26/07/04

 Arbitragem, discussão eterna
 

Você sabia que se o jogador de futebol tocar na baliza de escanteio o árbitro deve marcar tiro livre indireto? Bom, se a bola tocar e voltar para o campo, o jogo continua.
Por que esse preâmbulo? Para que possamos 'navegar' nas ondas da arbitragem, como no erro do árbitro Edílson Soares da Silva, ao validar gol inexistente de Dudu, do Cruzeiro, em jogo contra o Guarani, no Mineirão, no começo deste mês. A bola, chutada pelo atacante cruzeirense, resvalou em Marcelão, do Bugre, ia entrando mansamente até que o goleiro Jean, caído do lado de fora do campo, esticou o braço entre a rede e evitou que entrasse.
Pronto, eis aí mais um capítulo sobre arbitragem de futebol, recheada de histórias de gols irregulares, o principal deles feito com as "mãos de Deus", segundo Diego Maradona, na inesquecível vitória da seleção argentina contra a Inglaterra, por 2 a 1, na Copa do Mundo do México, em 1986.
Talvez você também não se recorde da cena repudiante do volante Dimas, do XV de Jaú (SP), ao retirar o cartão vermelho das mãos do árbitro paulista Antonio Carlos Saraiva, num jogo contra o Corinthians, e, braço direito erguido, teve a ousadia de mostrar o dito cujo ao árbitro.
Com o impensado gesto, Dimas, revoltado com a arbitragem, se juntou aos seus companheiros André e Níveo que haviam sido expulsos, em jogo de vitória corintiana por 2 a 0, no dia 9 de julho de 1986, no Estádio do Pacaembu.
Recordar confusão em arbitragem sem associar José de Assis Aragão é um erro imperdoável. Acreditem: Aragão é o único juiz artilheiro na história do futebol. No clássico Palmeiras e Santos, em 1983, o Peixe vencia por 2 a 1 até os 46 minutos do segundo tempo quando Jorginho, do Verdão, finalizou, a bola ganharia a linha de fundo, mas, de repente tocou na perna de José de Assis Aragão - posicionado rente a linha, a dois metros do poste direito do goleiro Marola, do Santos - e entrou no gol, logicamente validado. "Foi muito azar", ainda repete o juiz, hoje presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol, que na época passou pelo constrangimento de ter sido cumprimento por Jorginho.
Três anos antes, Aragão apitou a final do Campeonato Brasileiro entre Flamengo e Atlético-MG, num Maracanã com mais de 154 mil pagantes, e ficou marcado pela expulsão de Reinaldo, do Galo, caído em campo, com dores no músculo da perna, por suspeitar que o atacante estivesse fazendo cera. Há quem diga que Reinaldo teria xingado o juiz, fato que resultou no cartão vermelho, em jogo que o Flamengo ganhou por 3 a 2 e comemorou o título.
Pois bem, você tem conhecimento de algum árbitro que tenha dado cartão amarelo a algum jogador antes mesmo de iniciar uma partida? Se você não sabia, então fique sabendo que Francisco Jesuíno Araújo, o xerife Chicão, recebeu este cartão e o juiz do jogo entre São Paulo, do volante, e Palmeiras, era José de Assis Aragão, em 1976. Chicão se aproximou do juiz, antes da bola rolar, e disse: "Aragão, vê se apita direito essa porcaria"!
Por fim, o Guarani jamais esquecerá a perda do título brasileiro de 1986, com dose de culpa atribuída a José de Assis Aragão, que deixou de marcar pênalti claro de Wagner Basílio sobre João Paulo. Se Aragão tivesse apitado, o Guarani poderia, ali, acabar com o sonho são-paulino, que levou a taça.
Por Ariovaldo Izac

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