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Sueli Tortura
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Sueli Tortura solta o verbo Armindo Berri, do FutebolPR |
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Sueli Tortura: mulher com "M" maiúsculo. |
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| CURITIBA -
O futebol paranaense iniciou o ano com a indicação de Héber Roberto
Lopes como árbitro da Fifa, o primeiro na história da arbitragem
masculina. Mas a história cometeu uma injustiça com o "sexo frágil": bem
antes de Lopes, em 1998, o Paraná já integrava o quadro mais cobiçado do
apito mundial, com Sueli Terezinha Tortura. Poucos sabem das barreiras ultrapassadas por ela, desde que teve a idéia de ser árbitra, no campeonato de peladeiros, em 1991. Depois de levar um ano e oito meses para se formar no curso de árbitros (a única aprovada entre as cinco inscritas), Sueli, nascida em Ponta Grossa, ex-jogadora, precisou enfrentar a discriminação e a acusação de homossexualismo antes de ser condecorada com o distintivo de "referee" da Fifa. Ela já apitou um mundial feminino e está cotada para arbitrar jogos do Brasileirão, conforme promessa de Armando Marques. Também fazem parte de seus sonhos trabalhar numa Olimpíadas e apitar no Maracanã. Confira: FutebolPR - Quem te impulsionou a ser árbitra? Sueli Tortura - Quem me deu o primeiro empurrão foi o Guedes, um treinador que eu tive de futebol, no tempo em que eu jogava. Até que um dia ele me falou:- por que você não vai ser árbitra? Eu morei durante muito tempo na casa deles. Ele não tinha nenhum filho homem e as filhas não se interessavam por futebol. Até que um dia eu encontrei um amigo, de nome Kléber, ele apitava no Peladão. Eu jogava lá, e ele me convidou pra apitar. FutebolPR - Então antes de ser árbitra você foi atleta? Sueli - Joguei três anos no Vila Fanny, joguei no Colorado e no Coritiba. FutebolPR - E o primeiro jogo profissional, você lembra? Sueli - Apitando ou bandeirando? Fui bandeira de um Atletiba. FutebolPR - Quanto tempo demorou entre você ser bandeira e árbitra? Sueli - Na época a gente bandeirava e apitava. FutebolPR - Hoje é diferente? Sueli - Hoje é diferente. Em 1995, quando fui indicada para o quadro internacional, não tive opção e fui indicada como árbitra. Então no final de 1996 fui aprovada para o quadro internacional como árbitra. Naquela época, atuava tanto como árbitra quanto como assistente. Sem bem que atuava mais como assistente, onde trabalhei no amistoso Coritiba x Nacional de Montevidéu, depois na Taça Cidade de Curitiba na abertura do Campeonato Paranaense de 1995. FutebolPR - E o primeiro jogo profissional como árbitra? Sueli - O meu primeiro jogo profissional foi Matsubara e Comercial de Cornélio Procópio. Foi o primeiro trio feminino a trabalhar no Brasil, foi no dia 4 de março de 2000. Foi meu primeiro jogo profissional em nível de federação. FutebolPR - Você está trabalhando só com arbitragem? Sueli - Sim. FutebolPR - Isso quer dizer que depois de ser indicada para a Fifa dá para sobreviver com o dinheiro da arbitragem? Sueli - Chega um ponto que se você não tiver um negócio próprio para você trabalhar, e tiver que trabalhar numa empresa e ao mesmo tempo com a arbitragem, você não consegue mais compartilhar as duas coisas. Então eu tive que optar entre a arbitragem e meu trabalho. Optei pela arbitragem. FutebolPR - Você só conseguiu ganhar mais depois da indicação para a Fifa? Sueli - Depende. De repente, você está no quadro nacional, é um árbitro bem situado, como o Héber (Héber Roberto Lopes), e não precisa estar na Fifa para ganhar bem. Mas a arbitragem hoje não é mais um hobby como quando eu comecei. Apesar de tudo, o que eu tenho na minha vida consegui através da arbitragem. Se você consegue administrar, sobrevive da arbitragem. FutebolPR - Você já fez seu pé de meia? Sueli - Mais ou menos isso. Eu sempre tive meu trabalho. FutebolPR - Sendo árbitra da Fifa, apitando ou não, recebe um salário mensal ? Sueli - Não. Está para ser aprovado, mas ainda não. FutebolPR - Então você depende de escala para sobreviver? Sueli - Dependo. FutebolPR - Você foi ao Mundial do Canadá, no ano passado. Sueli - Fui, era o feminino sub-19. FutebolPR - O Brasil está no nível dos outros países na arbitragem feminina? Sueli - Nós estamos muito na frente, principalmente em nível de malandragem. Nós, os sul-americanos, temos essa malícia no futebol e nunca vamos ficar atrás na arbitragem mundial. FutebolPR - Tem que ter uma malandragem no apito também? Sueli - Tem. FutebolPR - Qual é o básico dessa malandragem? Sueli - Eu acho que todos os árbitros que foram jogadores se destacam mais do que aqueles que nunca jogaram futebol, porque eles já conhecem a malícia do jogador numa entrada, num jeito de cair. FutebolPR - Qual foi a maior pedreira que você enfrentou num jogo profissional? Sueli - Rio Branco x Portuguesa, ano passado, pelo Paranaense. Eles começaram a fazer pressão para não terminar o jogo. Outra foi a final da A-II, entre Dois Vizinhos e Adap. FutebolPR - Nesses dois jogos você apitou com auxiliares mulheres? Sueli - Em Paranaguá, só eu de mulher; no outro, com a Sirlei Piva como assistente número um. FutebolPR - Você prefere apitar com elas na bandeira ou com homens? Sueli - Dependendo dos homens, se eu puder escolher, pode ser homem. FutebolPR - Essa preferência vem em função da qualidade técnica? Sueli - Com determinados assistentes, sim. FutebolPR - Dá para revelar com quem você se sente bem trabalhando nas bandeiras? Sueli - O Roberto Braatz, o Rogério Carlos Rolim, Altemar Domingues, Wagner Vicentim. FutebolPR - Pela qualidade técnica ou pela segurança? Sueli - Pela técnica, sei que são pessoas que cresceram junto comigo na arbitragem.São pessoas que jamais teriam coragem de me derrubar, porque existem determinados homens que não aceitam minha condição de árbitra da FIFA. FutebolPR - Essa traíragem na arbitragem é comum? Sueli - É comum. FutebolPR - Pelo fato de ser mulher, foi mais evidente com você? Sueli - Sofri mais, fui bem discriminada.
FutebolPR - Quando você sentiu essa
traição? FutebolPR - Você aprendeu a superar
isso? FutebolPR - Que tipo de cantada? Fonte: Matéria extraída do site www.futebolpr.com.br em 08/03/2003 |
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