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"No trem milionário do futebol o árbitro ocupa o último vagão"
Para Carlos Alarcón a arbitragem deveria ter um maior investimento por parte das associações nacionais e autoridades esportivas.
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O paraguaio Carlos Alarcón é presidente da comissão de árbitros da Confederação Sul- Americana de Futebol (CONMEBOL) membro da comissão de árbitros da FIFA e também instrutor da FIFA. Esteve no Rio Grande do Sul no período em que foi realizado o Campeonato Sul-Americano de Seleções Sub-15, no mês de novembro, ocasião em que falou com exclusividade ao Marca da Cal. Confira suas opiniões sobre assuntos envolvendo a arbitragem de futebol. Ele conta que "na Europa o futebol é jogado com mais força, mas é menos mal-intencionado. Já uma partida sul-americana é mais difícil de conduzir. Isso tem sido |
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Carlos Alarcón, presidente da comissão de árbitros da CONMEBOL |
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demonstrado pelos grandes árbitros europeus que têm vindo apitar as
eliminatórias sul-americanas e não obtêm aqui o mesmo êxito que
têm na Europa. Os árbitros sul-americanos geralmente entram no meio dos
jogadores, separam, atuam como um árbitro de boxe. Já o árbitro europeu
raramente apela para este comportamento. É mais tranqüilo, às vezes,
adverte ou expulsa alguém e resolve o problema". O caminho certo "Neste momento a FIFA tem um programa muito interessante, qual seja profissionalizar todo o entorno da arbitragem. No plano, a FIFA pagaria diretamente os instrutores profissionais em cada país. Existe um longo percurso ainda, é um programa que esperamos que aconteça e que possamos fazer alguma coisa. É o caminho certo a seguir, mas existem muitos problemas a superar, questões não apenas econômicas, mas problemas com as próprias associações, que nem sempre aceitam as mudanças". A presença feminina "Eu sou a favor da presença da mulher no futebol, mas pela experiência negativa que tivemos aqui na América do Sul, as mulheres devem estar no futebol feminino e os homens no futebol masculino. Esta é a postura da comissão da CONMEBOL. Nós fizemos experiências de misturar mulheres com homens no futebol masculino e o nível de instrução, de preparação, enfim, a experiência da mulher ficou muito abaixo dos homens ". A formação do árbitro Tropeçamos hoje no seguinte problema: os árbitros devem iniciar com 18-20 anos na arbitragem. Então estão num nível secundário. Estes árbitros devem continuar suas carreiras universitárias, para que tenhamos gente mais preparada intelectualmente. Hoje em dia a arbitragem tornou-se muito complexa. Precisamos abrir mais o panorama, não apenas ensinar regras de jogo, mas ensinar a viver em sociedade, com a hierarquia e com desenvoltura para poder falar com os meios de comunicação. A FIFA proíbe declarações dos árbitros, mas nós, ocasionalmente, quando sabemos que o árbitro tem um bom nível intelectual, autorizamos que faça uma entrevista. Porque sabemos que vai saber do quê falar e do quê não falar. Mas o que não sabe fala asneiras, por isso necessitamos de um nível intelectual maior". Relações com a mídia "A imprensa é muito dura na América do Sul. Excessivamente exigente. Sabemos que o ser humano não pode acertar sempre quando existe uma diferença de 5 ou 10 cm num caso de impedimento, por exemplo. No entanto na TV congela-se a jogada e falam 10cm, 15cm, com auxílio do computador. Isso conspira contra a formação dos árbitros. Um erro no domingo dura toda a semana e até meses. Nem todos suportam esta pressão. Um mundo milionário "Ocupamos o último vagão do trem. Quem menos recebe de todo o dinheiro que gira ao redor do futebol, é o árbitro. Vai muito para os jogadores, às transferências, às seleções, às organizações, aos corpos técnicos, mas o último a ser lembrado é o profissional da arbitragem. Pela importância que tem dentro da estrutura do futebol, a arbitragem deveria ter um maior investimento por parte das associações nacionais e das autoridades esportivas". O sorteio inibe o aproveitamento dos melhores Na entrevista, Carlos Alarcón falou que a função primordial da Comissão de Arbitragem da CONMEBOL é proceder a escala dos árbitros para todos os torneios da América do Sul, controlar e assistir estas competições. Apesar de não ser uma das suas funções, hoje a CONMEBOL também está atuando na formação dos árbitros. Isto acontece, segundo Alarcón, porque a maioria dos árbitros ingressa na lista da FIFA sem estar preparados. Ele revelou que atualmente a FIFA busca unificar os padrões de arbitragem em todo o mundo, tendo elaborado, para este fim, um farto material de ensino. No entanto, reclama que a maior parte destas informações fica nas associações nacionais. "Os árbitros não recebem esses ensinamentos, então somos nós, da Comissão, que estamos divulgando este material", constata. Alarcón também criticou os sorteios de arbitragem, sistema utilizado em 50% dos países da América Latina, que na sua opinião não permitem o seguimento da qualidade do árbitro. "O árbitro, como o jogador também tem sua fase. Se ele está num momento bom, é preciso aproveitar e escalá-lo para um número maior de jogos. O sorteio muitas vezes impede isto, que o melhor seja aproveitado um maior número de vezes e nos melhores jogos", avaliou Carlos Alarcón com a sua vasta experiência no assunto. Fonte: Marca da Cal - Jornal do Sindicato dos Árbitros de Futebol do Rio Grande do Sul |
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