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O EMBAIXADOR DA ARBITRAGEM BRASILEIRA
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Ex-Presidente do SAFESP-Sindicato dos Árbitros de Futebol do Estado de São Paulo em três oportunidades, eleito e reeleito por aclamação em todas elas, José de Assis Aragão é o atual Presidente da ANAF(Associação Nacional dos Árbitros) e Diretor do Estádio Municipal do Pacaembu. A seguir reproduzimos uma reportagem ocorrida em 20/05/00. “O Curriculum-vitae do último dos moicanos” Pessoal... José de Assis Aragão, 60 anos, bacharel em direito, aposentado da bolsa de valores. Dirigente Sindical... Participou da fundação da Entidade em 09/04/81 e foi seu primeiro presidente no período de 07/08/81 a 06/12/84. Retornou em 07/03/97 e foi reeleito em 21/01/00 para mais um triênio. Árbitro Internacional... Foram 25 anos de arbitragem, 14 como árbitro da FIFA. |
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José de Assis Aragão |
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As Principais Finais que participou: Campeonato Brasileiro: 01/06/80 – Flamengo 3x2 Atlético; 25/02/87 – Guarani 3x3 São Paulo; e 13/12/87 – Flamengo 1x0 Internacional; Campeonato Paulista: 82, 84 e 89. Copa do Brasil: 1989. Atuou, ainda, em finais de todos os Estados brasileiros, além de ter sido contratado das Federações Mineira e Baiana. Nos 14 anos em que integrou os Quadros da FIFA, viajou pelo mundo, conhecendo diversos países, como se segue: América Latina (todos); além de Itália e a China. Analista de Arbitragem... No ano de 1998 e 1999 foi contratado pela Rádio Bandeirantes, com objetivo de analisar arbitragens do campeonato brasileiro e da Copa do Brasil. Comissão de Arbitragem... integrou a Comissão de Arbitragem do importante Torneio Rio – São Paulo de 1998 a 2000. Revelações: Em 1999, junto com Daniel Pomeroy lançou algumas promessas da arbitragem, oportunidade em que apareceram: Sálvio Spinola (SP), Romildo Correia (SP) e Álvaro Quelhas (RJ) tiveram suas carreiras impulsionadas. Em 2000, foram lançados vários árbitros, dos quais destacamos: Wagner Tardelli (hoje árbitro da Fifa-RJ), Luis Marcelo Vicentin Cansian (SP), entre outros. Técnico de Futebol... Como técnico dirigiu as equipes do Nacional, São José, São Caetano, Araçatuba e União de Mogi, além de ser auxiliar-técnico na equipe da Portuguesa. Comitê Executivo da FPF... Foi eleito – por unanimidade – para integrar o Comitê Executivo da FPF, com mandato até 2001. O citado órgão executivo tem poderes sobre todas as competições esportivas do Estado de São Paulo. Sem dúvida, nenhuma um dos expoentes da arbitragem internacional, brasileira e – principalmente – paulista. Veja a seguir os principais trechos de sua entrevista de quase três horas. |
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ENTREVISTA ESPECIAL Conte-nos algo sobre o seu primeiro mandato e as dificuldades da época. Aragão: As dificuldades foram enormes, pois o primeiro mandato serviu para organizarmos toda parte administrativa. Quando o SAFESP nasceu (Abril de 1981) não havia verba alguma. Todos as despesas foram rateadas entre os abnegados da época. E como vivíamos no regime militar, imagina o que a palavra Sindicato significava? Homens “tremiam” só de falar o nome, mas superamos tudo e todos os ventos contrários... Fale de sua carreira de treinador. Quais equipes dirigiu. Qual a melhor campanha. |
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Aragão com Autoridades Política e Esportivas |
