
22/06/01
Autoridades políticas, Pelé e participação da Anaf
DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO
NÚCLEO DE REDAÇÃO FINAL EM COMISSÕES
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CONVIDADOS - QUALIFICAÇÃO |
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ÁLVARO DIAS - Senador
e Presidente da CPI do Futebol no Senado. GERALDO ALTHOFFI – Senador e Relator da CPI Do Futebol no Senado OSMAR DIAS - Senador EDSON ARANTES DO NASCIMENTO (PELÉ) – Ex-Ministro e Atleta do Século SÉRGIO CORRÊA DA SILVA - Secretário-Geral da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol e Vice-Presidente do Sindicato dos Árbitros de São Paulo. Dr. CARLOS DEL CARLO CAMPO COLÁS - Representante da Federação Espanhola de Futebol |
| SUMÁRIO: Audiência Pública realizada na Assembléia Legislativa de Curitiba - Paraná |
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OBSERVAÇÕES |
| 22/06/2001- Notas da Comissão Parlamentar de Inquérito Referente a 39a Reunião Ordinária de 22/06/2001 da CPI: CPI do Futebol |
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Declaramos aberta a 39ª Reunião da CPI do Futebol do Senado Federal.
Agradecemos a presença do Srs. Deputados Estaduais do Paraná, da imprensa, dos cronistas esportivos que aqui se encontram para oferecer sua inestimável contribuição nesse processo de elaboração de uma nova legislação para o desporto nacional. Agradecemos a presença dos dirigentes de clubes e entidades deste Estado e expressamos nosso agradecimento particular ao Senador Geraldo Althoff, Relator desta CPI, que honra o Paraná com a sua presença, já que realiza com muita dignidade, disposição e competência um trabalho da maior importância para o futuro do futebol no nosso País.
É evidente que a presença do astro maior do futebol em todos os tempos revela a importância do trabalho que se realiza hoje no Senado Federal. Estamos agradecidos ao Sr. Edson Arantes do Nascimento, figura mais importante da história do futebol brasileiro e que tem prestado um serviço extraordinário, não apenas ao nosso futebol, mas ao nosso País, especialmente como grande embaixador junto a todos os povos do mundo. Indiscutivelmente, o Pelé é um orgulho nacional, uma figura emblemática que deve ser preservada, sobretudo em benefício dos interesses do futebol do Brasil. Por isso, não poderíamos deixar de prestar-lhe esta homenagem no início dos trabalhos de hoje. (Palmas.)
Ouviremos aqui o depoimento do Pelé. Também contaremos com a presença, assim que o aeroporto de Curitiba permitir - mas creio que chegará a tempo -, do Dr. Carlos del Campo Colás, cujos cargos passo a mencionar: Assessor Jurídico da Liga Nacional de Futebol Profissional, na Espanha; Secretário-Geral da Liga Nacional de Futebol Profissional; Assessor da Fundação de Futebol Profissional; Delegado do Tribunal Arbitral de Futebol; membro da Comissão Mista de Transformação dos Clubes em Sociedade Anônima, do Conselho Superior de Desportos; membro da Comissão Jurídica da Comissão Nacional Contra a Violência nos Espetáculos Desportivos; membro da Comissão de Saúde do Desportista; assessor, nos últimos convênios coletivos, da Liga Nacional de Futebol Profissional, da Associação de Futebolistas da Espanha; Professor Master de Direito Desportivo na Universidade Espanhola, participando de várias obras - não as lerei aqui; membro da Comissão de Futebol Profissional da UEFA nas negociações de um novo sistema de transferência na União Européia e Fifa.
Aliás, Srs. Senadores, a presença do Dr. Carlos del Campo Colás, em nome da Federação Espanhola de Futebol, representando o seu Presidente, Ángel María Villar, é exatamente em função de uma nova legislação a ser discutida em reunião da Fifa no próximo dia 5 de julho, em Buenos Aires. Segundo informações, a legislação proposta pela Espanha, por intermédio do Dr. Carlos del Campo Colás, deverá ser acolhida nessa reunião, enfatizando especialmente os direitos adquiridos pelos clubes que investem na formação de atletas profissionais. Daí a importância da presença de S. Sª hoje, ao lado de Pelé, para este debate sobre legislação.
O Senador Geraldo Althoff, em nome desta CPI, apresentará os objetivos e a estratégia definida para alcançá-los, evidentemente com as duas vertentes que se constituem em missão do Parlamento: investigação e legislação.
É claro que a investigação diz respeito a um passado que, inclusive, queremos suplantar; e a legislação diz respeito a futuro do futebol brasileiro – daí a sua importância maior. Nós da CPI do Senado estamos dando ênfase maior à fase propositiva na qual nos encontramos neste mês, com a esperança de erigirmos juntos, com muitas mãos participando e com muitas cabeças pensando – por isso, estamos aqui –, um novo modelo eleitoral que renove os quadros dirigentes, oxigenando a administração do futebol, e um novo modelo de gestão administrativa, com responsabilização civil e criminal.
Estamos com esse objetivo. Ouviremos o Senador Geraldo Althoff, com a síntese do que se pretende; depois, ouviremos os dois lustres convidados e, então, deixaremos a palavra livre, a fim de que os cronistas e dirigentes desportivos e os especialistas em Direito do Esporte possam participar, indagando, se desejarem, dos nossos conferencistas ou oferecendo sugestões certamente sábias para a modernização do futebol do nosso País. É com muito prazer e com muita honra que recebemos os conferencistas na nossa Casa.
Assim que o Senador Osmar Dias chegar, haverá um lugar reservado para S. Exª à mesa.
Com muita satisfação, agradeço, em nome de todo o Paraná, Estado que represento com muito orgulho no Senado Federal, ao Senador catarinense Geraldo Althoff pela presença.
Concedo a palavra ao Senador Geraldo Althoff.
O SR. GERALDO ALTHOFF – Senador Álvaro Dias, Presidente desta Comissão Parlamentar de Inquérito, Sr. Presidente da Assembléia do Estado do Paraná, Sr. Edson Arantes do Nascimento, Srªs e Srs. membros da imprensa que nos honram com as suas presenças, externamos, neste momento, o sentimento de responsabilidade e de credibilidade com a presença do Sr. Edson Arantes do Nascimento, Pelé, na nossa Comissão Parlamentar de Inquérito.
Tem o nosso respeito e a nossa consideração este momento importante da CPI, em que estamos no Paraná, com a presença do Pelé. Exercitamos esse tipo de ação exatamente em consideração ao Sr. Presidente da nossa Comissão, Senador Álvaro Dias, o mentor intelectual, o estruturador, quem buscou as assinaturas necessárias para que se viabilizasse esta Comissão Parlamentar de Inquérito.
Sr. Presidente, o art. 58 da Constituição Federal, §3º, prevê a instalação de Comissões Parlamentares pelo Senado ou pela Câmara, em conjunto ou separadamente. Também a Constituição Federal, no seu art. 217, define ser dever do Estado fomentar o esporte.
Em muitos outros momentos da nossa Constituição Federal se evidencia a constitucionalidade e a necessidade de que haja a participação e a ingerência do Poder Público no futebol e no esporte, dentro de uma visão de que o futebol é o maior patrimônio cultural que existe dentro deste País. Por essa razão estamos preservando esse patrimônio cultural que é o futebol brasileiro.
Neste momento, chega o Senador Osmar Dias, que nos honra com sua presença. (Palmas)
Dentro desse raciocínio, foi com o sentimento de que existe sustentação constitucional que esta Comissão Parlamentar de Inquérito foi instalada.
(Projeção)
Desorganização e amadorismo, isso é o que existe hoje no futebol brasileiro e que determina que a evasão de divisas, sonegação fiscal e, inclusive, lavagem de dinheiro, lamentavelmente, existam dentro do futebol brasileiro. Isso traz como conseqüência o não crescimento e a não profissionalização da atividade do futebol do País.
(Projeção)
A CPI do Futebol busca trazer, através das suas propostas finais, a visão do futebol como atividade econômica geradora de emprego e renda, que traga lucros e crescimento econômico, lucros que não sejam exclusivamente privados e, por conseqüência, tenham oportunidade de retornar para o esporte.
(Projeção)
Constituímos a CPI no dia 19 de outubro do ano passado. A primeira providência da Relatoria foi exatamente a estruturação do seu corpo técnico.
Aqui faço, mais uma vez, referência à importância da assessoria técnica para o funcionamento de uma Comissão Parlamentar de Inquérito. Inclusive, temos aqui a presença dos nossos assessores, que trabalham de maneira efetiva e com extrema eficácia e competência para que a CPI realmente se realize. Ela é constituída por Consultores e Advogados do Senado Federal, Auditores do Tribunal de Contas da União, Analistas do Banco Central do Brasil, Auditores da Receita Federal, Delegados e Agentes da Polícia Federal, alguns deles aqui representados. Nosso grupo de trabalho está aqui. Esta é a turma que realmente faz o trabalho.
(Projeção)
Como disse anteriormente, iniciamos o nosso trabalho em outubro de 2.000. Dividimos o nosso trabalho em três fases: uma de estudo; uma informativa; depois, uma investigativa; e uma propositiva.
(Projeção)
A fase de estudos, a fase de informação, foi de extrema importância, porque ela nos deu subsídios necessários para sabermos onde buscar, posteriormente, as informações.
Foram nossos parceiros nesse momento o próprio Banco Central, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, órgão do Ministério da Fazenda cuja finalidade é rastrear dinheiro sujo. Esse tipo de estrutura é extremamente importante para um país que queira realmente ser moderno. A Previdência Social também foi nossa parceira, como também a Secretaria da Receita Federal.
