
ANAF RESPONDE AS CRITICAS DO PELÉ
Brasília - 16/03/2008
Caro Senhor Edson Arantes do Nascimento,
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Durante toda a história do futebol
brasileiro, nenhuma grande personalidade se preocupou em
aprimorar, qualificar, colaborar ou mesmo tratar com respeito e
dignidade a atividade da arbitragem. A figura do árbitro, aquele
que corre de preto no meio de campo, com três assessores diretos
que trabalham fora das quatro linhas, sempre foi motivo de piadas
maldosas e de incutirem
responsabilidades pela falta de competências de atletas e
dirigentes. Em qualquer situação é mais cômodo transferir responsabilidades, seja por um gol perdido, que o Senhor sabia fazer como ninguém, e, talvez até seja a razão de constar na literatura do futebol que o seu comportamento em campo era exemplar, seja por atuação maléfica de dirigentes que " naufragam" suas equipes, quando lhes sacam todos os recursos, de forma sorrateira, desfalcando-as dos meios necessários a alcançar o sucesso na competição. Ou até mesmo por um resultado negativo que um |
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Jorge Paulo |
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treinador, não tendo explicação para o seu pífio desempenho, encontra um culpado: O ÁRBITRO. Pois bem, ficaríamos por horas, meses, séculos até, a declinar os fatores negativos que permeiam a atividade da arbitragem. Mas em duas linhas, posso afirmar a V.Sa. que nada fazem, em nível de clubes, dirigentes, imprensa, etc para se ter uma arbitragem melhor. Criticar é mais fácil e dá notícia. Nunca se viu na história do futebol brasileiro ser destinada verba do clube disso ou daquilo, para o aprimoramento dos árbitros que atuarão no Campeonato Brasileiro, um dos maiores campeonatos do Mundo. Mal sabem das origens dos árbitros. O que fazem para estarem prontos a dirigir uma partida de futebol, onde milhões estão em jogo, não só apenas o resultado do jogo em si. Aliás, o que se vê hoje no Brasil é o interesse financeiro se sobrepondo aos interesses futebolísticos da paixão. Este ainda continua a ser o ópio do povo, enquanto maus dirigentes se locupletam. Ninguém se dá conta do que é se investir numa carreira de árbitro. Só quem está na atividade mesmo para mensurar tal esforço. Pegar um microfone para jogar o lixo pra debaixo do tapete com a vassoura da pseudo-moralidade, é muito mais fácil do que dirigir uma partida de futebol, acredite nisso. É o momento exato para se derramar um caminhão de asneiras em cadeia nacional. No dia em que a categoria dos árbitros se conscientizar de que a força que a move vem da qualidade dos seus integrantes, da moral elevada que os conduz, fará prevalecer a dignidade da atividade, mesmo quando se depara com criticas infundadas, como esta produzida por V.sa, que demonstra total desconhecimento da nossa atividade, sem contar a pitada de maldade na sua fala que será difundida nos quatro cantos do planeta. Mais uma infeliz declaração do seu vasto repertório de bobice. É inerente aos dirigentes do futebol brasileiro, a produção dessas críticas sem ao menos conhecer a estrutura que envolve a arbitragem e o que ela representa no contexto do futebol mundial. Quanto aos aspectos psicológicos, destacado por V.sa, realmente, o árbitro tem que se superar sempre porque a tônica é sofrer pressão mesmo. Faz parte da cultura brasileira se chegar ao objetivo criando-se atalhos, utilizando-se de recursos poucos dignos. Todo esse comportamento tão bem conhecido no meio futebolístico deságua no árbitro que, com sua sabedoria, tem que saber filtrar e conviver com personalidades tão perniciosas. Garanto à V.sa. que num futebol contaminado, recheado de ações criminosas, a categoria dos árbitros pode se orgulhar de poder contar, em sua quase totalidade, com profissionais de respeito, com formação familiar, profissional e psicológica perenes, o que, sabemos, não é uma característica marcante no meio do futebol. Quando não houver mais assunto para que V.sa. dê entrevista, fale dos feitos tão gloriosos de sua brilhante carreira, que muito nos orgulha a todos nós, brasileiros. Jorge Paulo Presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol. |
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