19/07/04

 STJD: ninguém sabe quem é o presidente

Rio de Janeiro - A disputa pelo poder no Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) aumentou hoje ainda mais as incertezas sobre quem é o atual presidente da instituição. De um lado, o desembargador Luiz Zveiter, "reeleito" no sábado, disse possuir legitimidade para ocupar o cargo.

E, do outro, o presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região, Nelson Thomaz Braga, realizou uma sessão hoje pela manhã no local e também foi conduzido ao cargo. O caso já foi parar na Justiça comum e na delegacia.

Na sexta-feira, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou por uma portaria o nome de sete novos auditores do STJD - dois indicados por ela, dois pelos clubes, dois pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e um pela Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (Anaf) -, restando apenas os representantes do Sindicato dos Atletas profissionais.

A ausência do nome de Zveiter, indicado para o mandato anterior pela CBF, foi interpretada pelo próprio como uma tentativa de afastá-lo do STJD. O então presidente do tribunal conseguiu ser indicado pelo sindicato dos atletas. De posse de uma liminar obtida pelo Vasco, realizou eleição no sábado, já que o documento anulou os nomes informados pela CBF como representantes dos clubes: Braga e o advogado Francisco Maciel Mussnich.

No pleito não estiveram presentes, além de Braga e Mussnich, os dois representantes da CBF, Virgílio da Costa Val e José Mauro Couto, além de Paulo Valed Perry, indicado pela Anaf, que também não reconheceu seu nome, segundo Zveiter.

Hoje, o grupo ausente da votação realizou nova eleição no STJD e elegeu Braga presidente. Funcionários do tribunal argumentaram que durante a sessão foram constrangidos pelos novos membros, que os teriam impedidos de telefonar e foram registrar queixas na delegacia. À tarde, Zveiter exibiu uma nova liminar anulando o pleito.

"Sou o presidente e na quinta-feira tem sessão", disse Zveiter. Em seguida, contestou todos os atos da CBF e frisou que aguardará que os clubes e a Anaf o comuniquem sobre quem são seus representantes. O desembargador ainda levantou suspeitas sobre a imparcialidade dos nomes apontados como representantes dos clubes e da entidade máxima do futebol. "Eles possuem grau de parentesco com a CBF e, por isso, acho difícil possuírem insenção. O filho de um (Braga) é genro do Ricardo (Teixeira) e o filho do outro (Couto) é advogado da CBF."

"Eu sou o legítimo presidente e, se tiver sessão, estaremos lá", retrucou Braga. O presidente do TRT da 1ª Região se mostrou disposto assumir o cargo, mas não quis polemizar sobre a disputa judicial, que não tem previsão para término. O caso deverá ter fim somente no Superior Tribunal de Justiça, já que o próximo passo do grupo supostamente ligado à CBF será o de contestar judicialmente o documento obtido pelo Vasco.

Michel Castella


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