(Projeção)
Na fase investigativa, definimos onde iríamos buscar ou executar o nosso processo investigativo. As nossas investigações estão sendo encaminhadas à Confederação Brasileira de Futebol, às Federações Estaduais. E aqui buscamos emblematicamente a representação de três Federações: as Federações de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Investigamos clubes. Aí estão referendados alguns clubes, principalmente do eixo Rio-São Paulo, exatamente porque é nesse eixo que estão centralizados mais de 80% da movimentação financeira do futebol brasileiro. Investigamos empresários e também dirigentes de federações, dirigentes de clubes e outros profissionais vinculados ao futebol, como nos casos eventuais de algum treinador.
Nesta fase investigativa, à medida que as informações nos vinham chegando, fazíamos uma série de encaminhamentos, como os de representações e solicitações de abertura de inquérito junto ao Ministério Público da União, através da Procuradoria-Geral da República. Neste ponto, é importante ressaltar a parceria do atual Procurador-Geral, o Dr. Geraldo Brindeiro, que tem procurado nos ajudar neste encaminhamento. A Advocacia-Geral da União e o Ministério da Justiça também nos ajudam neste sentido.
Hoje existe um acordo de cooperação entre o Ministério da Justiça do Brasil e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, e a busca de informações e quebra de sigilo bancário nos Estados Unidos é, muitas vezes, oportuna para a nossa Comissão. A Receita Federal tem também nos ajudado, e temos repassado a ela informações com relação a eventuais delitos identificados durante o transcurso da CPI. O Banco Central recebe informações, como também a própria Previdência Social.
O importante não é a punição, pois ela é conseqüência. O fundamental é a elaboração de propostas para que nós possamos, a partir de um novo momento - como disse o nobre Senador Álvaro Dias -, ter novidades no futebol brasileiro. Nós, então, temos que alterar a legislação de tal forma que a desorganização e o desmando não permaneçam. Dentro desse raciocínio, estamos procurando criar - e vamos criar - um ambiente legal e institucional para que o futebol possa prosperar como atividade econômica, uma nova legislação para responsabilizar civilmente e criminalmente os dirigentes de futebol em caso de má gestão - fato que não existe. É muito semelhante àquilo que existe hoje em relação à Lei de Responsabilidade Fiscal.
Enfim, Sr. Presidente da Assembléia, Sr. Edson Arantes do Nascimento, Sr. Senador Osmar Dias, meus senhores, dentro de uma visão muito simples e sumária, era isto que eu gostaria de expor. Pretendemos que a sociedade civil organizada, através de audiências públicas, passe a ser a nossa parceira neste importante momento do futebol brasileiro, quando buscamos informações e propostas para que, realmente, uma nova legislação venha a fazer com que o nosso futebol se torne objetivo, límpido e transparente.
Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) - Agradeço ao Sr. Relator, Sr. Senador Geraldo Althoff.
Registro a presença dos Deputados Estaduais do Paraná, Sr. José Maria Ferreira, Sr. Cleiton Vielson da Silva, Sr. Orgassi Túlio, Sr Neivo Beraldim, Sr. Idekaso Takaiama, Sr. Heli Gueleri e Sr. Edison Estrapasson. Muito obrigado aos nossos amigos, Deputados, do Estado do Paraná.
Registro ainda a presença dos Presidentes, Sr. Marcos Coelho, do Atlético Paranaense, Sr. Ênio Ribeiro, do Paraná Clube, Sr. Juarez Maluceli, do Malutron, do Sr. Francisco Araújo , do Coritiba, do Sr. Ocimar Batista Pauliceio, ex-Presidente do Paraná Clube, do Departamento de Superintendência de Futebol. Agradecemos ao representante da Portuguesa de Desportos de São Paulo, Sr. Fernando Siqueira, Assessor da Presidência e de inúmeros Prefeitos e Vereadores do Estado pelas presenças.
Faço uma saudação especial àqueles que se encontram atrás da imprensa e que não estão tendo uma visão privilegiada desta Mesa, mas que estão acompanhando os trabalhos - obrigado a eles pela presença. Obviamente, a presença do Pelé, aqui tornou este auditório pequeno demais. A grandeza do atleta do século evidentemente só poderia merecer esse prestígio, especialmente da crônica do Paraná, que quero homenagear na pessoa de Osiris Dakal, Presidente da Associação dos Cronistas Esportivos do Paraná, já que é impossível citar o nome de todos aqui, inclusive alguns ex-atletas de renome no nosso Estado como o Sicupira, o Dionísio, o Idalgo, enfim, figuras populares no nosso Estado que estão atuando na crônica esportiva, o nosso agradecimento especial a essa crônica, porque, sem dúvida, ela foi a inspiradora desta CPI. A indignação latente a cada momento refletida na palavra dos cronistas esportivos nos convocou a propor esta CPI do Futebol no Senado Federal. E a CPI da Câmara dos Deputados que havia sido arquivada pelo trabalho de alguns dirigentes que não a desejavam, obrigando ou orientando a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados para considerá-la inconstitucional, essa CPI só foi resgatada e retirada das gavetas depois que a CPI do Futebol no Senado Federal se tornou um fato consumado. A primeira conseqüência da CPI do Futebol do Senado foi mudar o posicionamento da Câmara dos Deputados e recuperar uma CPI até aquele momento sepultada. Portanto, o nosso agradecimento à crônica esportiva de todo o País e especialmente à do Paraná, com quem aqui convivo mais de perto.
Com muita satisfação já temos a notícia de que chegará em tempo o Dr. Carlos del Campo Colás, que deve chegar às 11h15min no aeroporto, e haverá tempo, portanto, para que ele possa prestar essa contribuição. Ele está vindo de Madri especialmente para isso, a fim de que possa aqui trazer sua contribuição inteligente nesse momento de proposição.
Vamos, com muita satisfação, passar a palavra a quem tem mais autoridade neste recinto para falar sobre este assunto. Vamos passar a palavra ao Sr. Edson Arantes do Nascimento, Pelé.
O SR. EDSON ARANTES DO NASCIMENTO – Muito obrigado. Sr. Presidente, eu talvez não seja a pessoa mais indicada na parte técnica para falar sobre esse assunto, mas na prática vou poder dar alguma colaboração.
Agradeço a oportunidade de estar à mesa com o Sr. Presidente da Assembléia, que desenvolve um trabalho árduo, mas tenho certeza de que Deus o iluminará para colocar na linha o futebol brasileiro e o esporte, de um modo geral. Agradeço o convite do Senador Osmar Dias, que eu já conhecia, a presença de todos os Deputados, autoridades, nossos amigos da imprensa, alguns dos ex-jogadores que também são parte disso. Sempre dizia o meu pai que se não tivesse os nossos avós, se não tivesse o Charles Miller vindo para o Brasil nós não estaríamos hoje aqui discutindo todo o problema do futebol.
Mas como a maioria aqui, tenho certeza, é mais jovem do que eu, gostaria de ter permissão para contar algumas das histórias, das coisas importantes que aconteceram na vida do Pelé. E é evidente que eu precisaria fazer o acompanhamento do Dondinho. Muitos que acompanham o futebol sabem que Dondinho, meu pai, saiu de Minas Gerais, de Três Corações, e foi para Bauru jogar no Bauru Atlético Clube. E, nessa época, eu não entendia nada; tinha 8, 9 anos, menos um pouco, 6 anos, e eu vi que tinham tirado o meu pai do interior de Minas Gerais e o tinham levado para Bauru, como uma grande figura, porque, naquele ano – se não me engano foi em 1946, para os mais jovens –, o Bauru Atlético Clube (BAC) estava na final do campeonato do Estado de São Paulo. E foi, pela primeira vez, que vi que o meu pai era importante, que o Dondinho era importante, porque, quando nós chegamos em Bauru, havia muita gente no aeroporto esperando o meu pai. Havia também fotógrafos – naquela época não eram tantos como agora –, havia alguns fotógrafos na estação de Bauru. E eu disse: poxa, o meu pai é famoso.
E, por coincidência, foi presente de Deus, o Bauru foi campeão do Estado. E, em seguida, depois dos jogos, na volta de São Paulo, eu os vi carregando o meu pai nos ombros, aquela multidão levando o meu pai, e eu não entendia nada, eu só achava que o meu pai era famoso, artilheiro do campeonato; isso em 1946.
Em 1950, eu ia completar 10 anos. O Brasil tinha preparado aquela grande festa para jogar contra o Uruguai – por coincidência, não sei, às vezes, Deus faz as coisas por caminhos que não entendemos, mas coincidem com alguma mensagem, alguma coisa que a gente tem que deixar. Por coincidência, nós estamos atravessando um momento difícil, e o Brasil vai jogar com o Uruguai na semana que vem.
Então, o Brasil decidia a Copa do Mundo com o Uruguai. E prepararam aquela grande festa, porque o Brasil era o time favorito, o BAC tinha sido campeão anos atrás, o meu pai era famoso, também. E o meu pai reuniu alguns amigos para, na minha casa, em Bauru, ouvirem o jogo – eu me lembro, naquela época, daquele rádio quadradão, não havia televisão, a comunicação não era tão perfeita, ou quase perfeita, como a atual –, e iam ouvindo ali.
Nós estávamos brincando lá fora, no quintal. Quando acabou o jogo, os garotos vieram para dentro, e eu vi o meu pai chorando. Todo mundo lá estava quieto, chorando. Ou seja, não tinha muito... Aí, eu cheguei e perguntei: mas por que o senhor está chorando? Por que o pessoal está triste? "O Brasil perdeu a Copa do Mundo. Impressionante! Não podia perder para o Uruguai." E a informação que havia era pelo rádio. E o meu pai dizia: "E está morrendo muita gente no Maracanã, tendo ataque do coração." ?? para nós, os garotos que estavam ali. Aí, eu falei para o meu pai, porque vi o meu pai triste... E eu tinha, naquela época, a educação de que homem não devia chorar; homem tinha que ser homem, não podia chorar. Eu vi meu pai chorando... Poxa... Eu disse: "Pai, não se preocupe, porque, quando eu crescer, eu vou ganhar uma Copa do Mundo para o senhor." (Palmas)
Aí, Srs. Senadores – por isso eu digo que Deus, às vezes, faz as coisas por caminhos que a gente não entende –, nunca poderia imaginar que, oito anos depois, menos de oito anos, antes de completar 17 anos, eu seria campeão mundial com a Seleção Brasileira, na Suécia. Muitos aqui ainda não tinham nem nascido. Então, daí para cá, Srs. Senadores, comecei a ver a importância do esporte e do futebol para o nosso País.
