulto foi geral. Dirigentes do Cascavel
invadiram o gramado pressionando o árbitro e dizendo "que não precisavam da
ajuda do juiz". Quando Marquinhos, o encarregado da cobrança, se preparou para
bater, toda a torcida gritava: "fora, fora". O próprio presidente do Cascavel,
Edgard Bueno, intimou Marquinhos a errar o pênalti.
Ele "caprichou" na cobrança e mandou a bola para fora, sendo aplaudido por todos
os presentes no estádio, menos pelo técnico do Cascavel, Munir Calluf, que não
concordava com a "pilantragem". E a partida terminou empatada. O Rubro-Negro
venceu o Londrina mas de nada valeu. O Pinheiros se tornou "campeão" e na
terça-feira a bomba estourou. Num programa de TV, dirigentes do Cascavel se
desentenderam e a verdade veio à tona.
O diretor do Cascavel, Ivo Roncaglio, acusou o presidente da equipe de ter
negociado a partida. E o presidente Edgard Bueno retrucou: "você não pode me
chamar de corrupto porque muitas vezes comprou juízes". Ao que Ivo respondeu:
"comprei sim, mas com teu dinheiro". O caso foi para o TJD, que considerou tudo
legal, por falta de provas.
Mata a cobra e...
O jogo entre Platinense e Paraná, em 14 de março de 1993, em Santo Antônio da
Platina, seria mais um jogo de rotina se não fosse um fato pouco comum no
futebol. Aos 20 minutos da segunda etapa, sem qualquer explicação, todos os
jogadores do lado direito do campo fugiram para o meio do gramado. Atônitos,
explicaram que havia uma cobra em campo. Era uma jararaca, de 30cm, que passeava
tranqüilamente pelo campo.
Bandeirinha para um lado, jogadores para outro. Era um alvoroço só. Até que o
gandula resolveu intervir. Avançou em direção à cobra e com uma paulada certeira
acabou com a vida do pobre ofídio. Virou o herói do jogo e a partida pôde
prosseguir. Recuperados do susto, os jogadores preferiram evitar outras emoções
fortes e o jogo acabou empatado em 1 x 1.
W.O. (Saiba o significado e o motivo)
O famoso W.0. significa walk over. O verbo walk over significa "to win without difficulty against", ou seja, ganhar sem dificuldade. O substantivo walkover (uma única palavra) significa "an easy victory", que em português é vitória fácil. O W.O. acontece quando um time não comparece no local da partida.
MOMENTO DE CULTURA
Antigamente, no Brasil, para se ter melado, os escravos colocavam o caldo da cana-de-açúcar em um tacho e levavam ao fogo. Não podiam parar de mexer até que uma consistência cremosa surgisse. Porém um dia, cansados de tanto mexer e com serviços ainda por terminar, os escravos simplesmente pararam e o melado desandou! O que fazer agora? A saída que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo (fermentado). Não pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo. Resultado: o "azedo" do melado antigo era álcool que aos poucos foi evaporando e se formou no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente, era a cachaça já formada que PINGAva. Quando a pinga batia nas suas costas marcadas com as chibatadas dos feitores ardia muito, por isso deram o nome de "ÁGUA-ARDENTE". Caindo em seus rostos e escorrendo até a boca, os escravos perceberam que, com a tal goteira, ficavam alegres e com vontade de dançar. E sempre que queriam ficar alegres repetiam o processo. Hoje, como todos sabem, a AGUARDENTE é símbolo nacional !!!
(História contada no Museu do Homem do Nordeste)
NAS COXAS
As primeiras
telhas dos telhados nas Casas aki no Brasil eram feitas de Argila, que eram
moldadas nas coxas dos escravos que vieram da África.
Como os escravos variavam de tamanho e porte físico, as telhas ficavam todas
desiguais devido as diferentes tipos de coxas. Daí a
expressão fazendo nas coxas, ou seja, de qualquer jeito.
CALCANHAR DE AQUILES
De acordo com a mitologia grega, Tétis, mãe de Aquiles, a fim de tornar seu filho indestrutível, mergulhou-o num lago mágico, segurando-o pelo calcanhar. Na Guerra de Tróia, Aquiles foi atingido na única parte de seu corpo que não tinha proteção: o calcanhar. Portanto, o ponto fraco de uma pessoa é conhecido como calcanhar de Aquiles.