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Aragão: Em 1992, fui auxiliar técnico na A. Portuguesa de Desportos. Em 1993, comecei a treinar a equipe do Nacional e, a partir daí consegui dirigir grandes equipes do futebol paulista. Na época, consegui evitar o rebaixamento da equipe do São Caetano para a série A-3. Após ter sido treinador, se pudesse voltar a apitar o que não faria e o que faria de novo Aragão: Boa pergunta. Após cinco anos dirigindo diversas equipes, iria ser ainda mais rigoroso, pois o jogador de futebol – a todo momento – testa a autoridade do árbitro e aquele que é “fraco” disciplinarmente “mata” uma partida. Porém muitas atitudes minhas seriam alteradas. Por que resolveu voltar a se candidatar em 1996? Aragão: O Sindicato estava com sua sede penhorada. Os candidatos em potencial se reuniram e, após seis reuniões, os que aspiravam a presidência abdicaram da vontade. Nasceu a Chapa “União 96”, cujo principal objetivo era resgatar o diálogo perdido com a presidência da FPF. Os problemas foram resolvidos? Aragão: Sim. Quando assumi, em 07/03/97, o Sindicato saldou sua dividas junto Poder Judiciário, graças ao Dr. Eduardo José Farah que colocou em discussão o assunto e os 16 presidentes das equipes da Série A1 (1997), se sensibilizaram e doaram pequena quantia para resgatarmos a Sede Social. Até hoje ouço que não deveríamos aceitar, mas qual a alternativa? Quem ajudaria a pagar tal conta? Faça um resumo das dificuldades do último mandato. Aragão: Foram muitas. A pior foi ter que reorganizar a Entidade. Cumprimos todos os nossos compromissos e estamos atuando conforme determina a Legislação. Quanto as demais dificuldades foram superada com muito trabalho. As contas foram aprovadas? Aragão: O conselho fiscal aprovou nossas contas de 1997, 1998 e 1999 e o parecer foi submetido às Assembléias Ordinárias que ratificaram a decisão do referido conselho, brilhantemente presidido pelo Joel Teixeira Caíres, conhecido como cri-cri pela forma como verifica tudo. O Código de Ética funcionou? Aragão: toda mudança gera expectativas positivas e negativas. O Código de Ética foi aprovado em 25/09/97, homologado em AGE e está em pleno vigor. O primeiro conselho de ética foi composto pelo saudoso Carlos Russo Bacchelli, Nivaldo Camargo de Moraes e Roberto Perassi. Os associados Dionísio R. Domingos e Sálvio Spinola participaram das reuniões para aprovação do documento preparado pelo incansável Sérgio Corrêa. Os casos foram julgados e as medidas disciplinares foram tomadas. O de maior repercussão foi a de um árbitro da primeira divisão, hoje árbitro da Fifa que, num gesto de humildade se desculpou e foi repreendido. Sem dúvida, foi uma das boas coisas que ocorreram na Entidade. Que outros benefícios o Sindicato proporciona ao Associado? Aragão: Infelizmente por problemas de falta de relacionamento com a presidência da FPF, a administração anterior perdeu uma verba destinada ao Fundo de Assistência. Se não me engano, quase R$ 600.000,00 (seiscentos mil reais) foram devolvidos aos clubes. Ao assumirmos buscamos alternativas e por sugestão do eficiente secretário-geral, sugerimos que dos 3% oriundos das taxas de arbitragem, 1/3 fossem destinados a um fundo. Ou seja, o dinheiro da contribuição retorna em benefícios aos associados. O árbitro está amparado juridicamente? Aragão: Sim. O Departamento Jurídico era composto pelos Drs. Márcio Campos Salles e Benedito Martinho que cuidavam da área esportiva. Na época vários casos foram atendidos e destacamos os seguintes: Luis Henrique Ramos da Silva, Ricardo Luís de Camargo (hoje em Alagoas); Kleber José de Mello e o nosso vice-presidente Sérgio Corrêa que, infelizmente, acabou punido com 90 dias de suspensão. Tínhamos, ainda, o Dr. Aparecido Inácio, responsável pela legalidade de nossa documentação na Secretaria de Relações do Trabalho (Distrito Federal), que durante alguns anos prestou assessoria na área sindical. Reparem que a contratação destes profissionais gera despesa. Novamente é a contribuição do associado voltando em benefício e isso acaba diluído no corrido dia a dia dos árbitros. A Entidade tem obrigação de proporcionar toda a retaguarda possível e prevista no Estatuto Social. É verdade que diretor se beneficia das escalas da FPF ou do SAFESP? Aragão: Uma lenda. Temos exemplos na Entidade de diretores que não foram beneficiados com mais escalas na FPF. Não preciso nem citar nomes. Quem acompanha a divulgação das Estatísticas poderá aferir que isso não existe. No SAFESP a história é outra. Exigir que a dedicação oferecida, impeça que – eventualmente – os diretores trabalhem é uma injustiça. As pessoas