Depois, passou, o Brasil foi campeão. E aí, dei a parte, porque eu só queria ser igual ao meu pai, eu nunca pensei em ser o Pelé, ser igual ao Pelé, nunca na minha vida. Eu queria ser igual ao meu pai. Mas, para encurtar, para não ficar muito longo, porque o nosso palestrante também já chegou, eu queria, depois da vitória, depois que nós demos a volta olímpica, depois da fotografia –, eu queria falar com o meu pai, mas, naquela época, não havia comunicação. Em 1958, na Suécia, a gente tinha que ir para o rádio amador, pedir autorização para falar, para, no dia seguinte, o rádio amador chamar e você falar com a pessoa. E eu perguntava ao repórter: "Será que o meu pai está me vendo no campo?" Garoto... E aí, o Rei desceu para cumprimentar os jogadores – devem ter visto as fotos (...) A minha angústia era não poder transmitir... (Palmas)
Eu sou emotivo mesmo, eu não aprendo. Não tem jeito.
Eu queria que o meu pai e o Brasil soubessem daquele tempo. Eu sabia que era importante para o pessoal a grande festa aqui. Depois de tudo isso, de cumprimentar o Rei, da nossa volta, chegamos aqui o Brasil estava em festa, fomos conduzidos pelo carro do corpo de bombeiros, recebidos como campeões.
Então, Senadores, meus amigos, tivemos a oportunidade, depois de ter passado por tudo isso, de voltar da Copa do Mundo. Naquela época ninguém conhecia o Brasil, era uma colaboração que nós da Seleção Brasileira estávamos dando ao nosso País. Eu até hoje digo que não tenho vergonha de falar que sou brasileiro. Com todos os escândalos que têm acontecido no Brasil na parte negativa, temos ainda gente bacana, gente honesta, temos o esporte, que nos dá prazer, alegria. Eu não tenho vergonha de falar que sou brasileiro e sempre defendo esta tese.
Quando voltamos da Copa do Mundo, o Sr. Agnelli, que vocês conhecem até hoje, queria que eu (falha na gravação) foi levado porque era um dos jogadores, o Neném, que jogava no Santos, um grande jogador; o Del Vecchio, que chegou a ir para a Itália. E eu falei: não vou, estou bem no Brasil. Ele disse que eu tinha que ir, eu falei: não vou porque sempre quis que o Brasil estivesse em primeiro lugar. Não me preocupava em ganhar mais um pouquinho, porque eu estava bem no Santos. Mais para a frente vieram os alemães. Nessa época, por coincidência, a Fiat estava começando a trazer o trabalho para o Brasil. E Agnelli me dava ações da Fiat para eu ir jogar no Juventus. Eu tinha certeza de que estava bem. Alguns dos dirigentes do Santos, na época, achavam que era bom eu ir porque era bom para o Santos. Eu falei: não quero, não vou ganhar dinheiro, estou bem, ganho o suficiente para a minha família. Mais para frente, aconteceu a mesma coisa para eu ir para a Itália. E os alemães vieram. Um dos dirigentes do Bayer de Munique falou que tinha que ir porque eles estavam indo com a Mercedes-Benz para o Brasil e nós vamos dar ações da Mercedes-Benz para você. Eu disse: não vou, quero ficar no Brasil. E assim foi em toda a minha vida.
Então, Sr. Presidente, tudo que tenho na minha vida, tudo que Deus me deu foi através do futebol. Eu me sentia muito honrado em ser jogador futebol, mas infelizmente caímos nos problemas atuais do futebol brasileiro. Com essa postura, eu sempre quis fazer alguma coisa, trabalhar pelo futebol brasileiro dentro e fora do campo, porque aonde chega o Pelé em qualquer lugar do mundo chega o Brasil, e eu não podia decepcionar e não posso decepcionar esse povo. Não posso deixar que o nome do Pelé denigra o nome do Brasil. Graças a Deus, até hoje, nesses 45 anos de carreira, não tenho tido nenhum problema.
Então, quando o Presidente Fernando Henrique me convidou para ajudar a organizar o futebol brasileiro como Ministro, eu não queria aceitar. Depois de muita insistência, aceitei, porque achei que podia continuar colaborando, continuar dando a minha parcela, devolvendo algumas coisas que ganhei para o futebol brasileiro. Foi quando, Sr. Presidente, se não me engano, há quatro anos atrás, aceitei o Ministério do Esporte. Vocês sabem que eu não tinha nenhuma ligação partidária, aliás, acho que por isso é que pude fazer alguma coisa pelo futebol brasileiro, porque se hoje estamos tendo essa situação triste em que se encontra o futebol brasileiro é porque há cinco anos eu já sabia o que estava acontecendo no futebol brasileiro. Eu já havia adiantado o problema pelo qual iríamos passar, e foi quando tivemos aquela grande luta para fazer a chamada "Lei Pelé", que muitos dos jornalistas não entenderam, achando que era uma coisa de interesse pessoal, talvez uma reforma ou uma melhora, mais adiantada da Lei Zico, que também não tinha conseguido sair do governo. Aí começou a nossa luta, porque as pessoas que dirigem o futebol brasileiro hoje, não digo só como atleta, porque tem muita gente boa trabalhando, mas a maioria não tem preparo profissional para dirigir o futebol brasileiro. E é neste ponto que devemos abordar , pois acho que a presença de vocês neste momento é muito importante, principalmente do nosso Senador Geraldo Althoff, porque este é um momento que se deve mudar, porque - a maioria não sabe, principalmente alguns da imprensa - , a situação do futebol brasileiro não pode continuar assim. Há clubes, hoje, que se, vou até dizer o nome da emissora, a TV Globo não adiantar a parcela, daqui a dois anos os clubes não terão condições de entrar em campo, devido a sua má administração, e é justamente o que temos que procurar mudar; o profissionalismo, modernizar o futebol, e só com uma lei, com bastante profissionalismo é que poderemos mudar esse quadro. A situação do Brasil é tão grave que se fizéssemos, agora, um movimento qualquer para colocar as equipes em campo, não teríamos campeonato, e se passarmos uma semana sem jogos, do jeito que temos essa paixão por nosso futebol, pode ter certeza de que teremos uma guerra civil, porque o único passatempo, a paixão do povo brasileiro é o futebol, e não podemos deixar esse futebol acabar. É por isso que aceitei, com muito prazer, com muita honra, vir aqui dar este depoimento honesto, sincero, porque talvez alguns jornalistas não tenham entendido - preocuparam-se, é claro, em fazer sensacionalismo e desrespeitaram essa marca Pelé, esse nome Pelé, que é uma das coisas boas que o Brasil tem, dizendo que o Pelé tinha interesses... (Palmas). Outro ponto que eu gostaria de deixar claro é que, em algumas entrevistas falei sobre a CPI, mas nunca, jamais disse que era contra. Ao contrário, sou a favor, considero a CPI importantíssima, porque esclarece o povo; é regularizadora e fiscalizadora. Temos de tratar com seriedade a CPI. Não podemos – e quando digo nós, estou falando como o Ministro que não sou mais – deixar o povo se frustrar mais uma vez e dizer que tudo acaba em pizza como, infelizmente, talvez por falta de um cuidado maior, ocorreu com a CPI da Câmara dos Deputados. Porque não houve seriedade e cuidado na análise das investigações. E falaram coisas, às vezes, absurdas e impossíveis, porque a CPI não vai e nem pode prender ninguém.
Como o Senador José Eduardo Dutra disse, a CPI não existe para prender ninguém, mas para apurar, para indicar e colaborar. A partir daí, a Justiça Federal, a Justiça é que decide. Que sejam punidos os que cometeram infrações, os presidentes que não administraram bem suas equipes. Que sejam punidos.
Com relação ao mal entendido envolvendo o Pelé, quero dizer que a intenção era apenas colaborar. Nenhuma vez tive a intenção de tirar algum proveito disso, porque não preciso. Tenho de agradecer a Deus porque, em qualquer lugar do mundo em que eu queira trabalhar, hoje, tenho as portas abertas. (Aplausos.)
Então, eu gostaria que, realmente, neste momento, que é um momento drástico para o povo brasileiro, desta Casa saíssem propostas e que pudéssemos realmente mudar o rumo do futebol e do esporte de uma maneira geral, porque, sem dúvida nenhuma, a maior alegria do povo brasileiro, a maior bandeira que temos é o esporte, principalmente o futebol. Este é um momento importante, porque não se pode brincar com o sentimento, com o coração das pessoas.
Infelizmente, o que muitos dos dirigentes fizeram até agora, por ignorância, por falta de conhecimento ou por desonestidade, foi desrespeitar o nosso povo.
Com a profissionalização, o que vai acontecer? Vamos gerar mais empregos, porque vamos ter que construir melhores estádios. Vamos ter mais turismo, porque o esporte traz o turismo. Vamos fazer com que as equipes tenham uma administração e uma postura de família, porque teremos condições de atrair novamente as famílias para os estádios, já que hoje, infelizmente, as crianças e as mulheres estão afastadas dos estádios. A coisa mais simples – e talvez eu encerre a minha colaboração aqui – quando alguém traz uma pessoa para a sua casa é um pouquinho de higiene. Infelizmente, nos estádios de futebol, hoje – não sei se o senhor teve oportunidade de ver –, o senhor não se pode levar sua filha ou sua esposa ao banheiro, que parece uma pocilga. Nem esse respeito com o povo brasileiro os dirigentes estão tendo, talvez por falta de profissionalismo, maldade, desonestidade ou por falta até de conhecimento.
