
AS DUAS PROFISSÕES DE SIDRACK MARINHO
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10/10/2004 Aracaju - Barroso Guimarães Nada foi planejado, mas tudo deu certo. Foi por acaso que o encarregado de um supermercado virou árbitro de futebol. Profissão nunca sonhada, mas abraçada com responsabilidade. O tempo e o reconhecimento mostraram que a vocação sempre esteve ali, dentro de Sidrack Marinho. Bastou a oportunidade, a dedicação e um grande amor para alcançar o que todos sonham...a ascensão. Foi graças a primeira profissão que veio a segunda. A arbitragem dentro de campo teve que parar, mas futebol é cachaça. Um convite e a disposição de sempre, lá está Sidrack Marinho, o comentarista. O sergipano que percorreu os campos do Brasil e da América Latina e levou consigo o nome do Estado e, aqui, em Sergipe, constrói o nome em outro campo é o personagem da entrevista especial de domingo. São os desafios da vida que Sidrack costuma encarar. |
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O ÁRBITRO
Em 1979, o começo. Sidrack era
encarregado do Bom Preço. O convite para arbitrar veio do chefe, José Carlos
Schmidt. “Ele era gerente de arbitragem e me perguntou se não queria ser
árbitro. Eu topei. Nunca havia pensado nessa possibilidade...”, conta Sidrack,
que começou apitando jogos de amador na Capital e no interior. “No mesmo ano,
participei da primeira partida do profissional. ‘Bandeirei’ a decisão do
Campeonato Sergipano: Sergipe e Itabaiana”, acrescenta, “ Quem apitou esse jogo
foi o árbitro da FIFA, Carlos Rosa Martins, do Rio Grande do Sul. Eu fui o
primeiro bandeirinha e Pedro Bonfim, o segundo”, detalha Marinho.
A carreira engrenou. Em 1985, entrou no quadro nacional de árbitros e passou a
apitar jogos no Nordeste. Em 1989, apitou pela primeira vez no Maracanã, o sonho
de todo árbitro. “ Foi o jogo de volta pela Copa do Brasil entre Flamengo e
Blumenau de Santa Catarina. Eu e os também sergipanos Simeão Fagundes e Vivaldo
Aparecido formamos o trio de arbitragem”, lembra Sidrack saudoso do seu começo.
O resultado da dedicação e do trabalho de Sidrack apareceu logo. Em 1990, foi
convidado pela Comissão Nacional de Arbitragem a participar de um evento no Rio
de Janeiro e teve uma boa surpresa. “Meu nome estava entre os 12 melhores
árbitros do país. A festa foi no Aterro do Flamengo”, revela Sidrack, “Eu estava
sendo homenageado junto com José Roberto With, do Rio de Janeiro, José
Aparecido, de São Paulo, Márcio Rezende de Freitas, de Minas Gerais. Eu e Manoel
Serapião, da Bahia fomos os únicos do Nordeste. Fiquei satisfeito com o
reconhecimento”. Completa. Daí e, diante, Sidrack virou figurinha carimbada nas
homenagens. Nome sempre presente na lista dos melhores do país.
A FIFA veio três anos depois da primeira homenagem. O nome de Sidrack Marinho
passou a figurar no quadro de árbitros da FIFA em 1993. O trabalho aumentou. O
sergipano passou a percorrer o Brasil, apitando campeonatos. “Apitei jogo até em
Sinop, no meio da Amazônia”, conta animado. O árbitro trabalhou em muitas
partidas importantes: Decisão do campeonato brasileiro de 1995, o jogo de ida
entre Santos e Botafogo, além de quase todas as partidas das semi-finais e pela
Copa do Brasil apitou o primeiro jogo da final entre Cruzeiro e Palmeiras; Em
1996, arbitrou apitou a partida de ida da final do Brasileiro entre Portuguesa e
Grêmio; Em 1997, a finalíssima do Brasileiro : Palmeiras e Vasco , a finalíssima
da Copa Brasil: Cruzeiro e Palmeiras e a decisão do Campeonato Carioca. Depois,
em 1998, a decisão do Paulista. Sidrack Marinho fez ainda três decisões do
Campeonato Mineiro, decisão do Campeonato Baiano.
Em nível internacional, muitos jogos na América Latina. Copa dos Campeões
Mundiais, Conmebol e os jogos das eliminatórias da Copa do Mundo de 1998, entre
eles, Colômbia e Chile e Uruguai e Peru.
Em 1999, completou quarenta e cinco anos e saiu do quadro da FIFA. Em 2000,
apitou jogos do Campeonato Paulista. “Fiz parte da Federação Paulista de
arbitragem até 2002”, explica Sidrack. Depois disso, Marinho parou com o
trabalho dentro de campo.
O COMENTARISTA
Oportunidade é a palavra certa.
Outra como a primeira. Uma nova chance, uma nova carreira. Tudo a ver com a
primeira. O trabalho de árbitro fez os convites surgirem. “Fui convidado pela
Sport TV. Comentei a arbitragem de três partidas, entre elas, a decisão do
Campeonato Carioca, Flamengo e Fluminense e a decisão do paulista, Palmeiras e
Corinthians”, conta.
