02/03/04

 Nova polêmica na arbitragem carioca

RIO - O trio de arbitragem que atuou no jogo entre Flamengo e Americano, no domingo, tem razões para ter medo de errar contra o time do presidente da Federação de Futebol do Rio, Eduardo Viana. Os auxiliares José Cláudio Ramos e Marcos Peniche já foram afastados de jogos de Estaduais passados, coincidentemente ou não, depois de terem desagradado ao dirigente em jogos do Americano. O juiz Wágner Tardelli, por sua vez, não apitou os dois últimos Estaduais também após divergências com a diretoria da federação.

A pressão psicológica de um juiz que já deixou de ser escalado por divergências com Eduardo Viana é apontada por ex-árbitros como uma causa para as arbitragens favoráveis ao Americano neste Estadual. É como se, na dúvida, fosse mais seguro para o seu emprego marcar a favor do time de Campos.

— Os juízes não são desonestos. A pressão é psicológica: um erro contra o Americano pode significar gancho — diz o ex-juiz José Roberto Wright.

Americano já foi beneficiado no jogo com o Vasco

Tardelli não foi escalado para apitar nos Estaduais de 2002 e 2003. Em 2001, coincidentemente, trabalhou num jogo entre Americano e Volta Redonda em que não marcou pênalti claro para o time de Campos. Peniche irritou Viana num jogo do Americano em que era quarto árbitro. No Godofredo Cruz, ele não permitiu a presença do dirigente no campo. José Cláudio Ramos, por sua vez, desagradou a Viana num Olaria x Americano, na Bariri. Os lances que prejudicaram o Flamengo foram difíceis mas, na dúvida, deve-se validar o gol, como recomenda a Fifa.

Jorge Rabello, que domingo apitou Botafogo x Fluminense, já foi afastado por Eduardo Viana depois que o Vasco venceu o Americano por 4 a 1 no Estadual do ano passado.

— Quando o juiz não agrada a um dirigente de clube grande, ele fica fora dos jogos deste time. Quando não agrada ao presidente da federação, fica fora de todo o campeonato. Apitar com uma pressão desta é complicado — afirmou o ex-presidente da Associação Nacional de Árbitros, Jorge Travassos.

Tardelli disse ontem que não sentiu medo de errar contra o time do presidente da Federação, nem considerando o gancho que já pegou.

— Não perguntei a ninguém por que não apitei os últimos estaduais. Só sei que isso não mudou meu comportamento. Estava tranqüilo ontem (domingo) — disse Tardelli, acrescentando que os dois gols do Flamengo anulados eram lances difíceis. — Vendo pela TV, acho que o primeiro gol foi legal e o segundo, impedido. Eram lances do bandeirinha, não meus. Como um grupo, assumo um possível erro junto.

José Cláudio Ramos também disse que não entrou em campo pressionado:

— Pela TV, também consegui ver o impedimento. Minha responsabilidade é de entrar em campo e fazer o melhor.

Também neste Estadual, outro jogo do Americano teve atuação desastrosa do juiz. Amaurílio Saleão foi totalmente benevolente com a violência do time de Campos no jogo contra o Vasco, em que o empate dava às duas equipes a classificação para a semifinal da Taça Guanabara. O árbitro chegou a anunciar dois minutos de acréscimo, mas deu apenas 45 segundos.

O presidente da Comissão de Arbitragem da Federação, Sérgio Aureliano, considera a arbitragem deste Estadual melhor que a do ano passado:

— Sempre que o jogo é do Americano há esse tititi. Vamos conviver com isso enquanto o Eduardo for presidente. Não há influência alguma para o juiz.

Fellipe Awi - O Globo


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