Este momento é muito importante, é um momento em que temos de trabalhar realmente.
Em Brasília, agora, senti, no meu encontro com o Presidente Fernando Henrique Cardoso, no lançamento do Esporte nas Escolas, que é importante, que considero um passo avançado. Senti que o Presidente Fernando Henrique, igualmente, está preocupado, porque é relevante para o Presidente que seu País esteja forte no esporte.
Sr. Presidente, havia até preparado um demonstrativo para falar sobre a origem do passe, tendo em vista as muitas controvérsias com respeito a esse assunto quando se falou na Lei de Passe e no fato de deixar o passe livre no Brasil.
Na Inglaterra, quando começou a se praticar futebol, não existia passe. As equipes uniam os jogadores em campo, que jogavam. Os problemas começaram quando do início da organização do futebol, porque o jogador sem passe, ou sem um compromisso com o seu clube, jogava até o fim do campeonato na equipe. No entanto, na semifinal ou na final, ele mudava para a outra equipe, porque, muitas vezes, os amigos mudavam ou a família pedia. Então, criou-se a responsabilidade. É um contrato de responsabilidade que passou a chamar passe e cujo objetivo era manter o jogador na equipe para ter mais respeito ao time que lhe havia dado a oportunidade. Assim, criou-se o passe.
Depois, em virtude da modernização do futebol, o passe começou a ser trocado. Não se pagava, apenas trocavam as cartas. Se um time queria determinado jogador, trocava as cartas: "Você me dá esse". Posteriormente, passou a ocorrer a venda dos jogadores – quando começamos a dizer que era necessário acabar com a escravidão. Alguns amigos meus diziam assim: "Não fale mais que tem de acabar com a escravidão, porque não há escravos mais de US$20 milhões".(Risos.)
Realmente, os passes dos jogadores começaram a dar proteção a alguns maus dirigentes, porque eles ficavam com o passe do jogador – como ficam até agora – e trocavam os jogadores pelas dívidas. Chegamos ao absurdo, no Brasil, não sei se V. Exªs lembram – não sei se foi em Minas Gerais ou em São Paulo –, que o time que vinha do banco, eles estavam aceitando. Dizia-se: "Então, vou dar para você fulano de tal". Isso ocorreu várias vezes e não pode acontecer mais. O impasse era esse.
Na realidade, quando da defesa de muitos dos Presidentes de Clubes, alegava-se que, acabando o passe, se acabaria com o investimento na base. Isso não é verdade, porque, mesmo com o investimento de base, já não havia nenhum dos nossos craques. V. Exªs notaram que, com ou sem o passe, todos estão saindo. Quando a Fifa aprovou a liberação dos jogadores na Europa, já se tratou de uma atitude avançada, pois, no Ministério do Esporte – do qual tenho honra, porque é a minha equipe –, já se antecipou esse termo. Previa-se que esse fato aconteceria. Hoje, estamos com o passe livre e o futebol continua normal, sem nenhum problema.
Sr. Presidente, estou à disposição quantas vezes V. Exª precisar de que eu venha dar testemunho a fim de colaborar. É muito importante não deixarmos, no futuro, o nosso futebol voltar ao que está passando. Quando, no Brasil, organizarmos o nosso futebol, ou seja, quando profissionalizarmos a nossa administração, V. Exª pode estar certo, Sr. Presidente, de que estaremos na final de todos os campeonatos juvenis, de todas as copas do mundo, de todos os torneios internacionais, porque talento os jogadores têm muito. A prova disso é que a maioria dos profissionais presentes nos grandes times da Europa são brasileiros. Quando tivermos condições de prender esses jogadores neste País, estaremos nas finais de todos os campeonatos internacionais.
Agradeço a presença de todos e peço, mais uma vez, desculpas pela minha emoção. Mas eu sou assim, não aprendi ainda a receber homenagens, sou emotivo. Este é um momento importante, porque é a primeira vez em que posso dizer do porquê da minha angústia e da minha luta para profissionalizar o futebol brasileiro. (Palmas)
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) - Muito obrigado ao Pelé pela sua participação e pela sua emoção. É bom ver que os anos não mataram a capacidade de ele se emocionar. Creio que quem não conhece a capacidade da emoção não tem também condições de ser ídolo, como é o Pelé, um ídolo mundial. Essa capacidade é um componente indispensável para a configuração da imagem do líder. Sem emoção, não há líder e não há ídolo. Pelé merece as nossas homenagens por nos ensinar que é preciso manter essa capacidade de se emocionar sempre. (Palmas)
Apesar de todas as conquistas, de todas as vitórias, de todas as homenagens, como o garoto simples e humilde dos campos de peladas de Bauru, ele se emociona e nos oferece essa lição. Muito obrigado, Pelé.
Registro a presença dos Vereadores aqui da Capital; do Vereador Jorge Samek; do Vereador Jorge Bernarde; da Vereadora Arlete Caramês; do Prefeito Luís Cassiano, de Pinhais; do Prefeito Reinaldo Cardoso de Castro; e dos demais Prefeitos e Vereadores aqui presentes.
O Dr. Carlos Beltrão já se está dirigindo para este local. Vamos aproveitar a oportunidade para conceder a palavra àqueles que desejarem dela fazer uso até que chegue aqui o Dr. Carlos, que será o conferencista. Naturalmente, se desejarem, poderão usar da palavra para fazer indagações ao Sr. Edson Arantes do Nascimento ou para oferecer sugestões.
Está presente aqui o Sr. Sérgio Corrêa, que traz para esta audiência sobre Futebol e Legislação em Curitiba sugestões da Associação dos Árbitros de Futebol. Ele nos pediu a palavra, e, com o maior prazer, Sérgio, vamos oferecer a você alguns minutos, para que possa apresentar as propostas da Associação Nacional de Árbitros. O Sérgio é o Secretário-Geral.
Concedo a palavra ao Sérgio Corrêa.
O SR. SÉRGIO CORRÊA – Bom dia a todos!
Cumprimento os Srs. Senadores, Deputados e Vereadores presentes e Sua Majestade o Pelé, nosso grande ídolo, inclusive dos árbitros. (Palmas)
De maneira sucinta, vou apresentar as dez sugestões dos árbitros de futebol, para que sejam analisadas e, se entenderem pertinentes, sejam colocadas em discussão.
Antes de mais nada, eu gostaria de fazer referência ao Márcio Resende de Freitas, que está no México, onde atuou na quarta-feira. Ele, que estará retornando amanhã, pediu-me para que eu apresentasse as suas desculpas aqui.
Não vou fazer comentários sobre cada sugestão; vou apenas apresentá-las para que fiquem registradas e, dessa forma, não vou tomar o tempo das autoridades e das pessoas presentes. A arbitragem é um segmento pequeno, mas também importante. Também não vou fazer comentários se é certo ou errado o comportamento de presidentes, dirigentes. Não cabe a mim julgar, mas ficou claro com as CPIs que alguma coisa errada existe. E, se existe, a única pergunta que os árbitros fazem para colocar as dez sugestões é a seguinte: "Quem aqui é contra a transparência?" Se alguém for contra a transparência, deveria se retirar.
Das dez sugestões, Srs. Senadores, a primeira é que os árbitros de futebol possam ter o poder, assim como era nos tribunais de justiça, de indicar os representantes que serão designados para os jogos. Na forma atual, os Presidentes de Federações escolhem pessoas para escalar os árbitros. E quem indica pode também tirar e pedir para colocar determinado árbitro.
Está presente neste recinto, o sr. Renato Duprá, ex-presidente da comissão de São Paulo, que conseguiu por um bom tempo evitar que isso acontecesse, mas não é assim que acontece no País.
Queremos ter o poder de indicar alguns representantes nossos para que eles escalem os árbitros de futebol. Na transparência a que me referi, abriríamos a possibilidade de haver um representante dos atletas, dos clubes, das federações e da imprensa para que a transparência fosse dada e ninguém tivesse a coragem de pedir para o presidente da comissão trocar determinado árbitro ou colocar determinado árbitro numa partida. O árbitro de futebol só é forte dentro das quatro linhas. Fora, ele tem medo do dirigente, que veta. Temos diversos exemplos de presidentes "poderosos" que vetam árbitros. Assim, não conseguem atuar com a independência que gostariam. Por isso, vemos determinadas atitudes medrosas nos campos de futebol de árbitros que não são medrosos.
O segundo tópico é o direito de imagem. Os atletas e as comissões técnicas têm o direito de imagem, mas o árbitro não, apesar de também fazer parte do espetáculo. E, quando a imagem dele é veiculada, o é de maneira pejorativa.
Assim, queremos pelo menos ter o direito de, quando a nossa imagem for execrada, recebermos um pouco por isso também. Acho que é o direito que nos cabe, porque no dia em que árbitro falar "não vou a campo" não vai haver jogo, pelo menos naquele dia.
A terceira é também outro assunto interessante. O árbitro de futebol, quando entra em campo, assim como os atletas - o nosso rei Pelé sabe disso, todos sabem -, usa uma logomarca na sua camisa. Só que o árbitro não tem o direito de participar do contrato, como é fechado. Que vantagens essas empresas dão às Federações, às Confederações? Queremos apenas participar, ou, pelo menos para evitar que alguém leve nas costas do árbitro. Vende-se o patrocínio para a marca A, que dá determinado apoio à Federação, sob a forma de dinheiro, não nos importa, o que queremos é participar disso e que seja transparente para que os árbitros possam aumentar a sua receita.
