
17/04/03
Estatuto do Torcedor é aprovado no Senado
BRASÍLIA. O Senado aprovou
ontem na íntegra o Estatuto do Torcedor, que cria a figura do ouvidor no
estádio, obriga divulgação da tabela da competição com 60 dias de antecedência,
estabelece direitos de consumidor para o torcedor e pune quem brigar na
arquibancada, invadir o campo e tumultuar jogos de futebol. O texto já foi
aprovado na Câmara e agora segue para sanção do presidente da República.
No entanto, para aprovar o estatuto o Ministério do Esporte fez concessões e
atendeu pedidos de federações, clubes e até associação de árbitros. O presidente
Luiz Inácio Lula da Silva vai vetar, pelo menos, três artigos do texto antes de
sancioná-lo.
Se esses três pontos fossem rejeitados no Senado, o Estatuto do Torcedor teria
que voltar a ser apreciado na Câmara, o que atrasaria a entrada em vigor. O
acertado, então, foi que Lula vetaria os artigos.
Dirigentes de federações e clubes vão conseguir retirar do texto o artigo que os
responsabilizava por prejuízos causados a torcedores que decorram de falhas de
segurança no estádio. O argumento dos dirigentes é que os estádios, na sua
maioria, pertencem a governos estaduais e municipais.
A Associação Nacional dos Árbitros (Anaf),
presidida por Márcio Rezende de Freitas, conseguiu excluir do texto a escolha de
juízes por sorteios.
O terceiro veto será do artigo que estabelece o prazo de seis meses após
publicação da lei para que as entidades, clubes e ligas se adaptem ao estatuto.
Os clubes alegaram não ter condições de reformar seus estádios a tempo de
atender a exigências como a instalação de lugares numerados. Na prática, não
terão prazo para cumprir as determinações da lei.
Um dos pontos mantidos é a punição para o torcedor brigão. O estatuto prevê
ainda que os produtos vendidos nos estádios não poderão custar muito mais caro
que os dos estabelecimentos comerciais.
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