não podem exigir isso, pois os diretores, como todos os árbitros, têm suas obrigações profissionais e, em suas horas de lazer, comparecem a Entidade, respondem por suas funções graciosamente, portanto nada mais justo do que eles também atuem. Detalhe: Um escala não deixa de ser mais uma atividade. É muito sacrifício... Houve necessidade de utilizar verba do Fundo? Aragão: Tivemos o cuidado de regulamentar todas as nossas atividades. Além da obrigação de obedecê-los, temos que ter em mente que a verba pertence aos associados, portanto a responsabilidade é dobrada. Todo o associado, em dia com suas contribuições, se necessitar e estiver enquadrado poderá requerer o auxílio e após análise da Diretoria do Fundo, será atendido ou não. Quanto a pergunta feita, a resposta é sim, porém existe uma máxima que diz “o que a mão direita dá, a esquerda não deve saber.” |
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Dentro da área social. O que o SAFESP fez? Aragão: Tudo foi feito com os “pés no chão”, pois dinheiro não “cai do céu”. O objetivo da atual administração e da maioria dos associados era mudar para uma sede maior. O sonho foi realizado. Na área social, sempre realizamos: festa para os aniversariantes, bailes comemorativos e grandes festas de final de ano e tudo sem gastar recursos financeiros da Entidade. Firmamos, ainda, vários convênios para nossos associados. Como resolver a falta de pagamento das taxas de arbitragem em alguns jogos.... Aragão: Quando assumimos, conseguimos receber todas as taxas de 1996. Atualmente, graças ao bom entendimento com a administração da FPF, no dia seguinte ao jogo em que o trio não recebe suas taxas, oficiamos ao Tribunal de Justiça Desportiva e, após o julgadas e apenadas, as equipes são obrigadas a saldar seus débitos. Vantagem para o associado: não existe desgaste, evita cobrança ao |
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Aragão com autoridades política e esportiva em Brasília |
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Departamento de Árbitros e o controle fica com nossa Entidade. Quando a verba chega, depositamos na conta corrente do árbitro. Existe um caso que gostaria de contar. Um árbitro, depois de algumas semanas ligou muito “bravo” queria saber como andava o processo de uma taxa não recebida. Quando informado que já havia sido depositado em sua conta corrente, ficou surpreso e agradecido. Voltando ao assunto, algo que está “pegando” é o fato dos dirigentes terem se acostumado a aguardar a ajuda financeira dada pela FPF. Deixam de saldar seus compromissos por falta de planejamento. Solicitamos aos associados a costumeira paciência, pois estamos estudando uma maneira de resolver o impasse. Apesar de recebermos diversas sugestões, existem entraves jurídicos a serem estudados. Tendo em vista que a FPF – de forma pioneira – paga cotas às equipes até a última Divisão, não seria possível a taxa de arbitragem ser repassada ao SAFESP e este, por sua vez, pagaria o árbitro no prazo de sete dias? Aragão: Realmente isso poderia ocorrer, mas como disse, existem problemas jurídicos que impedem a colocação em prática da idéia. Se fosse possível, com certeza, já estaria sendo aplicado. Nem tudo que desejamos é permitido pela legislação. Lei Pelé é um assunto interessante. O que a mesma reserva para as Entidades de Classe? Aragão. Um assunto que deu muito trabalho. Após ajudarmos na fundação da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol (ANAF), em 25 de outubro de 1997, tive a oportunidade de participar da comitiva formada por Armando Marques, Márcio Rezende de Freitas e Jorge dos Santos Travassos, foi à Brasília dialogar com os parlamentares. Durante cinco horas respondemos diversas questões levantadas pelos deputados federais Convencemos os parlamentares a alterar a proposta apresentada pelo Ministério dos Esportes. A palavra Empresas de Arbitragem foi trocada por Entidades de Classe Nacionais e Estaduais. Uma vitória que impediu que os árbitros ficassem a mercê de empresários que só visam lucros. As empresas devem ficar atentas a