Profissionalização

A profissionalização é apontada por muitos do ramo como a saída para elevar o nível técnico da arbitragem brasileira. Um dos defensores da tese é o mineiro Lincoln Afonso Bicalho. “Com a profissionalização, os erros diminuiriam, pois os árbitros teriam condições de fazer mais treinamentos e mais tempo destinado a estudo.”

 

Já Sérgio Corrêa apresenta outra idéia. “Não tem como bancarmos uma profissionalização. Tenho uma sugestão de criar uma cooperativa, pois tiraria das entidades a responsabilidade dos encargos trabalhistas. Nas taxas de arbitragem, estão embutidos 13º salário, Fundo de Garantia, INSS... Haveria uma economia para as próprias federações. E são os árbitros que vão gerir a carreira deles. É o grande segredo. Não tem outro caminho.”

 

O presidente da Conaf reconhece a disparidade entre a arbitragem e os demais setores do futebol. “Estamos falando de um futebol extremamente profissional, com árbitros extremamente amadores.

 Há equipes que investem em torno de R$ 100 milhões por ano, e um árbitro não pode apenas ter conhecimento da sua função. É pouco. Temos de melhorar, principalmente, a formação”, diz, sem isentar os próprios juízes de responsabilidade pela falta de maior preparação: “É preciso mais treino prático. Eles têm de arrumar tempo, não podem usar isso como desculpa. Como se dispuseram a ser árbitros, precisam se dedicar”.

Exemplo

 

 Lincoln encontrou uma forma de tentar minimizar as falhas em âmbito estadual. Depois de cada rodada do Campeonato Mineiro, é feita uma reciclagem: “Pego todos os lances e passo o vídeo, numa sala de reunião, com todos os árbitros. Os acertos e erros de um servem para todos. No Campeonato Brasileiro, é complicado, fica difícil reunir os árbitros. Para a próxima temporada, vamos continuar com a reciclagem em Minas e fazer até mais treinos”.

 

Ele já planeja a pré-temporada para os juízes mineiros. Serão quatro dias, a começar com avaliação física, em BH. Todos seguirão então para outra cidade, para iniciar atividades técnicas, psicológicas, estudo de regras e treinos. “Ainda estamos aguardando retorno de algumas cidades interessadas em receber essa preparação dos árbitros.”

Fonte: Kelen Cristina - Estado de Minas

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