Quarta medida. Sem dúvida alguma, Srs. Senadores, ser árbitro de futebol é uma atividade de risco. Quem aqui nunca quis bater em um árbitro? Há os presidentes aqui, que ficam irritados, há os torcedores – há inclusive um caso recente em São Paulo, em que torcedores invadiram o campo e bateram no assistente. E no dia em que um maluco desses entrar com uma faca e apunhalar um assistente pelas costas? Precisamos de seguro. E não somente seguro durante as partidas, mas também durante as nossas viagens. Assim como os senhores, temos de viajar, de aviões, carros, carroça. Podemos sofrer um acidente e a família ficar desamparada. Quantas Federações oferecem seguro para o árbitro? Poucas. E, quando têm, não informam quais são as vantagens para o falecido, se é que o falecido tem vantagens.
Outro item importante é o nº 5, que fala de taxas de arbitragem. A Inglaterra paga US$1,1 bilhão para as competições no ano. No Brasil, as pessoas pagam US$126 milhões aos clubes durante um ano. Isso representa, em comparação à taxa de arbitragem, 0,1%. Um exemplo bem simples: para pagar todas as taxas de arbitragem dos quatro lotes que vão a campo, na Copa João Havelange, azul, branco, verde, amarelo, cor-de-rosa, por 1.455 jogos. Nós precisaríamos apenas de quatro jogos para pagar toda a taxa de arbitragem do nosso futebol. E pensar que um árbitro ganha R$2.500,00 e comparar com o salário mínimo é desproporcional. Mas no conjunto do bolo é uma fatia muito pequena.
6 - Percentual na renda. Se o espetáculo é bom, os atletas têm o direito de receber um percentual para isso, para a segurança dos seus atletas, estamos cansados de ver ex-atletas passando dificuldades. A imprensa presente, não sei se aqui no Paraná acontece, mas em São Paulo acontece, recebe um percentual da renda. Interessante, não é? As Federações pagam. Algum percentual da renda vai para a ACEESP lá em São Paulo. E é um fato interessante, o árbitro também, quando acaba a carreira, com 45 anos, ele não recebe mais a taxa de arbitragem; então ele vai passar fome. Estamos cansados de ver lá em São Paulo um árbitro na porta do sindicato pedindo ajuda. Se ele não for conhecido, a Federação também não ajuda.
Em São Paulo, em um caso recente, a Federação paulista ajudou até na morte: o Boschillia, para quem não lembra, morreu à mingua; morreu dizendo que se arrependeu de ter sido honesto. É a frase que usou. Então, gostaríamos que o árbitro tivesse uma participação na renda, mas não para dar para o árbitro de forma assim direta, mas para ter um mecanismo de segurança para ele, para ajudar na formação do árbitro, na reciclagem do árbitro. Não temos. Essa seria a sugestão do Item 6.
7 - A Justiça Desportiva está bem feita. Acho que temos poder de indicar, estamos indicando, e um fato interessante é que na maioria dos tribunais os indicados pelos árbitros estão se tornando presidentes dessas comissões ou desses tribunais; no Espírito Santo e na Bahia já existem casos. Eu gostaria de deixar uma sugestão para que mantenham, não tirem, pelo amor de Deus. E, se possível, ao serem criadas comissões disciplinares, ou comissões de pena, que os árbitros possam indicar. Queremos apenas participar. Não queremos tirar nada de lugar nenhum. Nossas escolas de árbitro formam e jogam o árbitro lá. Eles ficam abandonados; não tem a reciclagem. Gostaríamos que as entidades também pudessem ter uma participação ativa na formação dos árbitros. Isso é interessante.
Um penúltimo tópico. Avaliadores dos árbitros. Se os senhores pensam que o árbitro não é avaliado, ele é avaliado. Tem um cidadão que vai a campo e avalia o trabalho do árbitro e dá uma nota. E muitas vezes o árbitro é punido e a imprensa não tem conhecimento disso. O fato aqui ele pode referendar, porque árbitros conhecidos são punidos no mínimo com 30 dias. Punição significa não receber uma taxa de árbitro, não atuar. E perde uma oportunidade importante. Queremos pedir uma sugestão. Que quem avalia o árbitro seja uma pessoa que conheça regras. Seja ex-árbitro. E do jeito que estiver nas federações, o Presidente indica os amigos, os companheiros, pessoas que não sabem o que é uma regra de futebol, não conhecem nenhum tipo de regra, e analisam pela paixão e não pela razão. Nós queremos que o árbitro seja punido sim. Nós árbitros queremos a punição. Não gostamos de errar. Mas é preciso também ter mecanismos que nos protejam de avaliações emocionais.
Queremos um Projeto que regulamente a atividade do árbitro de futebol e, nosso projeto é simples, poucos artigos e, assim que chegar ao Senado gostaria do apoio de V. Exas.
O atleta de futebol, com toda razão, é um profissional. O treinador é um profissional. O árbitro não é nada. Ele é só importante quando recebe a escala e quando entra nas quatro linhas. Se ele for bem, ele vai embora, e ninguém se lembra dele. Eu nunca soube de um caso de um árbitro que recebeu uma carta apaixonada de uma fã. Os atletas estão acostumados. É "meu amor"... Há árbitros bonitos aí. E eu sou um deles. Nunca recebi, em vinte anos de carreira, quase 700 jogos, de uma fã, uma torcedora: "Você é bonito, vem ficar comigo". Nada, só pedrada. A minha mãe, coitada, cansou de ser xingada.
Eu tenho aqui para a imprensa um resumo do eu que falei e, se houver interesse, tenho exemplares do Jornal do Apito, feito pelo Sindicato de Árbitros de São Paulo e, que conta um pouquinho da história da Anaf. Se não servir, levem para casa e guardem ou façam outro uso dele. É para vocês saberem, Srs. Senadores, que o árbitro de futebol existe não só quando são xingados no campo.
Quando eu era garoto, eu ia ao campo para aplaudir o Pelé. Infelizmente, peguei o final da carreira dele. Às vezes pergunto para José de Assis Aragão e outros ex-árbitros antigos como era atuar com o Pelé, e eles gostavam. Quem não gostaria de estar ao lado do nosso rei? Os árbitros não são diferentes. O Aragão falava muito que era Pelé não perturbava, era disciplinado e fácil trabalhar com ele. Só que tinha que ser um pouco esperto, porque o Pelé era um pouco malandro.... (Risos)
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Trabalhava bem com o cotovelo.
O SR. EDSON ARANTES DO NASCIMENTO - Aconteceu uma história no campo do Santos. Eu penso que foi o Marinho. Numa jogada em que o Pelé driblou três jogadores do Quinze de Piracicaba, na entrada da área, na zona do pênalti, chutou a bola, bateu embaixo da trave, bateu em cima da risca. Eu não vi direito, honestamente; eu chutei e não vi a bola bater; não sei se entrou. Mas eu saí gritando gol e o juiz deu gol. (Risos)
Os jogadores do Quinze falaram que a bola não entrou. Eu ouvi - é verdade, mas ele morreu e não posso provar - quando o juiz falou: "A jogada foi tão linda que, mesmo que não tenha sido gol, eu dou gol." (Risos e palmas)
O SR. SÉRGIO CORRÊA – Apenas para encerrar, quero dizer que o Sr. Nelson Orlando, Presidente da Associação Paranaense, tem duas propostas para incluir no currículo escolar noções de arbitragem, que eu passo às mãos dos Srs. Senadores. Voltando ao Rei, lembro muito do pênalti que você causou no Morumbi. Você enganchou no zagueiro e levou não sei quem, na época, à loucura.
O SR. EDSON ARANTES DO NASCIMENTO – Foi contra o São Paulo.
O SR. SÉRGIO CORRÊA – Obrigado, Pelé.
O SR. EDSON ARANTES DO NASCIMENTO – Eu quero apenas registrar também a minha adesão, porque eu penso que o árbitro é uma parte importante e realmente deve ser observado, inclusive, com respeito à participação na parte de merchandising. Eu penso que é algo importante a ser visto. Vocês já têm um parceiro nessa.
O SR. SÉRGIO CORRÊA – Para encerrar, a profissionalização para os árbitros e independência para aquele que escala o árbitro. Muito obrigado. (Palmas)
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Obrigado à Associação Nacional dos Árbitros, por meio do seu Secretário Sérgio.
O SR. SÉRGIO CORRÊA – Sr. Presidente, posso ter dois minutos para entregar formalmente um projeto?
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Pois não, fique à vontade.
Nós prestamos a nossa homenagem às mulheres aqui presentes, por meio da Deputada Serafina Carrilo e da Vereadora Alexia Carames, que nos honram com as suas presenças.
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Está registrado. Nós agradecemos a presença e pedimos para prosseguirmos a reunião.
Eu vou passar a palavra ao Osires Natal, que é o representante da crônica esportiva. Ele é presidente da Associação dos Cronistas Esportivos e traz sugestões da categoria que representa.
O SR. OSIRES NATAL – Obrigado pela oportunidade, Sr. Senador.
Sr. Presidente da Assembléia Legislativa, Brandão; Senador Álvaro Dias, Presidente da CPI; Senador Geraldo Althoff, Relator, Senador Osmar Dias, pelas presenças que muito nos honram. E a saudação especial da imprensa paranaense brasileira a esse que deu alegria, em todo o mundo, para todos nós. Obrigado Pelé, você continua sendo o Edson Arantes do Nascimento para a família, e, Pelé para o mundo. As suas lágrimas de brasilidade cada vez mais o engrandece e cada vez mais o torna a esperança de todos nós brasileiros que lutamos pelo melhor esporte. Deus lhe pague.
