
CARREIRA
21/02/2005
Árbitros querem profissionalização da carreira
Por EDER LUIS SANTANA
Imagine fiscalizar 22 marmanjos durante 90 minutos. Junte a
isso a pressão sofrida por uma torcida que não tolera erros. Pior ainda suportar
a mãe sendo alvo constante de comentários que são impublicáveis. Mas, acredite,
a carreira de árbitro de futebol desperta um fascínio que somente os
profissionais da área sabem explicar. Na Bahia, eles já são mais de mil
espalhados pela capital e interior.
São figuras como Lúcio Araújo, 34, professor de educação física e estudante de
direito. A vontade de ser juiz de futebol se concretizou em 1997, quando
completou o curso preparatório promovido pela Federação Baiana de Futebol (FBF).
Após cinco anos, conseguiu entrar no quadro da Confederação Brasileira de
Futebol (CBF).
“É emocionante comandar um espetáculo no qual as pessoas acompanham o resultado
com expectativa”, diz. Entre os jogos inesquecíveis em sua carreira, ele destaca
dois Ba-Vi’s da categoria de base e a final da Taça Estado da Bahia em 2004.
Mas, a devoção e o entusiasmo são ofuscados pelas dificuldades. Além de ser uma
carreira curta, no máximo até os 45 anos, os árbitros sentem falta da
profissionalização. Hoje, eles trabalham sem vinculo empregatício e precisam
comprovar outras formas de renda para atuar nos jogos.
Para o árbitro Lourival Dias, 42, membro da Associação Nacional dos
Árbitros de Futebol, é preciso ser revisto o cenário
de atuação dos árbitros brasileiros. Ele acredita que ao invés de serem
obrigados a conciliar a carreira com outras ocupações, os juizes deveriam ter
uma ligação mais concreta com as entidades esportivas.
No Campeonato Brasileiro, por exemplo, que dura seis meses, Dias acredita que
Confederação Brasileira de Futebol deveria firmar contratos com os profissionais
que estipulasse renda fixa e maior comprometimento dos próprios árbitros com as
competições.
“Qualquer carreira exige motivação. É frustrante um árbitro se preparar o mês
todo e não saber se será escalado para algum jogo. Por meio dessa
profissionalização fica até melhor para cobrar qualidade no trabalho”, acredita
Dias.
Atualmente, os árbitros são remunerados por jogos em que atuam. Os valores
variam de acordo com o tipo de competição. Nos jogos da CBF, por exemplo, a
quantia recebida em média é de R$ 1 mil por partida. Já na FBF, essa média cai
para R$ 400 nos jogos que envolvem Bahia ou Vitória. Sem os dois times em campo
o lucro despenca para R$ 270.
Mulheres fazem bonito dentro do gramado
De acordo com a Comissão Estadual de Árbitros de Futebol
(Ceaf), existem 30 mulheres na Bahia que atuam como
árbitros de futebol. Algumas já se destacam no cenário nacional, como Rosana
Vigas, 37, única mulher na Bahia a fazer parte dos quadros tanto da FBF como da
CBF.
Apesar de ser considerada uma boa profissional, ela garante que ainda sofre
preconceito. “Muitas pessoas não confiam no meu potencial, a prova disso é que
nunca apitei um jogo do Campeonato Baiano. Sempre fico na reserva”, conta.
Ela espera realizar o desejo de ser a primeira mulher a apitar um jogo do
Campeonato Baiano. Enquanto esse dia não chega, tenta mostrar seu talento em
todas as oportunidades que aparecem.
Rosana garante que a relação com os homens é tranqüila. As cantadas e piadinhas
maliciosas acabam sendo encaradas com descontração. “Como toda boa profissional,
é preciso saber lidar com essas coisas”, assinala.
Como ser árbitro de futebol
Boa parte daqueles que se aventuram na carreira são profissionais ligados a área
de educação física ou pessoas apaixonadas pelo esporte e que não emplacaram como
jogador. De qualquer forma, as únicas exigências para atuar como árbitro de
futebol são fazer o curso preparatório da FBF e ter outro meio de renda, seja
com carteira assinada ou como autônomo.
O curso da Federação acontece uma vez por ano em Salvador e nas ligas do
interior. Com duração de seis meses, os alunos aprendem desde legislação
esportiva até português. Este ano o curso ainda não tem previsão para acontecer,
mas a abertura de novas vagas será divulgada em toda imprensa, de acordo com o
presidente da Ceaf, Wilson Paim.
FBF Para garantir que estejam sempre sendo escalado para jogos, muitos árbitros
recém-formados se cadastram no Sindicato Baiano dos
Árbitros de Futebol.
“Os campeonatos estão cada vez mais curtos. Aqui nós lutamos para que o árbitro
atue em qualquer que seja a competição”, garante o vice-presidente do sindicato,
Arnaldo de Menezes. Hoje, 148 pessoas são filiadas ao sindicato. Todos pagam 10%
do que ganham após as partidas, com exceção dos trabalhos onde o lucro é
inferior a R$ 30, quando não é preciso desembolsar nada à entidade.
Serviço
-Sindicato Baiano dos Árbitros de Futebol – 329-7497
-Comissão Estadual de Árbitros de Futebol – 321-0448
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