VOTO DE MINERVA
Orestes, filho de Clitemnestra, foi acusado pelo assassinato da mãe. No julgamento, houve empate entre os acusados. Coube à deusa Minerva o voto decisivo, que foi em favor do réu. Voto de Minerva é, portanto, o voto decisivo.
CASA DA MÃE JOANA
Na época do Brasil Império, mais especificamente durante a minoridade de Dom Pedro II, os homens que realmente mandavam no país costumavam se encontrar num prostíbulo do Rio de Janeiro, cuja proprietária se chamava Joana. Como esses homens mandavam e desmandavam no país, a frase casa da mãe Joana ficou conhecida como sinônimo de lugar em que ninguém manda.
VÁ SE QUEIXAR AO BISPO!
Durante o Brasil Colônia, a fertilidade de uma mulher era atributo fundamental para o casamento, afinal, a ordem era povoar as novas terras conquistadas. A Igreja permitia que, antes do casamento, os noivos mantivessem relações sexuais, única maneira de o rapaz descobrir se a moça era fértil. E adivinha o que acontecia na maioria das vezes? O noivo fugia depois da relação para não ter que se casar. A mocinha, desolada, ia se queixar ao bispo, que mandava homens para capturar o tal espertinho.
CONTO DO VIGÁRIO
Duas igrejas
de Ouro Preto receberam uma imagem de santa como presente. Para decidir qual das
duas ficaria com a escultura, os vigários contariam com a ajuda de Deus, ou
melhor, de um burro. O negócio era o seguinte: colocaram o burro entre as duas
paróquias e o animalzinho teria que caminhar até uma delas. A escolhida pelo
quadrúpede ficaria com a santa. E
foi isso que aconteceu, só que, mais tarde, descobriram que um dos vigários
havia treinado o burro. Desse modo, conto do vigário passou a ser sinônimo de
falcatrua e malandragem.
FICAR A VER NAVIOS
Dom Sebastião, rei de Portugal, havia morrido na batalha de Alcácer-Quibir, mas seu corpo nunca foi encontrado. Por esse motivo, o povo português se recusava a acreditar na morte do monarca. Era comum as pessoas visitarem o Alto de Santa Catarina, em Lisboa, para esperar pelo rei. Como ele não voltou, o povo ficava a ver navios.
NÃO ENTENDO PATAVINAS
Os portugueses encontravam uma enorme dificuldade de entender o que falavam os frades italianos patavinos, originários de Pádua, ou Padova, sendo assim, não entender patavina significa não entender nada.
DOURAR A PÍLULA
Antigamente as farmácias embrulhavam as pílulas em papel dourado, para melhorar os aspecto do remedinho amargo. A expressão dourar a pílula,significa melhorar a aparência de algo.
CHEGAR DE MÃOS ABANANDO
Há muito tempo, aqui no Brasil, era comum exigir que os imigrantes que chegassem para trabalhar nas terras trouxessem suas próprias ferramentas. Caso viessem de mãos vazias, era sinal de que não estavam dispostos ao trabalho. Portanto, chegar de mãos abanando é não carregar nada.
SEM EIRA NEM BEIRA
Os telhados de antigamente possuíam eira e beira, detalhes que conferiam status ao dono do imóvel. Possuir eira e beira era sinal de riqueza e de cultura. Não ter eira nem beira significa que a pessoa é pobre, está semgrana.
ABRAÇO DE TAMANDUÁ
Para capturar sua presa, o tamanduá se deita de barriga para cima e abraça seu inimigo. O desafeto é então esmagado pela força. Abraço de tamanduá ésinônimo de deslealdade, traição.
O CANTO DO CISNE
Dizia-se que o cisne emitia um belíssimo canto pouco antes de morrer. A expressão canto do cisne representa as últimas realizações de alguém.
ESTÔMAGO DE AVESTRUZ
Define aquele que come de tudo. O estômago do avestruz é dotado de um suco gástrico capaz de dissolver até metais.
LÁGRIMAS DE CROCODILO
É uma expressão usada para se referir ao choro fingido. O crocodilo, quando ingere um alimento, faz forte pressão contra o céu da boca, comprimindo as glândulas lacrimais. Assim, ele chora enquanto devora a vítima.
MEMÓRIA DE ELEFANTE
O elefante lembra de tudo aquilo que aprende, por isso é uma das principais atrações do circo. Diz-se que as pessoas que se recordam de tudo tem memória de elefante.
OLHOS DE LINCE
Ter olhos de lince significa enxergar longe, uma vez que esses bichos têm a visão apuradíssima. Os antigos acreditavam que o lince podia ver através das paredes.
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