A Associação dos Clubes Esportivos do Paraná manifesta seus agradecimentos pelas presenças em Curitiba da Comissão Parlamentar de Inquérito do Futebol, trazendo para os desportistas paranaenses as figuras mais destacadas neste trabalho de purificação do esporte nacional. A atual administração da ACEP tem procurado desenvolver seus trabalhos em benefícios do esporte paranaense, buscando participar dos principais eventos, como o de agora, com a presença da CPI em nossa capital.
Diante de tão salutar oportunidade, a crônica esportiva, que tem talentos do futebol e talentos da cultura esportiva, não poderia pecar por omissão. Estamos tomando a liberdade de enviar a V. Exªs e aos demais Membros da CPI sugestões que visam contribuir com a proposta dessa Comissão, que é a moralização do futebol brasileiro.
Pelo que temos estudado, um dos principais problemas do desporto nacional está na legislação que trata de eleições para dirigentes de clubes, ligas, federações e confederações, onde figuras se perpetuam no poder, mais se beneficiando do que prestando serviços ao esporte. Reeleições são negociadas através de votos de clubes e ligas amadoras, onde se troca voto por bola, ou por jogo de camisa, ou até mesmo por troféu, coisa que no Paraná a gente sabe que acontece senão semestralmente, na pior das hipóteses, anualmente.
Diante do exposto, a Associação dos Clubes Esportivos do Paraná – que, nesta oportunidade, saúda a todos os senhores jornalistas, radialistas e órgãos de televisão e sente-se honrada em tê-los nesta Associação - busca realmente a independência de todos nós. Trouxemos as seguintes sugestões em nome de todos os senhores:
Unificação de mandatos e limitação de reeleição. Atualmente, os mandatos nas diferentes ligas e federações brasileiras são de dois, quatro e até mesmo de seis anos, não havendo uma padronização nas respectivas administrações. O mesmo presidente de liga, federação ou confederação reelege-se indefinidamente - no caso específico do Sr. Ricardo Teixeira Nascimento não era... . Nada contra as reeleições, mas é um fato. Por vários mandatos consecutivos, contrariando os sagrados princípios democráticos da alternância no poder. Essa alternância não está acontecendo. Exemplo, repito – existe em todo o Brasil, a começar pela CBF e pelas federações.
Sugestão da ACEP: unificação dos mandatos em todas as ligas, federações e confederações e limitação para apenas uma reeleição, após cumprido o primeiro mandato. Depois, se os dirigentes entenderem que devem voltar, e os dirigentes de clubes, se fazem a eleição, é o desejo e a vontade democrática de cada um;
Limitação de peso de votos. Hoje, no futebol brasileiro, os presidentes de federações e confederações são eleitos e reeleitos com ampla facilidade, graças a votos de clubes e ligas amadoras, ou seja, tipicamente do Paraná. Uma liga com 45 clubes tem direito a um número de votos superior a um clube da força do Clube Atlético Paranaense, o Coritiba, do Paraná, e hoje do nosso querido Malutron. Então, os clubes profissionais que gastam, que investem, que têm as categorias de base, são menosprezados pela própria legislação. Então, negocia-se com as ligas troféus, medalhas, bolas, jogos de camisa, enfim, coisas de futebol, e os clubes cada vez mais fragilizados.
Aquele clube que está na principal função na modalidade da sua federação tem um custo de sobrevivência elevado e mesmo valor político de um clube de liga ou da própria liga de amadores. Parece-nos que não é correto. Portanto, um estudo dessa limitação de peso de votos é muito importante. Não é justo que o Atlético, que é um time do Paraná, e o Malutron, já que é um dos quatro grandes dos clubes do Paraná tenham o mesmo voto - sem desmerecer quem quer que seja - do Uberaba Futebol Clube, ou de um time do interior que não paga conta, que dá cheque voador, que deve para todo mundo e fica o futebol do interior na miséria pura. Hoje o futebol vive especificamente dos clubes da capital que trouxeram, através dos seus atuais dirigentes, Presidente Curtino, o Dr. Francisco, Dr. Marcos Freitas, do Atlético, o Ênio Ribeiro, do Paraná, e o Juarez (?) Malutron, devolveram ao futebol do Paraná a dignidade de que queríamos. Sugerimos que a limitação de votos seja desenvolvida dentro das próprias ligas, ou seja, uma liga com seus filiados decide em quem vai votar, e essa liga, de acordo com o número de filiados, terá uma participação de votos através de um determinado peso; simplificando, uma liga de 40 clubes terá direito a dois votos, valerá dois o voto da liga; uma liga com mais teria a sua proporcionalidade estudada.
Os clubes da 2ª e 3ª divisões terão peso dois e um respectivamente, só que os clubes que participam da principal divisão, repito, Atlético, Coritiba, Paraná, Malutron e os clubes do interior têm direito a peso três pelo menos, ou seja, o voto desses times deve ser muito mais forte do que o do Barreirinho ou da liga de São José dos Pinhais, caso contrário, continuaremos com a seqüência festiva de eleições de presidentes de federações, caso específico do Paraná, onde tudo é decidido através de votação.
Sérgio Corrêa, conte com o apoio da Associação dos Cronistas do Paraná.
Agora, uma boa notícia: no instante em que assumimos a Presidência da ACEPA, em nome de todos os cronistas, deixamos de aceitar propinas da Federação Paranaense de Futebol. (Palmas.) O cronista paranaense é um homem independente, exerce sua função no jornal, no rádio ou na televisão pela sua competência, e não aceitamos a condição dependente de favores da Federação e de clubes. A César o que é de César, à imprensa o que é da imprensa.
Obrigado pela oportunidade. Um abraço.
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Obrigado Osires , um dos maiores cronistas esportistas do Paraná. As suas sugestões, em nome da classe, serão bem-vindas e certamente da maior importância para a proposta que se pretende.
Agradeço também a proposta contida no requerimento da Câmara de Vereadores de Curitiba, do vereador Jorge Bernardes que propõe a extinção do Clube dos 13. Estamos passando-a ao relator da CPI. (Palmas.)
Mais uma vez, registro a presença dos presidentes Marcos Aurélio Coelho, do Clube Atlético Paranaense, Francisco Araújo, do Coritiba, Ênio Ribeiro, do Paraná, Guel Ramiceli, do Malutron; registro também a presença dos deputados Agostinho Zuchi e Toni Garcia.
Passo a palavra ao Presidente do Paraná Clube, Ênio Ribeiro.
O SR. ÊNIO RIBEIRO – Presidente Álvaro Dias, Senadores Geraldo Althoff e Osmar Dias, bom-dia a todos, senhoras, senhores, em nome do Paraná Clube, eu queria, humilde e modestamente, complementar esta CPI.
É muito difícil, depois de 39 reuniões, como foi citado no início, ainda agregar algum valor substancial ao conteúdo da CPI, em que muita coisa boa já está incluída.
Como presidente de clube, eu queria dizer que o projeto mais representativo de contribuição para o futebol brasileiro é a Lei de Responsabilidade Fiscal. Eu, como presidente de clube, poderia estar falando exatamente o contrário, e assim falando – estamos a 30 dias de estrear no campeonato brasileiro contra o Cruzeiro, que é um time poderoso, rico – poderia estar fazendo contratações malucas e irresponsáveis, jogando tudo para o próximo executivo que vai assumir o clube em janeiro do ano que vem. Eu não farei isso no Paraná Clube, a imprensa daqui não vai ver isso. Não adianta cobrar contratações, porque não faremos essa loucura sem a Lei de Responsabilidade Fiscal; com ela, todos terão que fazer isso.
Temos recusado propostas de profissionais, que não discuto seu mérito, de valores completamente delirantes, o Paraná Clube tem dito não. Agora, com certeza, algum outro dirigente maluco de algum clube do Brasil, às vezes mais endividado do que nós, vai acabar dizendo sim e aceitar esse atleta profissional, agravando muito mais a situação.
Então, a Lei de Responsabilidade Fiscal é a coisa mais bonita que há de contribuição ao futebol brasileiro. Ainda gostaríamos de agregar observações, que entregarei por escrito:
1 – Definição urgente do calendário oficial brasileiro, contemplando as diversas competições a serem disputadas, bem como os critérios que definam os participantes.
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Peço licença ao Sr. Ênio Ribeiro para convidar que tome assento à Mesa o nosso convidado, Dr. Carlos Del Campo Colás, representante da Federação Espanhola de Futebol, cujo currículo já tivemos oportunidade de ver. (Palmas.)
Por favor, prossiga, Sr. Ênio Ribeiro.
O SR. ÊNIO RIBEIRO – 2 – Definição urgente sobre o órgão comandante dos destinos do futebol brasileiro. Desde a criação da Lei nº 9.615/98, que instituiu a possibilidade de criação das ligas nacionais, o futebol tem seu comando dividido entre CBF, Clube dos Treze, Sport Promotion e Rede Globo de Televisão . Esse múltiplo comando tem dificultado o fluxo de informações e de definição sobre o futebol brasileiro;
3 – Transparência e lisura no trato da comercialização dos direitos de televisão, permitindo que todos os clubes envolvidos na mesma competição tenham oportunidade de expressar suas opiniões.
Dar muito a poucos e pouco a muitos certamente não é a melhor política para fortalecer o futebol brasileiro. Tenho um dado na mão: quotas de televisão para o Brasileiro que começa no dia 1º de agosto. O time que mais recebe está na ordem de US$4.1 milhões de quotas de televisão. O Paraná Clube recebe US$700 mil, e tem que montar um time para ganhar deles para não cair. Eu não discuto o critério, mas queria que houvesse transparência para que no próximo ano nos candidatemos a ganhar os US$4.1 milhões, o que é preciso fazer para ganhar isso? Quero essa transparência.
É o que estamos pedindo neste momento.
Muito obrigado. (Palmas.)
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Agradeço ao Sr. Ênio Ribeiro, do Paraná Clube, pela contribuição.