lei. Gostaria, ainda, de lembrar que o Sérgio Corrêa, secretário-geral da ANAF foi um dos responsáveis pela preparação da documentação enviada ao Congresso Nacional e que foi alvo de elogios na ocasião. E a profissionalização? Aragão: O projeto de lei 4252/93 que regulamenta a atividade do Árbitro de Futebol estava sendo arquivado, o que não ocorreu graças ao empenho dos dirigentes da ANAF e das Entidades de Classe. Atualmente o projeto está sendo estudado pelo advogados da União e, quem sabe, até o final de junho o Exmo. Sr. Relator, deputado Ciro Nogueira (Piauí) enviará o projeto para plenário para votação. Caso isso não ocorra, os árbitros nunca mais devem falar sobre profissionalização. Quem são nossos indicados no Tribunal e como foi feita a escolha? Aragão: Com a “Lei Pelé” tivemos que indicar dois advogados para o Tribunal de Justiça Desportiva. Enviamos uma lista com cinco nomes, foram escolhidos o Dr. Cunha e a Dra. Sonia. Esta foi a primeira mulher a vir a integrar um Tribunal. Como funciona o Quadro de Árbitros do SAFESP? Aragão: Temos uma comissão nomeada que durante o ano designa os árbitros para os mais variados campeonatos de futebol amador da capital e do interior. No Jornal de Apito de Junho, foi divulgado os números (até Abril/99). O DA escalou cerca de 300 árbitros, atendendo a 14 campeonatos e mais de 1.000 jogos. Como disse anteriormente, os diretores escalam, preparam a documentação para que os árbitros e assistentes possam receber as taxas; participam de reuniões com os departamentos de futebol dos clubes; ouvem as broncas dos organizadores; observam alguns jogos e quando trabalham em alguns jogos, ainda reclamam. O que a Comissão fez para os árbitros não federados? Aragão: pelo terceiro ano consecutivo realizamos o Simpósio de Atualização. Muitos palestrantes de reconhecida capacidade passaram seus conhecimentos aos associados. Nos três eventos, contamos com quase 1.200 árbitros participantes. Fale sobre a Escola de Árbitros do SAFESP. Aragão: Um trabalho muito bem elaborado pelos diretores da Escola de Árbitros. Diversos cursos foram e continuarão a serem realizados na Sede Social e no Interior. O Estado de São Paulo possui mais de 600 municípios e em cada um deles temos competições amadoras sendo realizadas que exigem a presença de árbitros. Qual o motivo do nome da Escola recair sobre uma pessoa viva? Aragão: Realmente foi uma decisão polêmica, pelo fato do escolhido estar vivo. Entendemos que toda e qualquer homenagem deva ser feita em vida. O Armando Marques, após o triste episódio do “Escândalo do Apito”, em 1997, conseguiu resgatar a credibilidade da arbitragem brasileira. Agora, a escolha do nome se deu em função da sua biografia como árbitro de futebol. O Armando apóia As Entidades de Classe? Aragão: Falem o que quiserem do Armando, mas é um dos poucos que pensam na UNIÃO da arbitragem brasileira. Foi um dos incentivadores pela fundação da Associação Nacional, foi à Bahia e a Aracaju dizer isso publicamente aos árbitros. Todos os árbitros do quadro nacional que participaram de suas palestras via Embratel já ouviram do apoio a ANAF e da necessidade de estarmos congregados. O que o SAFESP conseguiu para os árbitros paulistas Aragão: Em 1997, quando foi aprovado em uma Assembléia Geral o pagamento de um percentual sobre as taxas de arbitragem, acertamos com o Dr. Eduardo José Farah um aumento de 10% nas taxas de arbitragem, portanto superior ao da inflação do ano de 1996 (aprox. 7%). Ou seja, o desconto não atingiu o bolso do árbitro. Em 1998 e 1999 os árbitros tiveram aumento em suas taxas de arbitragem, acima dos índices previstos. Um detalhe que deve ser sempre lembrado: o árbitro paulista recebe uma das maiores taxas do mundo. |
