|

Silvia Regina de Oliveira
1- Nome e ano que entrou para arbitragem.
R - SILVIA REGINA DE OLIVEIRA , sou árbitra de futebol desde 1980 quando fiz meu primeiro curso na Liga de Futebol de Mauá, cidade onde morava. Minha primeira partida foi no ano de 1982 como árbitra assistente em um amistoso entre formandos da Escola de Árbitros da Federação Paulista de Futebol (FPF), realizada na chácara do Sr. Pedro Inácio filho, ex-árbitro de futebol. Desde então participei de partidas amistosas, torneios de indústrias, jogos escolares, etc. Até que um dia fui convidada pela FPF a trabalhar no Campeonato Paulista de Futebol Feminino, isto no ano de 1997 e após esta data minha carreira começou a crescer.
|
|
2 - Qual o jogo que mais marcou? R - SILVIA: Tenho que citar alguns, pois cada um deles marca uma fase de minha carreira: Jabaquara x Comercial de Registro – 2000 – Santos ,Campeonato Paulista da série B2 (primeiro jogo de futebol profissional, um sonho que busquei durante 18 anos de minha vida). Mogi Mirim x São Paulo - 2001 - Mogi Mirim, abertura do Campeonato Paulista A1( primeiro jogo na primeira divisão). Rio Branco x Matonense - 2001 - Americana, Campeonato Paulista A1( primeiro jogo como árbitra Internacional FIFA) . Guarani x São Paulo - 2003 - Campinas, Campeonato Brasileira série A ( primeira partida arbitrada por uma mulher ). Santos x São Caetano - 2003 - Santos, Copa Sul-americana (primeira partida da Conmebol arbitrada por uma mulher). Suécia x Japão - 2004 - Volos - Grécia - Olimpíadas de Atenas ( por ser meu primeiro jogo e por ser a única árbitra da América do Sul designada para o Torneio Olímpico). Observo que somente a partida entre Suécia x Japão é feminina. |
3 - Como ficou sabendo que você tinha sido escolhida para os Jogos Olímpicos de Atenas e o que você sentiu?
R - SILVIA Fiquei sabendo através de um comunicado de minha Federação e senti uma das maiores alegrias de minha vida. A princípio agradeci a Deus por ter me abençoado com tamanha graça, depois liguei para meus pais, pois queria que eles fossem os primeiros a saber de minha alegria. Mais tarde, quando absorvi o impacto da emoção, refleti e concluí que meu trabalho dentro de campo tinha me levado a esta honraria. Tive a certeza de que não é o “trabalho de bastidores” que leva uma árbitra ao ponto máximo de uma carreira que é participar dos Jogos Olímpicos e sim o que fazemos dentro do campo de jogo. Agradeci aos homens da Comissão de Arbitragem que me escalam em São Paulo e no Brasil, pois sem a coragem e persistência deles eu não seria a árbitra que quebrou tantos tabus e tradições.
4 - Quais foram as partidas que você atuou?
R - SILVIA Os Jogos foram: Suécia x Japão, Suécia x Nigéria, Estados Unidos x Japão, Alemanha x Suécia ( decisão do terceiro e quarto).
| 5 -
Qual foi o pior e o melhor momento das Olimpíadas
para você? R - SILVIA O pior, aliás, único momento ruim foi quando a árbitra da final entre Brasil x USA, a suéca Jenny Palmqvist, se contundiu gravemente torcendo o pé e não podendo apitar a prorrogação da partida. O melhor momento, sem dúvida, foi quando meus instrutores FIFA de arbitragem, dentre eles o Sr. José Maria Garcia Aranda, me disseram que dependendo da combinação de resultados das partidas semi–finais eu apitaria a final, ou seja, se o Brasil disputasse terceiro e quarto e a final fosse USA x Suécia eu estaria dentro do Estádio Olímpico de Atenas apitando a final do futebol feminino das XXVIII Olimpíadas da Era Moderna e a primeira do terceiro milênio. A notícia foi tão boa ou melhor do que a de ser convocada para o evento, me senti plenamente realizada, com a sensação do dever cumprido e a felicidade de quem trabalhou 22 anos para chegar até aquele momento. Pena que Aranda me disse que as árbitras assistentes poderiam até ser outras que não Ana Paula e Aracely que haviam trabalhado brilhantemente comigo durante o torneio. |
|
6 - Você participou da abertura dos Jogos?