Registramos e agradecemos a presença do Deputado César Celeme, do Prefeito de Tibagi, José Tibagy de Mello, que vem acompanhado do Secretário de Esportes, Sandro Rosa. Obrigado pela presença.
Concedo a palavra ao Senador Osmar Dias antes de ouvirmos nosso convidado.
O SR. OSMAR DIAS – Sr. Presidente, Senador Álvaro Dias, serei muito rápido, pois minha participação é em homenagem à CPI do Futebol, ao rei Pelé e a todos aqueles que estão acompanhando este tema tão importante para o Brasil.
Gostaria de saudar o Senador Geraldo Althoff, o Presidente da Assembléia, Deputado Hermas Brandão, o nosso convidado, Sr. Carlos Del Campo Colás e, especialmente, o rei Pelé, que é um iluminado, sem nenhuma dúvida.
O Pelé fala sempre em Deus, e faz bem, pois Deus iluminou essa figura tão bonita, maravilhosa, que é sua pessoa. O Pelé, que foi o maior jogador do mundo de todos os tempos, não perdeu uma virtude que traz de berço, do seu pai, que é a humildade, e a conserva emocionando todos. E é uma emoção estar perto do Pelé, e uma emoção ainda maior ver o Pelé se emocionar. (Palmas.)
Creio que o Pelé é a única unanimidade nacional. Nem corintiano tem bronca do Pelé. Por azar do Joelmo Luceli, ele não jogou no Malutron.
Pelé, não quero tomar muito tempo, porque não tenho participado da CPI, já que não sou membro integrante dela. Quero dizer rapidamente algo importante: a CPI da Nike na Câmara tornou a CPI do Futebol, no Senado Federal, mais importante agora e, sobretudo, conferiu a esta mais responsabilidade.
Dizia ao Senador Álvaro Dias que esta CPI é de uma responsabilidade muito grande, porque o futebol é a paixão nacional. E as pessoas estão acompanhando e querendo ver resultados; o Senador Álvaro Dias sabe da sua grande responsabilidade ao assumir a Presidência desta CPI.
Felizmente, o Relator é o Senador Geraldo Althoff, com quem trabalhei como Presidente da Comissão de Assuntos Sociais – gostaria de dar este depoimento. Considero-o um Senador de muito respeito dentro do Senado, que carrega uma seriedade no desempenho de suas atividades. Confio firmemente que Geraldo Althoff dará à CPI um Relatório correspondente ao desejo emocionado de Pelé, que é ver o futebol brasileiro respeitado por todos e ser, sem dúvida, a nossa maior alegria.
Agora, o que aconteceu com a CPI da Nike, na Câmara dos Deputados, foi um absurdo: apresentaram-se dois relatórios, e não se aprovou nenhum. Houve uma perda de tempo; fizeram com que as pessoas que depuseram e o povo brasileiro perdessem tempo. Houve uma desmoralização, que, inclusive, pode levar outras CPIs importantes, que precisam ser instaladas, ao mesmo fim. Aquilo que aconteceu na Câmara dos Deputados confere responsabilidade maior à CPI do Futebol, que precisa obter resultados, porque é isso que a população espera.
Não quero alongar-me, mas gostaria de fazer duas perguntas: uma para o Pelé; e outra, para o Edson Arantes do Nascimento.
A pergunta que vou fazer para o Edson Arantes do Nascimento é uma que passa pela cabeça de todo mundo que fica vendo notícia todos os dias nos jornais: tal jogador foi vendido por tantos milhões de dólares; outro vale 52; outro vale 80 milhões de dólares... Então, se o Edson Arantes do Nascimento fosse presidente de um time de futebol hoje e estivesse jogando naquele time o Pelé, com 25 anos, já com 600, 800 gols marcados, qual seria o valor do passe hoje, diante da realidade do futebol? Estou fazendo a pergunta para o Edson Arantes do Nascimento.
A pergunta que vou fazer para o Pelé é a seguinte: O Pelé nunca teve vontade de jogar no Corinthians? (Risos.)
O SR. EDSON ARANTES DO NASCIMENTO – Bem, acredito que a pergunta vem, inclusive, de encontro ao nosso Presidente Hélio Ribeiro. Como Edson Arantes, se fosse presidente de algum clube, claro que iria tentar ter o Pelé na minha equipe, como qualquer outro, mas nunca iria pagar mais do que pudesse. (Palmas.) Como presidente do meu clube em que estivesse jogando o Pelé, eu não o venderia por preço nenhum. (Risos.)
Com respeito à outra pergunta, se o Pelé gostaria de jogar no Corinthians... (Risos.) Mas, antes, volto à primeira pergunta: faz-se muita comparação de quanto valeria o Pelé agora, mas acho que tudo tem a sua época. Costumamos avaliar as coisas por valores materiais. Seria o mesmo que perguntar quanto valeria o Beethoven ou um Michelangelo, por exemplo. Acho que realmente não há preço. Um maluco qualquer, como temos aí no desporto como um todo, pagaria uma exorbitância, porque não há como avaliar o Pelé nos dias de hoje.
Sobre o Corinthians, há alguns amigos da imprensa, pensando que tenho bronca com relação ao clube, porque era corintiano quando criança, mas não é verdade. O meu pai e o meu irmão, em Bauru, às vezes, eles ouviam jogos do Corinthians naquela época, e eu era fã do Baltazar, que era o centroavante que fazia gols, na época, parecido com o Dondinho, meu pai, que fazia gols de cabeça – até um fato para se registrar aqui: o Dondinho é o único jogador que fez 5 gols de cabeça num jogo só. Em termos de gols, esse é o único recorde que Pelé não quebrou ainda. (Risos.) (conversa paralela e inaudível) Mas me orgulho de até ter, como disseram, quando o Santos passou aquela fase longa – quatorze, quinze anos - ganhando do Corinthians. Eu sempre respeitei a todos os torcedores. Hoje, chamo a atenção – e o meu filho foi jogador até o ano passado – para o fato de que o jogador não tem muito identidade, infelizmente, por causa de toda essa comercialização. Dou até um exemplo: hoje, o jogador chega ao Malutron, para fazer o contrato, e diz para a torcida que ama o Malutron. Aí, o Paraná Clube compra esse jogador – se fosse no Estado de São Paulo, seria o Santos ou o Corinthians – e, no mesmo campeonato, ele vai para o Paraná e diz que ama o Paraná. Assim, ele ama quem pagar dez mil réis a mais. Então, penso que esse comportamento nosso é de uma época em que tínhamos as referências dos jogadores nas grandes torcidas. Quando se falava em Rivelino..., quando se falava em Tostão, pensava-se em Cruzeiro; Pelé, em Santos; Garrincha, em Botafogo. Então, os jogadores se identificavam com as torcidas. Hoje, o jovem não tem identificação, porque o jogador está, num dia, no São Paulo, noutro dia, está no Flamengo... Ele não sabe direito o que fazer. Ele não tem ídolo.
Penso que esse amor da torcida brasileira, independente da Seleção, mas de todos os torcedores é o que eu sempre respeitei, em qualquer torcida.
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Pelé, agradeço a sua simpatia. Deus realmente lhe fez uma pessoa iluminada. Na minha opinião, você é a pessoa que mais fez pelo Brasil, dentro e fora do País. A sua presença no mundo aumenta a importância do nosso País. Você é a pessoa mais importante do Brasil. Eu gostaria de agradecer não só a sua presença, mas de pedir a Deus que lhe conserve sempre assim, com essa humildade e com essa sua pureza de alma. Parabéns. (Palmas.)
O SR. EDSON ARANTES DO NASCIMENTO – Eu que agradeço.
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Queremos agradecer a presença do Cônsul da Espanha, Saturnino Ernando. Agradeço também a contribuição do Deputado Irineu Colombo, que encaminha a esta Mesa um relatório do que ocorre com o esporte no Estado do Paraná. Essa é a contribuição do Deputado , da Assembléia Legislativa do Estado.
Queremos pedir permissão a todos agora, se porventura alguém desejasse ainda usar da palavra, para que possamos ouvir o nosso convidado especial, que vem de longe. Ele vem especialmente para contribuir num momento de esperança de transformação do futebol brasileiro, que começa com uma legislação que tem a competência para estabelecer organização. No início desta reunião, fizemos a leitura do seu currículo. Com muito honra e alegria, passaremos a palavra ao Dr. Carlos Del Campo Colás, que é especialista em legislação esportiva. Acima de tudo, este é o nosso objetivo: discutir os caminhos para a modernização do futebol por meio de uma legislação competente. Nosso objetivo, Dr. Carlos, nesta hora, é recolher as suas sugestões, especialmente a partir da hipótese de alteração da legislação da Fifa que se anuncia, com a sua contribuição especialmente. A partir dessas alterações que serão aprovadas, provavelmente no mês de julho, gostaríamos da sua contribuição para que possamos, aqui, no Brasil, desde já, estudar também os caminhos de uma nova legislação. Concedo a palavra ao Dr. Carlos Del Campo Colás . (Palmas.)
O SR. CARLOS DEL CAMPO COLÁS – (Pronunciamento em espanhol)
(Palmas.)
O SR PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Agradecemos essa contribuição. Registramos, por intermédio das notas taquigráficas, as sugestões apresentadas pelo Dr. Carlos? Naturalmente, essas sugestões serão da maior valia no momento de elaborarmos a nossa proposta de legislação para o Brasil.
Lamentavelmente, o nosso Pelé vai ter que se retirar um pouco antes - daqui a dez ou quinze minutos -, em função do seu vôo, mas nós vamos prosseguir com o Dr. Carlos, deixando a palavra livre. Se desejarem fazer indagações, contamos com a presença de dirigentes de clubes, representantes de associações e ligas, crônica esportiva, e nós nos colocamos também à disposição.