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A vinda de árbitros de outros Estados e/ou países não é um problema? Aragão: Sim. Porém, quem leu com atenção a palavra do presidente Eduardo José Farah na edição de Maio/99, relembrou que a vinda de árbitros de outros Estados e/ou países não é um fato novo, pois remonta da década de 40. Durante os anos de 1997 e 1998 dialoguei muito com os presidentes das Comissões (Seraphim Del Grande e Renato Duprat). Eles entenderam e, em 1999, das 172 partidas da Série A1, apenas em 2 delas tivemos árbitros de fora (o gaúcho Simon e o alemão Heynemann). Outra ajuda considerável foi do presidente da Comissão Nacional, Armando Marques que ao baixar uma determinação dizendo que o árbitro de outro Estado que atuasse regularmente em São Paulo, passaria a integrar o nosso Quadro e, como conseqüência, deixaria de apitar jogos dos paulistas no próximo Campeonato Brasileiro. Como São Paulo têm muitas equipes na Série A, acho que os árbitros foram inteligentes... |
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Aragão com Teixeira e Nabi, Presidente e Vice da CBF |
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Fale sobre a dupla arbitragem. Aragão: Os árbitros de futebol de São Paulo vêm encarando a introdução da dupla arbitragem no Campeonato Paulista-2000 como uma grande conquista profissional. Para nós é muito bom, porque dobrou o número de empregos. Árbitros que antes não tinham chance de apitar nas divisões superiores (Série A-1) agora estão tendo. Outro ponto tido como positivo é o valor pago aos árbitros no Paulista. Por cada jogo, eles recebem R$ 1.250,00 (R$ 600,00 para os auxiliares). Se o árbitro for do quadro da Fifa (caso, em São Paulo, de Paulo César de Oliveira e de Edílson Pereira de Carvalho), o valor sobe para R$ 1.750,00 ou mil dólares. Com a vinda de poucos árbitros, quem se sobressaiu em São Paulo em sua opinião? Aragão: Como presidente, se disser que um ou outro foi bem, poderia magoar alguns. Porém como entendo que houve uma regularidade no trabalho. A mescla de árbitros experientes (Edílson, Loebeling, Perin e Sálvio), equilibrou o trabalho dos mais novos (Anselmo, Romildo, Vassoler, Bragheto, Ilson Honorato, Borborema, entre outros). Desejo que a Comissão possa continuar a dar a seqüência para que atinjam o “status” de árbitro da principal divisão de São Paulo. Você não esqueceu do Paulo César? Aragão: Não. O Paulo César, merecidamente árbitro da FIFA é um fato raro. Em dois anos de formado atingiu o ponto máximo da carreira. Agora, mais assentado, vai adquirir a experiência necessária e, daqui uns dois ou três anos, será um dos maiores árbitros do mundo. Na final do paulistão, um árbitro mais velho tomaria outra decisão? Aragão: Considerei excelente o trabalho do trio de arbitragem na final do Paulistão 99. Porém – em minha opinião – se o Paulo César tivesse um pouco mais de maturidade (só tem 25 anos), talvez terminasse a partida, mesmo que para isso expulsasse alguns jogadores. Se ao exibir o cartão vermelho houvesse um tumulto maior, sua decisão em encerrar a partida seria menos contestada. Quando um árbitro pode ser considerado “pronto”? Aragão: Um árbitro com mais de 35 anos, com dez, doze anos de “janela”, e ter atuado em centenas de partidas decisivas, acaba aprendendo todos os “atalhos”. Por exemplo, o Paulo César, desde a sua formação em 1994, atuou em 26 jogos da Série A-1. É pouco, mas a sua qualidade é elevada. Apesar de sabermos que qualidade não tem idade, não podemos perder a experiência de alguns árbitros que estão em atividade. Quando atuava como técnico aprendi que uma equipe deve mesclar a solidez da experiência, com a força da juventude. O Oscar Godói, em recente entrevista, disse que o SAFESP é omisso com os árbitros do interior. Fale a respeito. Aragão: O árbitro da Fifa, Oscar Roberto Godói é esclarecido, mas todos conhecemos seu temperamento polêmico. Ele sabe muito bem defender seus interesses e se usasse o mesmo poder para defender os árbitros, teríamos mais uma liderança positiva em São Paulo. Toda a diretoria trabalha em período integral e isso é um complicador. Se tivéssemos um dia com 36 horas, tenho certeza que nenhuma cidade ficaria sem nossa presença. Estamos estudando uma saída e logo os árbitros do interior terão uma grata surpresa. Fale um pouco sobre a Associação Nacional dos Árbitros de Futebol Aragão: No dia 15 de Setembro de 1997, na