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A temporada 2004/05 poderia ter
sido a última de Collina nos gramados italianos, por causa do limite de idade
de 45 anos, atingido no último dia 13 de fevereiro. No entanto, a federação
italiana votou e aprovou a abertura de uma exceção para que Collina, em ótima
forma física, trabalhe por mais um ano.
Consultor financeiro do grupo
Banca Fideuram, Collina vive em Viareggio, na região da Toscana. Modesto,
afirma não ser brilhante na profissão: "Tenho vários clientes, mas com vários
deles acabo falando mais de futebol do que de economia". É casado com Gianna e
tem duas filhas, Francesca Romana e Carolina - "que por sorte não se parecem
comigo fisicamente", costuma dizer.
Sempre que perguntado se teria um time do coração, Collina tem a resposta na
ponta da língua: sim, mas não é um time de futebol. Ele é apaixonado pela
Fortitudo Bologna, equipe de basquete de sua terra natal, que conquistou
recentemente o título nacional da temporada 2004/05.
Collina é fã da bola ao cesto, mas praticou o futebol desde garoto. Nos anos
de escola, defendia o time do Don Orione, mas passava a maior parte do tempo
observando os colegas desde o banco de reservas. Com sorte, teve uma
oportunidade nos juvenis de uma tradicional equipe amadora da região, a
Pallavicini. Atuando como líbero, jogou dois campeontos.
Em um capricho do destino, daqueles comuns às grandes reviravoltas, Collina
encontrou sua vocação. Impedido de treinar por causa de uma contusão, ele
começou a apitar os coletivos do time. Impressionado, um companheiro de escola
recomendou que ele participasse de um curso organizado pela associação local
dos árbitros no início de 1977.
Fausto Capuano - este o nome do companheiro - não foi muito longe na carreira.
Acabou vetado por problemas de vista. Collina, por sua vez, concluiu o curso e
passou a trabalhar em partidas amadoras. Em três anos, já estava no nível
máximo do futebol na região, o campeonato de Promozione, equivalente à sexta
divisão italiana, onde passou três temporadas.
Collina concluiu o serviço militar e se formou em Economia e Comércio na
Universidade de Bologna, em 1984, com a nota máxima de 110. Desde o ano
anterior, ele já estava apitando em nível nacional, vagando por lugares
obscuros, mas já começando a ser chamado para algumas ocasiões mais
importantes.
Foi neste período que se manifestou a alopecia, uma doença que provoca a queda
de todos os pêlos do corpo. Já careca, chegou à Série C do Campeonato Italiano
na temporada 1988/89, marcando uma ascensão mais rápida que o normal para a
época.
O salto definitivo para as duas principais divisões veio na temporada 1991/92.
Collina teve seu primeiro contato com expoentes da arbitragem italiana, como
Paolo Casarin, Tullio Lanese, Pierluigi Pairetto, Pietro D'Elia, Fabio Baldas
e Concetto Lo Bello. Estreou na Série B em um confronto entre Avellino e
Padova, e depois de cinco jogos foi chamado a apitar na Série A. Foram oito
jogos na elite naquele campeonato.
Em 1995, com 43 partidas pela Série A no currículo, Collina foi promovido ao
quadro da FIFA. A primeira grande ocasião foi a final dos Jogos Olímpicos de
1996 entre Nigéria e Argentina, vencida pelos africanos. Dois anos depois, na
Copa do Mundo de 1998, foi selecionado para um dos jogos mais delicados do
torneio, entre as vizinhas Bélgica e Holanda.
Collina apitou a dramática final da Liga dos Campeões entre Manchester United
e Bayern de Munique, em 1999. No mesmo ano, dirigiu o duelo entre os velhos
rivais Inglaterra e Escócia, pelas eliminatórias da Euro 2000. Na fase final
da competição, apitou os jogos entre Alemanha e Inglaterra, França e Espanha -
este último apontado pela UEFA como a melhor atuação de um árbitro no torneio.
Em 2002, Collina teve coroada sua condição de melhor árbitro do planeta ao
apitar a final da Copa do Mundo, vencida pelo Brasil contra a Alemanha. Em um
torneio marcado por polêmicas sobre erros de arbitragem e falta de um padrão
internacional, ele teve uma participação firme na decisão e justificou toda a
admiração que tem entre jogadores e colegas.
