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Dacildo Mourão
31/03/04
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Dacildo
Mourão(Fotos) Dacildo Mourão começou a dar os primeiros sopros no apito com 14 anos de idade. Cinco anos depois já estava no quadro de árbitros da Federação Cearense de Futebol. Com 20 anos, começou a trabalhar em jogos profissionais. Um ano mais tarde, apitou um clássico entre Ceará x Ferroviário. Alcançou o sucesso na profissão, chegando a dirigir jogos internacionais, mas vítima de perseguição, abandonou a carreira quando tinha apenas 38 anos. |
| Hoje em dia, ele é crítico de arbitragem da TV Verdes Mares, TV Diário e Rádio Verdes Mares. Ele sabe que é mais fácil ser crítico do que ser árbitro de futebol. Por isso, entende quando acontecem alguns erros durante os jogos. Nessa entrevista concedida para o Portal Verdes Mares, reconhece até algumas falhas que cometeu. E quando o assunto é a Seleção Brasileira, Dacildo não faz questão de esconder que vai torcer contra a "canarinho" na Copa do Mundo. | |
De onde
surgiu a vontade de ser árbitro de futebol?
Quando eu era criança, com
14, 15 anos, jogava no time de futebol do Sesi, na Barra do Ceará. O Manoel
Araújo, ex-árbitro de futebol, era o meu técnico. Com isso, foi me despertando
o interesse, e nasceu dali a vontade de ser árbitro.
Como
foi o início da sua carreira?
Eu cresci rápido na
arbitragem. Apitei poucos jogos amadores, juvenis, fui logo para o
profissional. Com 21 anos, já tinha apitado um clássico, Ceará x Ferroviário.
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Qual
foi o jogo mais importante da sua vida? Foi Chile x Argentina, valendo pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 98. O jogo aconteceu em 1997, no estádio Nacional, em Santiago, no Chile. A Argentina ratificou a vaga para a Copa do Mundo. Ganhou do Chile lá dentro com 100 mil pessoas. Com a derrota, o Chile ainda ficou dependendo de outros resultados para se classificar (se classificou). |
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Qual
foi o seu maior erro dentro de campo? Meus maiores erros aconteceram por causa dos assistentes. Num Fortaleza x Ceará, um gol do Aloísio que até hoje o pessoal reclama. Meu bandeira marcou impedimento. No jogo Palmeiras x Corínthians, o meu bandeira anulou um gol do Marcelinho Carioca. Já no Palmeiras x Grêmio, teve um gol do Jardel aos 45 minutos do segundo tempo. O bandeirinha também anulou. Então, os meus erros históricos foram de assistentes e eu fui na onda. |
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E você
se arrepende de ter seguido a marcação dos assistentes?
Não é questão de se
arrepender. Porque não existe árbitro que não vá pela marcação do assistente.
Sempre ele atente o assistente, que está ali para decidir. Ele está melhor
posicionado. O árbitro não tem como não cair na armadilha.
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Por ser
nordestino, você já se sentiu discriminado durante sua carreira? O nordestino sempre é discriminado. É o cantor, o árbitro, o jogador. Quando chega no Sul e Sudeste é discriminado. A gente sofre, mas tem que procurar superar. O Edmundo me chamou de "Paraíba". Uma vez eu expulsei o Joel Santana (técnico) que disse: "Como é que trazem um árbitro do Ceará para apitar um jogo aqui no Rio de Janeiro?". Então, é a discrimição de algumas pessoas do Sul e Sudeste |
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Explica
um pouco por que você deixou a arbitragem se ainda tinha idade para continuar
apitando? Realmente, eu ainda tinha idade. Parei com 38 anos. Hoje eu tenho 40. Mas o Armando Marques quis me tirar dos quadros da Fifa para colocar um árbtro do Rio de Janeiro. Ele foi o grande responsável pela minha saída. Também ajudou a fraqueza demonstrada pela comissão de árbitros do Ceará (o presidente é o Coronel Gomes) e da própria Federação Cearense de Futebol através do presidente (Fares Lopes, irmão do cantor Fágner). |
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Quais
os melhores árbitros de
todos os tempos, no Brasil e no Ceará?
No Ceará, o melhor árbitro
foi o Leandro Serpa. Que eu tenha assistido foi ele. Já no Brasil foi José
Roberto Wright.
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Quais
os
melhores árbitros,
da atualidade, no Brasil e no Ceará? O melhor árbitro do Brasil no momento é o gaúcho Carlos Eugênio Simon, que vai para a Copa do Mundo. E aqui, no futebol cearense, a arbitragem está triste. Não temos o melhor árbitro, mas sim o mais experiente, que no caso é o Marcos Brasil. Agora temos o Avelar Rodrigo, que é o que tem mais condições de me substituir na Fifa. Quando o jogo acabava, você se sentia aliviado ou queria mais? Depende do jogo (risos). Tem jogo que a gente quer que acabe logo no primeiro tempo. Agora, tem jogo que a gente quer que demore mais. Isso é relativo. Depende muito do andamento da partida, de onde esteja, se você está bem dentro do jogo. Porque o árbitro sabe quando ele está bem dentro de uma partida. Ele sabe quando está fazendo uma má arbitragem. Então, isso depende muito do jogo. |
Sua mãe
já viu algum jogo seu no estádio?
Não, só na televisão, no
estádio nunca assistiu. Os meus irmãos, o Newton Albuquerque, que foi goleiro
no Ceará, e o Dário, que foi goleiro do Fortaleza. E ela foi uma vez assistir
uma partida, e no intervalo a torcida ficou xingando o Newton que tomou um
frango (risos). Depois disso, ela ficou com trauma e nunca assistiu um jogo
meu.
Como é
trabalhar fazendo crítica de arbitragem? É mais fácil ou às vezes fica chato
falar dos erros?
Não é que seja fácil. A
partir do momento que a pessoa aceita ser crítico, analisar arbitragem, tem
que deixar de lado o coorporativismo. Ele está numa profissão totalmente
diferente. Eu tenho que chegar na televisão e no rádio e dizer: "O árbitro
acertou, o árbitro errou". Pode ser meu amigo, pode não ser. Agora, a vantagem
para quem foi árbitro é que ele conhece as dificuldades e sabe também porque o
árbitro errou. "Poxa. Ele estava com a visão encoberta, foi interpretação".
Então, tem essa vantagem. Mas é melhor ser crítico ou árbitro? É melhor ser
crítico. Porque você está sentado, com a televisão, e pode voltar a fita dez
vezes para analisar.
Qual
sua opinião sobre a Seleção Brasileira?
A Seleção Brasileira é uma
caricatura de time de futebol. É péssima em todos os sentidos, desorganizada,
e vou torcer contra ela. Porque eu acho que o futebol brasileiro perdendo pode
melhorar. Pode ser que seja moralizada a administração do futebol. O problema
não é o time dentro de campo, porque ele é resultado da desorganização fora
dele.
Fonte: Portal Verdes Mares - O Portal do Ceará
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