Leonardo Gaciba da Silva

São Paulo - 26/12/2005

Gaúcho, nascido em 1971 na cidade de Pelotas, apitou o primeiro jogo profissional em 1993. Foi premiado pela CBF como melhor Árbitro do Campeonato Brasileiro de 2005, concedeu esta entrevista exclusiva ao site da ANAF, falando de sua vida profissional, pessoal e de suas expectativas para o futuro.

P - Qual é sua profissão fora da Arbitragem?
R: Sou professor de Educação Física, trabalho atualmente como Personal Trainner.

P - Qual é sua Cidade natal?
R: Pelotas, RS.

P - Como você administra a família e a vida profissional com a arbitragem?
R: Minha Esposa me conheceu árbitro... meu filho nasceu quando eu já era árbitro... nós três nos acostumamos com a saudade e procuramos aproveitar ao máximo quando estamos juntos!

P - De onde surgiu a vontade de ser árbitro de futebol?
R: Contato com o Esporte desde pequeno.

P - Quem te impulsionou a ser árbitro?
R: Minha equipe de arbitragem amadora de Pelotas.

P - Como foi o início da sua carreira?
R: Comecei no Campeonato Colonial de Pelotas (ACP).

P - Qual é a parte mais fascinante da arbitragem?
R: Viajar, fazer amigos, conhecer novos lugares, conviver com grandes profissionais... para mim a grande maioria das coisas que envolvem o apito são fascinantes... sou completamente feliz sendo árbitro!!!

P - O árbitro é um odiado ou simplesmente um mal-amado?
R: O árbitro hoje em dia não é amado, mas compreendido! Cada vez mais descobrem o quão difícil é dirigir uma partida de futebol!

P - O primeiro jogo profissional, você lembra?
R: Segundona Gaúcha. Farroupilha de Pelotas e Guarany de Bagé em 1993.

P - Que ano você entrou para o quadro da FIFA?
R: 2005.

P - O que sentiu ao saber que seria indicado?
R: Foi a realização de um sonho que persegui com muita dedicação, foi uma recompensa por uma vida dedicada ao apito!

P - Qual foi a maior pedreira que você enfrentou num jogo?
R: Nada é pior do que dirigir um Gre-Nal.

P - Qual foi o maior erro dentro de campo?
R: Maior? Todos erros são grandes... ainda bem que deixam grandes lições para não serem repetidos!

P - Acerto é obrigação do Árbitro, mas qual foi o que salvou uma arbitragem?

R: Lembro de um gol que anulei por instinto, faz algum tempo, não me recordo do jogo... mas o atleta olhou para mim antes de comemorar o gol. Senti algo estranho e balancei a cabeça negativamente para ele... ele me disse "Professor, foi com a mão mas não foi intencional!!!". A Tv mostrou posteriormente uma cortada que não percebi no campo! Pura sorte!

P - Qual foi a sua pior partida?
R: Me lembro cada detalhe dela...não interferi no placar do jogo, mas nunca estive tão mal num jogo, tudo errado do começo ao fim, uma vergonha! Não preciso nem dizer que não tenho coragem de citá-la, né!

P - E a melhor?
R: O futuro a Deus pertence!

P - Qual é o teu sonho como árbitro?
R: Tenho vários, mas o maior, com certeza é ir a uma Copa do Mundo!

P - Qual foi o jogo mais importante da sua vida?
R: Representei o Brasil no Sul Americano Sub 17 na Venezuela este ano. No Brasil, em 2005, dirigi minha primeira final de Copa do Brasil.

P - O que precisa melhorar na arbitragem brasileira?
R: Buscar constantemente o profissionalismo!

P - Muitas vezes os árbitros fecham os olhos a certas faltas em prol do espetáculo, você concorda?
R: Não, vejo que com isso estaríamos prejudicando alguma equipe!

P - Ser ofendido em campo, é diferente de ser ofendido na rua e há um  lado emocional diferente?
R: O Futebol é pura paixão, com o passar dos anos vamos descobrindo a diferença entre as ofensas e o desabafo!

P - O que você acha da profissionalização dos Árbitros?
R: Essencial e urgente!!!!

P - Como é o dia seguinte após um erro de grande repercussão?
R: em casa, sem vontade de fazer nada!!!

P - Como é tratado na rua após um jogo em rede nacional?
R: Normalmente, acho que o efeito tv é mais sentido em cidades menores.

P - Que acha das criticas feitas sobre sua arbitragem?
R: Quando construtivas e imparciais são bem aceitas e escutadas com atenção, quando destrutivas e parciais são desprezadas.

P - Quais são seus planos na arbitragem para o presente e futuro?
R: Quero trabalhar como árbitro na Libertadores deste ano, fazer um bom Gauchão e Campeonatos Brasileiros (Isso já é muito para pensar no futuro).

P - Quais foram as lições que ficaram para a arbitragem em geral com o escândalo Edílson?
R: De valorização do profissional correto!!! Se um corrupto causou este estrago, valorizem os bons profissionais!!!

P - Na sua opinião esse episódio serviu para brindar o árbitro no presente e futuro?
R: Sou um positivista, vejo que isto serviu para mostrar o quanto o árbitro de futebol é importante na vida do Brasileiro, isso despertará um tratamento mais respeitoso para o futuro!

P - A arbitragem do Rio Grande do Sul revela sempre bons árbitros, qual é o segredo?
R: Seriedade e uma filosofia de dedicação e companheirismo entre nós... por aqui há uma troca constante de conhecimentos que refletem positivamente no campo de jogo.

P - Como era a sua relação com o Sr. Armando Marques?
R:  Aprendi muito com seu Armando, devo muito respeito a seu trabalho à frente da comissão. Sempre tive um canal aberto de conversa com ele e este canal me fez crescer muito profissionalmente!!!

P - O árbitro tem o apoio que precisa?
R: Estamos marchando para chegar lá... volto a repetir, não alcançaremos nada sem o profissionalismo.

P -  Qual é o melhor árbitro  da atualidade?
R: No Brasil, Carlos Simon.

P - E de todos os tempos?
R: Colina foi eleito o melhor do Mundo mais vezes!!!

Algumas perguntas pessoais:
P - A quem você daria nota 10?
R: Solidariedade.

P - A quem você daria nota zero?
R: Corrupção.

P - Recomende um Livro.
R: A regra do jogo.

P - Um Filme.
R: O nome da Rosa.

P - Um perfume.
R: Azarro.

P - Uma comida.
R: Churrasco.

P - Cite uma personalidade.
R: Papa João Paulo II.

P - O Presidente Lula para você?
R: Esperava mais dele e do partido.

P - Qual o melhor e o pior esporte?
R: Melhor, lógico Futebol...o pior Hóquei sobre  o gelo (Não consigo ver o disco de jeito nenhum!) ahahahahaha.

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