cidade do Rio de Janeiro, reuniram-se os representantes das Entidades dos Estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná e do Rio de Janeiro, com a finalidade de podermos participar das discussões do projeto da “Lei Pelé” que alterava a estrutura do esporte brasileiro, foram dados os primeiros passos para a fundação de uma Entidade Nacional. Na Assembléia de Fundação, estavam presentes 12 representantes das Entidades de Classe, cinco árbitros da Fifa (Simon, Dacildo, Travassos, Cerdeira, Márcio Rezende), além do presidente da Comissão Nacional, sr. Armando Marques, acompanhado do saudoso Cel. Áulio Nazareno, que aplaudiram a iniciativa. Fale sobre o título de “Embaixador da Arbitragem Brasileira” recebido. Aragão. O título foi dado em Aracaju, por ocasião da V Assembléia da Associação Nacional de Árbitros de Futebol e foi motivada pela defesa da categoria. Ninguém entende como alguém que deixou a arbitragem há mais de dez anos, perde seu precioso tempo dedicando-se a uma categoria – invariavelmente – ingrata. Porém, entendo que não estou perdendo tempo, mas sim realizando uma missão... Existe um convite para trabalhar em alguma comissão de arbitragem? Aragão: Realmente fui convidado várias vezes, porém desejo trabalhar profissionalmente e enquanto isso não ocorrer vou fazendo uma coisa de cada vez. Como foi sua passagem como analista de arbitragens? Aragão. Outra pergunta oportuna. Fui eleito para um mandato de 3 anos e, assim, como toda minha diretoria, não recebemos nenhum tipo de remuneração. Fui convidado para analisar arbitragens, recebendo um bom “cachê”. Como a audiência entre os árbitros é grande, poderão atestar que minhas observações se restringem ao árbitro e as leis do jogo, nunca a pessoa. Gostaria de deixar registrado que coloquei o cargo à disposição, porém em reunião de diretoria, não concordou e votou – por unanimidade – que o contrato fosse renovado. Depois de refletir, solicitei uma licença até o término do mandato. Qual o fato que o magoou nestes três anos? Aragão: Tive mais alegrias do que tristezas. Prefiro sempre falar das boas coisas, mas as pessoas só querem falar do que de ruim aconteceu. Para estas posso dizer que houve um ou dois problemas e que não tenho medo de esconder. Uma delas foi o assalto sofrido pelo Sindicato, quando três “meliantes” armados levaram o dinheiro destinado aos árbitros que atuaram em campeonatos do Sindicato. Graças a Deus nossos funcionários nada sofreram. A outra decepção foi relatada na Assembléia Geral Extraordinária, realizada em 26/03/99, e publicada no Jornal do Apito do mês de maio e que envolveu um ex-diretor, mas tudo se resolveu e o Sindicato nada perdeu. A ação movida por quatro associados foi indeferida pelo Superior Tribunal Federal. Fale sobre sua reeleição em 2000? Aragão: Realmente, após receber diversos pedidos para minha continuidade e após analisar cada detalhe, resolvi topar a parada. Após as eleições em 21/01/00, 92,99% dos associados votaram pela minha continuidade. Porém alerto que não vou continuar à frente da Entidade em 2003. Tenho um compromisso e – como sempre faço – vou cumpri-lo. Qual seria o seu candidato em 2003. Aragão: ainda é cedo para isso, mas todos sabem quem é o meu braço-direito. Aparadas algumas arestas e com um pouco de boa vontade de alguns pessimistas não tenho dúvidas de que o SAFESP terá um excelente presidente. Quem viver verá e preparem-se, pois ele trabalha feito louco. Fale sobre a pareceria com Zona Livre Aragão. Só tenho palavras de agradecimento para a ZONA LIVRE, e de seu proprietário sr. RENÊ DJEKEIM por possibilitar editar 7.000 exemplares do “Jornal do Apito” que, hoje, está espalhado por todos os rincões de nosso querido Brasil. Sem dúvida alguma o Sindicato cresceu sobremaneira depois do apoio recebido do querido amigo Renê. Cartão Amarelo... Dizem que ajudo meus amigos. Dou cartão amarelo para os que assim não agem... Cartão Vermelho... Para os que fogem da batalha, porém quando ela está ganha correm para tirar algum proveito... |
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