ANAF : Associação Nacional dos Árbitros de Futebol

 

ANA PAULA OLIVEIRA

 

Desde tempos imemoriais, homens freqüentam estádios ou toleram o Galvão na esperança de apreciar craques e gols. Uma paulistana de 27 anos está dando à tigrada mais um motivo para não abandonar os gramados. Agora, torcedor que é torcedor mantém um olho na bola e o outro na bela. Ana Paula, a bandeirinha, virou unanimidade. Todos a consideram perfeita - e não apenas pelas virtudes técnicas. Num recente grenal, por exemplo, conseguiu unir rivais históricos em um coro improvável, que estremeceu as arquibancadas do olímpico: "Aninha, cadê você? / eu vim aqui só pra te ver!". Solteira, sem namorado, ela agradece a devoção e retribui, demonstrando na VIP que o futebol é mesmo uma caixinha de surpresas

ANTES DE ENTRAR EM CAMPO, VOCÊ SEGUE ALGUM RITUAL?    Ana - Sigo, claro. Primeiro, telefono para minha mãe e lhe peço uma bênção. Depois, sozinha no vestiário, procuro orar o Salmo 23e o Pai-Nosso. Dou mais um tempinho e, já com a equipe de arbitragem, rezo outro Pai-Nossoe uma Ave-Maria.

SALMO 23?
Ana - Correto. Conheço-o de cor: "O Senhor é meu pastor..." Também conheço os salmos 46, 47, 91, 150... O Gênesis, o Apocalipse...
 
MENTIRA!
Ana - Verdade! Como minha família é adventista, cresci sob rígida disciplina religiosa. Estudei a Bíbliadurante seis anos, cantei no coral da igreja e sonhei me tornar pastora. Mas, em 1997, abandonei tudo.
 
POR QUÊ?
Ana - Motivos pessoais. Conservo, no entanto, a minha fé.
 
FORA AS ORAÇÕES, VOCÊ...
Ana - Peraí que não acabou. Mal ponho os pés no gramado, faço o sinal da cruz. Em seguida, debaixo de um dos gols, me concentro e peço: "Meu Deus, se por ventura houver um lance difícil, permitame tomar a decisão mais adequada". Só então me considero pronta para o jogo.
 
NO ESTÁDIO, VOCÊ SEMPRE USA RABO-DE-CAVALO?
Ana - Por praticidade. Os cabelos soltos me atrapalham.
 
VOCÊ SE EMBELEZA PARA ENTRAR EM CAMPO?
Ana - Lógico! Passo perfume (Boticário ou Dolce & Gabbana), rímel e batom (cor de vinho, cobre ou bronze). Também pinto as unhas e coloco uns brincos pequenos. Sou bandeirinha, mas não deixei de ser mulher.
 
QUE TIPO DE LINGERIE VOCÊ VESTE ANTES DAS PARTIDAS?
Ana - Lingerie preta. Sem exceção.
 
JÁ RECEBEU CANTADA DE TORCEDOR?
Ana - Minha relação com os torcedores é engraçadíssima. Às vezes, um deles me xinga durante os 90 minutos. Depois, aparece na porta do vestiário e quer uma foto, um autógrafo. "Vi você me xingando", provoco. E o fulano: "Pô, Aninha, desculpe. Jogo é jogo. Longe do gramado, a gente te adora".
 
VOCÊ NÃO RESPONDEU: OS TORCEDORES COSTUMAM CANTÁ-LA?
Ana - Um ou outro. Há quem me passe o telefone e pergunte: "Tenho chance?" Há quem me dê presentes...
 
QUE PRESENTES? 
Ana - Flores, chocolate, cestas de frutas. Ou coisas mais caras: uma vez, ganhei um crucifixo de ouro branco, cravejado de brilhantes. Em 2004, um fã de São Paulo mandou fazer uma porção de cartões vermelhos e amarelos com o meu nome.
 
VOCÊ ACEITA OS REGALITOS?
Ana - Sim, por educação.
 
E DOS JOGADORES, JÁ RECEBEU CANTADAS?
Ana - Que me lembre, numa única ocasião. Antes do jogo, um atleta se aproximou, parou diante de mim e disse: "Puxa, professora, você é tudo aquilo que as pessoas comentam!" Eu apenas agradeci. 
 
QUAL O NOME DO FOLGADO?
Ana - Sabe que não me recordo? (risos)
 
REVELA, PÔ!
Ana - Besteira... Em geral, os jogadores me respeitam bastante. Não vêm com gracinhas nem ofensas.
 
VOCÊ REPARA FISICAMENTE NOS ATLETAS?
Ana - Enquanto estou trabalhando, não. Fico tão concentrada que deixo de enxergá-los como homens.
 
E QUANDO SAI DE CAMPO?
Ana - Reparo em alguns.
 
POR EXEMPLO?
Ana - Acho o Cicinho e o Lugano, do São Paulo, interessantes. Também gosto do Kaká, do Figo, do Beckham e... do Raí! Nossa Senhora, esse é um deus grego! Pena que, quando cheguei à primeira divisão, ele não jogasse mais.
 
ENTRE OS ÁRBITROS, QUAL VOCÊ ADMIRA?
Ana - Fácil: o Collina (Pierluigi Collina, o carecão italiano). O cara tem competência e carisma. Consegue o respeito dos atletas sem abdicar de sorrir. Abriu mão do autoritarismo, daquele papo de que juiz não cumprimenta ninguém, não fala bom-dia nem boa-noite. Quando crescer, quero ser como o Collina: suaaaaave.

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Fonte: Revista VIP - por Armando Antenore, fotos: Priscila Prade

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