A expressão concentrada de Collina pode meter medo, mas ele nunca perde a
oportunidade de dar um tapinha nas costas (no bom sentido) ou um sorriso, e
até de ter uma conversa calma no meio de um jogo tenso. "Há momentos
diferentes no jogo. Às vezes há tempo para sorrir, em outros momentos é
preciso fazer uma cara firme. Depende do momento", explica.
Na final em Yokohama, quando o brasileiro Edmílson se enrolou na hora de
trocar de camisa, Collina poderia ter apontado para o relógio e pedido que ele
se apressasse. Mas as imagens da televisão mostraram o árbitro rindo daquela
situação cômica diante de dezenas de milhões de espectadores.
Aquela Copa do Mundo reforçou para os italianos a noção da importância do
trabalho correto de um árbitro, depois que a Azzurra foi eliminada pela Coréia
do Sul, nas oitavas-de-final, tendo muito a reclamar do equatoriano Byron
Moreno.
Ninguém pode dizer que Collina não erra. Humano como os companheiros de
profissão, ele pode se equivocar em lances da mesma maneira. Mas o que faz
dele diferente, além de errar em uma escala menor que a média, é a maneira em
que se relaciona dentro de campo.
O próprio Collina justifica sua postura com técnicos e jogadores: "Não podemos
nos considerar inimigos, porque estamos envolvidos com o mesmo esporte. Acho
muito importante que todos envolvidos com o espetáculo, porque o futebol é um
espetáculo, entendam o que está acontecendo, e até que decisão o árbitro
tomou".
Em 1997, após anular um gol da Inter contra a Juventus em San Siro, Collina
caminhou em direção ao banco da equipe da casa e explicou, detalhadamente, ao
técnico Roy Hodgson as razões de sua decisão. E foi além: após a partida,
concedeu uma entrevista coletiva para falar sobre o lance.
Equivoca-se, no entanto, quem confunde o bom relacionamento entre Collina e os
protagonistas do espetáculo com uma condescendência disciplinar. Não passou
despercebido, por exemplo, o fato de o argentino José Chamot, na época jogador
da Lazio, ter apertado sua mão com força excessiva após um jogo em 1998.
Collina relatou o fato na súmula, e o jogador pegou uma partida de suspensão.
Collina foi o primeiro árbitro a suspender uma partida até que se retirasse
uma faixa ofensiva das arquibancadas. Aconteceu no jogo entre Sampdoria e
Torino, em fevereiro de 1996, quando os torcedores exibiram uma faixa com os
dizeres "Casarin palhaço", em referência ao chefe do departamento de
arbitragem na época.
Ele saiu da Copa do Mundo como uma celebridade. Foi eleito o árbitro mais sexy
(é dos carecas que elas gostam mais?), e chegou a desfilar para a estilista
Laura Biagiotti. Continua sendo convidado para campanhas publicitárias em
nível nacional e internacional, anunciando desde relógios até material
esportivo, passando por TVs por assinatura e redes de fast food.
Sabendo que sua imagem também poderia servir para causas nobres, Collina se
tornou em 2003 embaixador da Cruz Vermelha para o apoio às crianças vítimas de
guerras. No mesmo ano, publicou o livro "Minhas regras do jogo. O que o
futebol me ensinou na vida" e foi eleito pela sexta vez consecutiva o melhor
árbitro do ano pela IFFHS (Federação Internacional de História e Estatísticas
do Futebol).
Em julho de 2004, comemorando 27 anos de carreira, recebeu da universidade
inglesa de Hull o título de doutor honorário em ciência do esporte. Ele ainda
é lembrado na Inglaterra como o árbitro da goleada de 5 a 1 da seleção sobre a
Alemanha, em Munique, pelas eliminatórias para o Mundial de 2002.
Durante a Euro 2004, o técnico português José Mourinho, então
recém-transferido para o Chelsea, afirmou que Collina mereceria ser
homenageado com a Bola de Ouro, prêmio dedicado ao melhor jogador do ano na
Europa.
Mourinho justificou: "O árbitro é parte integrante do espetáculo. Collina
trata os jogadores pelo nome, pede desculpas aos treinadores quando erra,
desconhece a estúpida lei da compensação em que um erro sucede a outro, não
aceita pressões ou, melhor dizendo, mostra imediatamente que não vale a pena
perder tempo a fazê-las".
Primeiro árbitro a ter um site
oficial -
www.pierluigicollina.it - Collina é a referência ideal para todos os
candidatos a árbitro. Os garotos que sonham em jogar futebol querem ser
Shevchenko, Totti, Del Piero, Adriano. |