R - SILVIA Sim, assisti a Abertura e o Encerramento, também foram dois momentos muito felizes. A Abertura por todo aquele ritual de acendimento da pira Olímpica onde desde criança sonhava ver de perto e o Encerramento pelo momento da entrega da medalha Olímpica aos vencedores da prova mais tradicional das Olimpíadas que é a maratona, onde pude presenciar a entrega do bronze para o nosso herói Vanderlei Cordeiro de Lima.
7 - O que fazia nos momentos de folga em Atenas?
R - SILVIA Turismo. O templo de Zeus o deus dos deuses, Acrópolis a cidade alta fundada pelo democrata Péricles no século V antes de Cristo, onde se encontra o Parthenon que é o templo dedicado a deusa da sabedoria Atena, onde há também o templo de Posseidon o deus do mar, o teatro de Heródis que tem 2.400 anos e outras obras da arquitetura . Passei pelas lindas praias com aquele mar azul maravilhoso tanto na cidade de Atenas como em Volos e Tessalonika, sedes do futebol. Foi um banho de cultura, estar no berço da humanidade, com um povo grego que desde as primeiras Olimpíadas cultuam valores como a honra, dignidade, nobreza, beleza e bondade, minha vida se transformou para sempre e para melhor.
|
|
8 -
Quais eram os seus objetivos para esta Olimpíada e
foram atingidos? R - SILVIA Os objetivos eram os mesmos de cada jogo que faço aqui em meu pais, dedicar-me ao máximo para que tudo dê certo. Assim foi feito, a cada partida era como se fosse a única e a mais importante, creio que foi assim que cheguei a ser convocada para as Olimpíadas, assim fui escolhida para a final e assim que continuo fazendo minhas partidas no Brasil. Felizmente meus objetivos sempre são atingidos. |
9 - Fale sobre seus planos na arbitragem para o presente e futuro.
R - SILVIA Manter a felicidade que o futebol me proporciona e para isso continuar me dedicando ao sonho de atingir a excelência em cada partida.
10 - Deixe uma mensagem para as jovens árbitras que estão surgindo para a arbitragem do Brasil.
R - SILVIA Estudar, treinar e praticar, são três ações que não se deve esquecer. Nunca deixem de ler e questionar sobre regras, legislação esportiva e tudo que envolve o futebol. Condicionem-se fisicamente, pois as exigências para quem está chegando serão cada vez maiores. Pratiquem a arbitragem, indo aos estádio assistindo aos jogos, inteirando-se sobre tática e técnica tanto de arbitragem quanto das equipes, enfrentando o medo e apitando partidas. Enfim dediquem-se, pois assim como em todos os caminhos da vida, as “pedras” irão surgir, algumas temos que contornar, outras temos de passar por cima e ainda existem aquelas que temos de guardar, pois em algum momento elas nos servirão de aprendizado. Desejo sucesso a todas.
11 - Algumas perguntas pessoais:
Qual sua seleção de todos os tempos?
R - SILVIA Morgado, Dulcídio, Romualdo, Armando e Arnaldo, Paulo César, Simon, José Roberto, Maria Edilene , Aragão e Wilson.
A quem você daria nota 10?
R - Aos homens sem preconceitos.
A quem você daria nota zero?
R - A quem tem medo do novo.
Qual o melhor e o pior esporte?
R - Não há pior. Todos os esportes são bons quando existe um comando ético dos seus instrutores. O esporte nos dá noções de respeito ao adversário, as autoridades, aos companheiros, etc. Nos proporciona saúde mental e física nos mostrando os limites do corpo e cabe a cada um de nós saber interpretá-los. Nos leva a lugares que nunca imaginaríamos e nos trás felicidade, amizade, perseverança e companheirismo. Qualquer esporte nos proporcionará estas virtudes, temos que saber praticá-lo com responsabilidade e “fair play”.
|
Copyright © ANAF.COM.BR ® Todos os direitos reservados. |