
Palavra do Presidente
Patrocínio no uniforme dos árbitros
16/03/2008
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Considerações: Já é uma prática no universo do futebol a exploração da imagem de atletas e árbitros, como veículos de publicidade de determinadas marcas. Para que essa atividade comercial seja exercida nos moldes da lei, a FIFA gerou quesitos legais para que todos atendam de uma maneira uniforme, em todo o planeta. Na Europa, podemos verificar nos jogos transmitidos dos principais campeonatos, que os árbitros são peças importantes no contexto. Temos notícias de países que utilizam dessa verba para proporcionar ao árbitro melhores condições de trabalho. Alguns instituíram pisos salariais para complementar a remuneração e, assim, chegar próximo à profissionalização tão esperada. Enfim, se dá um tratamento profissional à atividade da arbitragem. Muitos ficaram surpresos quando dissemos que nada ou quase nada reverte para o quadro de | ||||
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árbitros, no Brasil.
No Curso de Formação de Instrutores Fifa, na
cidade de Zurique-Suiça, ocasião em que eu e Antonio Pereira concluímos o
Curso de Habilitação de Instrutores Fifa , pudemos discutir, naquela
ocasião, com dirigentes-Instrutores de vários países , pois lá se
encontravam vários Instrutores que são Presidentes de Comissão Nacional de
Árbitros, a temática da propaganda nos uniformes dos árbitros.
Muitos ficaram surpresos quando dissemos
que nada ou quase nada reverte para o quadro de árbitros, no Brasil.
(Isto é pura realidade e afirmo aqui sem medo de errar. Quem tiver argumento contrário, com fatos e dados, o espaço na página da Anaf estará sempre aberto.) Apenas um exemplo para ilustrar: em alguns Países, caso o árbitro se lesione e não possa atuar, há um pró-labore mensal, para que o árbitro não fique completamente desamparado. Não podemos esquecer que aqui no Brasil, no caso de lesão, o árbitro além de não perceber as taxas por não trabalhar, ainda tem que arcar com despesas médicas, fisioterápicas, medicamentosas, etc. Todo esse aparato para se recuperar e voltar a trabalhar para o bem do futebol, do qual todos só esperam o resultado. Os meios para se chegar a isso, são ignorados na essência. Esta é apenas uma situação dentre muitas outras que podem ocorrer durante uma carreira de muitos anos. Ser profissional é isso. Não é só o árbitro sobreviver da arbitragem, como muitos aspiram. Parece que estou falando em coisa do outro mundo. Pode ser. Mas de um mundo sério, objetivo. Nada disso é impossível no nosso País que tem o melhor futebol do mundo, conseqüentemente, os melhores árbitros também. Basta alguém encarar de frente esse problema. Esta noite perdi o sono, pensando em tudo isso. Acordei com o objetivo de transformar essa realidade. Não sei se vou conseguir, mas vou tentar até o último dia do mandato. Hoje, o que temos. Vamos tratar com os dados que dispomos . Os árbitros brasileiros, para atuar nos três níveis do Campeonato Brasileiro, campeonato este que é transmitido para, aproximadamente, 140 países, recebem por ano os uniformes da marca Penalty e a Comissão Nacional tem a cessão de 20 passagens aéreas durante o ano em curso, além da edição de um livro de regras a cada dois anos. Não vimos ainda, mas parecem ser esses os termos do Contrato em vigor, s.m.j. Muito bem, entendemos que precisamos nos ater aos termos contratuais, para que nesta atividade em que se utiliza a figura do árbitro como meio de divulgação, as ações sejam revestidas de direitos e obrigações por ambas as partes. Neste quesito, a FIFA preocupada com a distinção entre Patrocinador e a marca da empresa que cede os uniformes, estabelece critérios específicos para tal atividade, ordenando tamanho da logomarca, local para utilização no uniforme, etc. Em 2007, ainda aguardando decisão judicial para assumir a Anaf, estive em São Paulo no dia do teste físico da Fifa. Naquela ocasião, um senhor que representa os interesses da |
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| todos os locais possíveis e imaginários. Além, e isto é o mais grave, do tamanho da logo estampada nas costas, local em que as câmeras de TV focalizam tanto árbitros, quanto assistentes, e quartos árbitros. Tudo isto desrespeitando os limites estabelecidos pela FIFA. Apresentou, ainda, para ser utilizado pelas nossas árbitras, o tão proibido "macaquinho" (foto abaixo). | |||||
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sejam tratados como amadores, que se dá
um jogo de camisa e uma bola e todos ficam felizes da vida. Acabou o tempo do árbitro não ter
reconhecida a sua importância para o futebol. Se depender de mim está luta
será diuturna. Só para ilustrar. O Corinthians fechou
um contrato de 35 milhões de reais no inicio do campeonato com o seu
patrocinador. O Palmeiras, alguma coisa em torno dos
40 milhões. E por aí vai. O "time" dos árbitros conta com 350
"jogadores" jogando em todas as partidas, durante o ano todo, em três
séries do campeonato. Comparemos estes dados com a atuação de equipes que
jogam com 11 em apenas uma série.
Penso no fortalecimento dos Sindicatos,
aqueles que dão, verdadeiramente, o suporte aos árbitros na sua origem.
Muitos pelo Brasil afora não podem sequer entrar na Internet por falta de
computadores. Presidentes que fazem de um limão uma limonada para não
fechar as portas. Este é o retrato de quem trabalha com afinco e
compromisso com a causa que abraça. Cego é aquele que não quer enxergar. Aqueles que não aceitam comparações, não conhecem (ou não querem conhecer) a importância do árbitro no contexto de um campeonato como o Brasileiro. É hora de acordar desse sono profundo. Os árbitros brasileiros não devem mais se satisfazer com migalhas que lhes são atiradas pelo caminho. Andamos com o pires na mão, como desvalidos. Se a gente não se dá valor, quem dará? Só para reflexão: Imagine o quanto se perderia em dinheiro de patrocinadores, televisão, prestadores de serviço, etc, se uma rodada, uma somente, do campeonato brasileiro não se realizar por falta de árbitros. Agora tem timemania para ajudar financeiramente as equipes que sonegaram impostos. Quando se fez alguma coisa para se fortalecer a atividade de arbitragem? Enquanto a gente assiste o Pelé fazendo propaganda para ajudar quem não cumpriu com a lei, ouvimos também dele que os árbitros brasileiros são despreparados, dentre outras asneiras mais. É triste, mas é a realidade. Gente, precisamos acordar antes que seja tarde demais ou que sejamos enterrados vivos. Todos esses quesitos aqui declinados, já foram, por mim, apresentados à Comissão Nacional para providências. Jorge Paulo de Oliveira Gomes Presidente da Anaf |
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