Em Sergipe, nada de ficar parado. Mais convites para trabalhar fora de campo,
mas sem perder a arbitragem de vista. “ Fui chamado para fazer parte da equipe
de esporte do “20 nos Esportes”, programa exibido na TV Cidade e, depois, o
convite foi para o rádio. Integrar a equipe da Rádio Cultura”, comenta Marinho
animado com o novo desafio
SEMPRE CRÍTICO
O novo desafio, como a arbitragem,
foi encarado em seriedade e um imensa responsabilidade. Difícil? Analisar o
trabalho dos outros nunca é fácil e, por isso, a palavra chave é compromisso. “O
meu compromisso é com a verdade. Falo do que vejo. Se é erro, aponto, explico,
procuro fazer uma crítica construtiva”, enfatiza o ex-árbitro, “Assim colaboro
para a melhoria dos profissionais da arbitragem”.
Sidrack se define um crítico. “Sempre que assisto a um jogo na televisão, vou
fazendo as críticas. Não sei ser apenas telespectador. Sou um crítico”, explica,
“Penso que dessa forma aprendo. Com erros e os acertos alheios. Tem que ser
assim”, concluí. E mais, Sidrack é o maior crítico do próprio trabalho. “Tenho
mais de 80 fitas gravadas dos jogos que apitei. Assistia várias vezes para me
auto-criticar. Há sempre o que aprender. Quem pensa que sabe tudo pára de
crescer”, filosofa bem Sidrack.
Esse senso crítico é uma mão na roda para a nova profissão, mas ele é exercido
com extremo cuidado. “ No rádio tudo é instantâneo, tenho que pensar muito em
pouco tempo e dizer o certo. O que vi. Analisar da melhor maneira...”, Sidrack
conta sorrindo, “Não é fácil, não. O empenho deve ser igual ou maior do que o
que eu tinha em campo como árbitro”, diz ele, comparando e constando as
semelhanças entre as duas profissões. “Estou me qualificando para exercer o
ofício de comentarista cada vez melhor. Em maio, terminei o curso de radialista
do Senac”, revela , “ Vou buscar qualificação para estar apto a comentar
arbitragem e o futebol”, afirma Sidrack. “É preciso aproveitar esse espaço
aberto na mídia para profissionais que, como eu, tem conhecimento teórico e
prático para comentar. Antes, os comentaristas pouco sabiam sobre as regras de
arbitragem.”, confessa Marinho animado com o rumo que o comentarismo esportivo
está tomando.
FUTURO
Para Sidrack Marinho, o futuro é uma
continuidade. Continuar trabalhando... Continuar o aprimoramento...Continuar se
criticando... e a criticar.
Apesar de pouco tempo na nova carreira, já sente o resultado da dedicação que
tem. “ Fico feliz, quando sou parado na rua pelos ouvintes da rádio cultura ou
os torcedores que acompanham meu programa no Canal 20. Ouço elogios, críticas. O
saldo é positivo. Acho que estou no caminho certo”, diz satisfeito.
Em casa, uma aliada, uma fã, uma crítica, alguém muito importante para Sidrack:
“ Minha esposa, Ruth, acompanha tudo. Era assim no tempo da arbitragem, gravando
os jogos. É assim hoje, ouvindo e assistindo aos comentários”, conta orgulhoso a
dedicação da esposa. “Minha filha também sempre acompanhou o meu trabalho.
Agora, está morando em Recife. As duas são meu apoio. Cresci muito por causa da
minha família”, declara.
É... se depender de Dona Ruth dos Santos vai crescer mais e mais. Durante toda a
entrevista lá estava ela a lembrar datas, detalhes... a mulher, secretária,
tiéte. “Mais que isso, a companheira”, elogia Sidrack.
Com tanta torcida, o comentarista Sidrack Marinho só pode continuar assim:
dedicado, sério, responsável. Para os sergipanos, o tão atacando homem de preto,
o temido juiz, o sempre “culpado” das derrotas dos times, foi motivo de orgulho
nos gramados desse Brasil, da América Latina. Agora, vamos ficar de ouvidos e
olhos atentos para nos orgulharmos do comentarista, Sidrack Marinho. “ Na
imprensa como na arbitragem é preciso ética”, declara sério, “ Por isso, estou
me preparando. É necessário fazer o melhor possível, quem tem essa meta erra
menos”, conclui Marinho.
Para terminar, uma declaração de amor a profissão. “Agora, entendo por que vocês
dizem que trabalhar nesse ramo é como uma cachaça. No futebol, o sentimento é o
mesmo. Por isso, estou feliz em continuar na arbitragem dessa forma, através do
comentário. Nas duas profissões,é indispensável trabalhar com amor, carinho e
dedicação”, encerra Sidrack Marinho com seu jeito sempre simpático. A promessa
do futuro fica nas entrelinhas...
De: barroso@infonet.com.br
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