Quero registrar também, com muita satisfação, a contribuição do comentarista Walmir Gomes, da CNT e da Rádio CBN, do Jornal Tribuna do Paraná. É uma contribuição que ele envia à Mesa, por escrito, e eu repasso também ao Relator, Senador Geraldo Althoff.
Quero chamar a atenção principalmente daqueles que nos acompanham pela TV Senado que a audiência pública é isso que nós estamos vendo. Não fosse assim, não seria audiência pública. Há pouco, o cidadão teve a oportunidade de chegar até o Pelé, entregar-lhe um documento e abraçá-lo. Aqui há, evidentemente, essa movimentação em torno de um ídolo, que é o Pelé, e eu não vou proibir que isso aconteça. Eu não posso proibir Dr. Carlos. Isso é audiência pública e, evidentemente, em uma audiência pública quem manda é o público. Não seríamos democratas se tentássemos impedir toda essa movimentação.
Enquanto isso, nós vamos passar a palavra ao nosso Deputado do Paraná.
O SR. ALGACI TÚLIO – Sr. Presidente, Senador Álvaro Dias, Senador Geraldo Altoff, nosso convidado especial, Presidente Hermas Brandão, nosso convidado especial, Dr. Carlos, e a figura magistral do Rei Pelé.
Sou um Deputado, um desportista e um atleta.
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) – Deputado Algaci Túlio, um momento.
Senhores, peço a compreensão dos amigos, que querem o autógrafo do Pelé, um pouco de paciência, porque daqui a pouco o Pelé terá que deixar este local. Mas, neste instante, eu pediria aos amigos que aqui se encontram que permitissem ao Deputado Algaci Túlio, para o qual dispensamos nossa atenção e respeito que S. Exª merece, se pronunciar.
O SR. ALGACI TÚLIO – Muito obrigado, Senador.
Tive a honra, como homem de imprensa, de entrevistar Pelé quando ele jogava futebol, aqui no Paraná, e poder ver o craque se emocionar e chorar quando marcava gol. Mas, hoje, também vi o homem chorar de indignação pela situação atual por que passa o País, especialmente nessa questão do esporte.
Sr. Presidente, eu não poderia deixar de fazer três perguntas, pelo menos, a esta CPI. Todos nós sabemos – até não sei, Senador, por que o Ministro do Esporte e Turismo* também não faz parte desta mesa hoje, evidentemente S. Exª deve ter feito parte dela em algum outro momento – que tivemos um Ministro de Esportes, que foi afastado de suas funções, era um Ministro deste Estado, o Paraná, e, parece-me, teve como conseqüência do seu afastamento a questão dos bingos, Pelé.
Acredito que muitas entidades e clubes usam seus nomes como fachada para que se explorem os bingos no País. E parece-me que a contrapartida desses bingos para o esporte, especialmente para o esporte amador, não acontece, ou, se está acontecendo, poucos sabem de que forma e para onde está indo essa verba destinada a incentivar o esporte amador. Eu gostaria que a CPI fizesse uma reflexão em cima desse tema, porque é extraordinariamente importante. Afinal de contas usam-se nomes de entidades filantrópicas, de times amadores de futebol, de federações e de associações e ninguém sabe de que forma essa verba chega a essas entidades amadoras? Espero e tenho certeza de que esta CPI irá se preocupar com essa questão.
A segunda colocação que faço aos membros da CPI diz respeito aos árbitros. Há pouco vimos aqui que sem o árbitro não há jogo de futebol, evidentemente. Não adianta querer operar o campo se não tiver o juiz, o árbitro, não é verdade? E o espetáculo só é bonito e completo quando o árbitro tem uma boa atuação. Enfim, tudo isso é uma somatória de fatos para que tenhamos belos espetáculos. E para termos grandes espetáculos em um estádio de futebol também temos que ter segurança, Pelé. Portanto, eu gostaria que esta Comissão fizesse uma outra reflexão: sabemos que o País vive um momento de muita violência em todas as áreas, especialmente no campo de futebol. Há a emoção da torcida, o fanatismo do torcedor, e aí sobra para a Polícia Militar efetuar as prisões, ou pelo menos minimizar as conturbações. Ora, se a televisão paga para o clube e para o atleta; se o juiz passa também a receber nesse evento, por que não receber também a Polícia Militar, ela que dá a segurança? Ela, que é tirada do dia-a-dia da periferia das cidades, onde, para fazer a segurança de um bairro, concentra-se até 100 policiais, dependendo da grandiosidade do espetáculo. Pergunto: o que é repassado para a segurança pública? Gostaria que se fizesse uma reflexão nesse sentido, porque hoje, evidentemente, o espetáculo esportivo é comercializado, está aí a prova; o Pelé disse: se a Rede Globo não entra para tomar posição nesse sentido, não se tem campeonato brasileiro, não há disputa. Quero que, nesse contexto, também se analise esse aspecto. Pode ser que, de repente, se obriguem os clubes, cada um que tem o seu estádio, em dia de jogo, a ter a sua própria segurança.
E por último, Pelé, um apelo a você, que é o nosso Embaixador. Você, que nos emocionou no vídeo. Quantos aqui não derramaram sequer uma lágrima quando você chorou de emoção ao falar no exemplo do seu pai! Queríamos fazer um apelo, Pelé, a você, nosso Embaixador; a você que supera o mandatário principal desta Nação, com todo respeito ao Presidente do País; a você que supera a figura do Senador que está ao seu lado; a você que supera a figura de pessoas extraordinárias que também contribuem, como nossos cientistas, para a melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro.
Passamos por um momento de grande insegurança em todo o País. Nunca se assistiu a tão grande violência como esta que está-nos castigando neste momento.
Sr. Presidente, sugiro a V. Exª que, quando tiver tempo disponível, percorra este País e converse com a juventude, que está descrente, não tem perspectiva de futuro.
O que será do jovem brasileiro? Aqueles que têm chance de chegar à universidade ou à faculdade, que passam no vestibular e concluem o curso, muitas vezes não têm depois perspectiva de sobreviver. E são esses que se dão menos mal. O que será do jovem da periferia, que não tem nenhuma perspectiva, cujo pai não teve qualificação profissional nem pôde dar ao filho a chance de estudar em uma escola melhor? As drogas tomam conta da periferia e das nossas escolas.
Pelé, sua imagem de atleta de porte físico extraordinário precisa ser utilizada. Não fosse pelo seu porte físico e por não ter-se contaminado usando drogas, não seria o Pelé que conhecemos, não teria formação física para suportar as pancadas que levava no campo de futebol nem impulso para sair do chão e cabecear bolas acima de zagueiros bem mais altos, como fazia. São esses exemplos que precisamos mostrar para a nossa juventude. Você foi um jovem saudável que precisa servir de exemplo para a nossa juventude, demonstrando que a droga não é o caminho.
A Presidência da República e o País deveriam utilizar figuras como o Pelé, o Zico, a figura do Ademir da Guia, que são craques, e também artistas globais que não têm se envolvido com o problema das drogas para servir de exemplo para a nossa juventude, que está desanimada, não acredita mais em ninguém.
Pelé, orgulho-me de poder um dia ter estado, em várias oportunidades, em locais onde compareceu. Espero que, como Embaixador, lute contra a violência e contra o uso da droga.
Muito obrigado. (Palmas)
O SR. EDSON ARANTES DO NASCIMENTO – Sr. Presidente, gostaria de comentar o assunto abordado pelo eminente Deputado.
Há trinta anos, ao fazer o milésimo gol, Pelé pediu atenção para os jovens brasileiros, para a escola e para o esporte brasileiro. Infelizmente, foi mal entendido por alguns jornalistas que disseram que estava fazendo demagogia, que o Pelé estava querendo utilizar crianças para aparecer na ocasião do seu milésimo gol.
Tenho certeza de que, se tivéssemos sido atentos para isso naquela época, não teríamos atualmente tantas crianças delinqüentes, tantos bandidos, porque duas gerações teriam sido assistidas. Mas nunca é tarde.
Ontem assinamos com o Presidente Fernando Henrique e com os Ministros do Esporte e Turismo e da Educação o projeto Esporte na Escola. Foi o pontapé inicial, passo muito importante. Venho tendo o cuidado de assumir posturas nesse sentido, mas infelizmente providências demoram.
Na época em que ocupei o Ministério Extraordinário dos Esportes, tentei fazer com que porcentagem do dinheiro do bingo e das loterias fosse transferida para o esporte de base, o que muitas vezes não é feito às claras. Empreendi uma luta muito grande.
Tenho certeza de que esta Comissão, os eminentes Senadores verão com carinho, cuidado e todo o respeito os fatos que deixamos para trás. Nunca será tarde para corrigir os erros.
Mais uma vez agradeço a oportunidade de me manifestar. Esta reunião deveria ter ocorrido em Brasília, mas penso que realmente tinha de ocorrer aqui. Agradeço a presença de todos. A única coisa que peço a Deus é que me dê forças para nunca decepcionar V. Exªs e todos os que acreditam em mim.
Peço licença para me retirar. (Palmas)
O SR. PRESIDENTE (Álvaro Dias) - Encerrarei esta reunião com essa palavra do Pelé. Teríamos ainda oportunidade de continuar discutindo, mas creio que devemos encerrar todas as reuniões sempre no ponto mais elevado. Estamos contrariando a prática desta CPI, pois sempre, ao final , o Senador Relator Geraldo Althoff apresenta as conclusões do encontro. Essas conclusões ficarão para outra oportunidade, Senador Geraldo Althoff, porque, neste momento, vamos agradecer a presença do Dr. Carlos Del Campo Colás e a presença de Edson Arantes do Nascimento.
Muito obrigado a todos pela presença e por prestigiarem este encontro da CPI do Futebol do Senado. (Palmas)
Muito obrigado.
Está encerrada a presente reunião.
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