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VALTER JOSE DOS REIS, nascido em São Paulo, Capital, aos 16.03.62, onde também reside, é casado com Dona Elenice José de Alencar Reis. Desta união estável possui 3 filhos: Victor Lincoln de Alencar Reis com 8 anos e as gêmeas de 6 anos: Anna Beatriz e Anna Cecília de Alencar Reis. Formado em Economia pela Universidade São Judas Tadeu- SP, atualmente cursando o 3º ano de Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul em São Miguel Paulista. |
Valter José dos Reis Seção Holofote
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Minha Carreira... Desde infância era aficionado por futebol, paixão que até hoje me persegue. Como todo garoto, não consegui sucesso na carreira de jogador de futebol (atuei no Juvenil “C” do Corinthians em 1976) e não conseguindo prossegui na carreira, optei pela carreira de arbitragem. |
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Tempos de Escola...
Acompanhando minha irmã – que é advogada – a uma delegacia de Policia, acabei conhecendo um árbitro que me indicou para que eu fizesse o curso de Árbitro.
Um dos fatos marcantes desta fase, é que a Escola estava no 30º curso de arbitragem, ocasião em que tive o privilégio de ser aluno do mestre Flavio Iazzetti.
A primeira vez a gente nunca esquece...
Corria o ano de 1983, quando debutei na atividade. Fui designado como segundo assistente na cidade de Boituva (SP), numa decisão entre a equipe local e o Comercial de Registro. Do outro lado estava o Edie Mauro Garcia Detofolli. Olha a responsabilidade!
No profissional, estreei na cidade de Neves Paulistas, antigamente conhecida como terceira divisão (hoje seria uma B1-B). Como era difícil atuar naquela época...
De São Miguel para o Mundo...
Em 1995, tive a satisfação de ser indicado e a honra de substituir o assistente Édie Mauro.
Alegrias na carreira...
O reconhecimento tanto da imprensa escrita, falada e televisionada, pelo meu desempenho nos últimos anos. Ser considerado pela Comissão Nacional de Árbitros, como melhor Árbitro Assistente do maior centro do futebolístico do planeta, nos anos de 1998 e 1999, encheram-me de alegria. Quando recebia os prêmios tive a certeza que o trabalho, a dedicação e os sacrifícios não foram em vão.
Jogos importantes...
Todos foram importantes. No campo internacional, já atuei em 23 jogos da Copa Libertadores; 11 na Copa Mercosul; 3 na Conmebol; 8 partidas eliminatórias da Copa do Mundo (entre elas: Argentina x Uruguai; Jamaica x El Salvador e Paraguai x Colômbia); 2 jogos envolvendo a Seleção Brasileira: Brasil x Gana (1986) e Brasil x Costa Rica (2000). Estive, ainda, no Chile participando do Torneio Sub-20, onde atuei em 9 partidas, inclusive na final entre Paraguai x Argentina. Na Copa América de 1999, fiz 4 jogos, das quais destaco: México x Peru.
Tristeza...
A alegria é o reconhecimento dos colegas. A tristeza, é saber que o tempo não para.
Maiores acertos...
A arbitragem é composta por uma equipe, hoje somos em quatro. Relembro que, no ano de 1995, num clássico entre Corinthians x São Paulo, realizado na cidade de Ribeirão Preto (Brasileiro/95), em um lance na outra extremidade do campo, no lado do assistentes nº2, houve uma jogada em que o atacante da equipe corintiana fez o gol com a mão e, o arbitro Márcio Rezende de Freitas (Fifa-MG) e o Assistente nº 1 na época Carlos Roberto Silva, não presenciaram o lance. Na oportunidade entrei no campo (coisa que a Fifa está autorizando a partir de primeiro de julho), e informei ao Márcio do ocorrido. O lance foi impugnado e cumpri meu dever, assistindo ao árbitro e salvando-o de uma situação ruim.
Admiro os jogadores que...
Atuam com lealdade e o respeito. Todavia, abomino a deslealdade utilizada contra companheiros de profissão.
Situações engraçadas...
Na maioria das partidas, tenho atuado como assistente nº 1, tive a oportunidade de presenciar casos interessantes e engraçados: Numa delas, o preparados físico de uma equipe, estava esbravejando contra a arbitragem de uma forma indevida. Virei-me disse: “Ei amigo, você manda mais que o treinador...” Nesse momento, o treinador sentindo-se ferido em sua autoridade de treinador, imediatamente mandou que o mesmo se calasse e foi obedecido. Os torcedores utilizam tantos jargões negativos, que ficaria impróprio descrever qualquer um deles.
Grandes árbitros e assistentes...
Tenho alguns nomes para comentar: Paulo César Marques: perfeito dentro do campo de jogo. Observei e aprendi muito com ele. Infelizmente, por motivos outros, não continuo na carreira. Outro, sem duvida alguma, o melhor que conheci, tanto fora das quatro linhas como fora, foi o Edie Mauro. Um verdadeiro amigo. Como árbitro admiro dois. O primeiro deles, o saudoso Roberto Nunes Morgado e, atualmente o Oscar Roberto Godoi, em minha opinião, um dos maiores expoentes da arbitragem brasileira.
O que agrada em um Árbitro...
O tipo de arbitragem que mais agrada ao assistente, sem duvida nenhuma é aquela em que o arbitro atua com precisão, e não faz “vistas grossas” a tudo o que ocorre para os assistentes.
Pescar na “bandeira”...
Todos nos estamos sujeitos à acertos e erros . E “pescar” na bandeira como se denomina o fato de ameaçar levantar e abaixar, já ocorre algumas vezes. O assistente tem que esquecer daquele momento e dar continuidade à partida.
Outros caminhos...
Se não fosse arbitro, continuaria na minha carreira jurídica ou seria economista.
A imprensa...
Penso que a imprensa esportiva paulista desempenha um papel importante na arbitragem, tanto nas criticas (muitas) como nos elogios (raros). Não vou julgar se ela está certa ou errada, cada tira suas conclusões...
Preparação física...
Tenho a alegria de dizer que um arbitro bem preparado fisicamente, vai chegar na frente. Em 18 (dezoito) anos de carreira, sempre fui aprovado nas avaliações. No meu ultimo teste consegui a marca de 3.000 metros, em 12 minutos, o que dá em média 14 km/h. Para atingir tal marca treino cerca de 5 dias por semana, no mínimo uma hora. Procuro intercalar velocidade com resistência.
Avaliação dos Árbitros e Assistentes...
Os observadores de hoje, tem um encargo muito grande de avaliar condição de árbitros, marcar tempo de jogo, e outros mais. Talvez para que a análise ficasse ainda melhor, seria interessante colocar um observador nas arquibancadas para avaliar o quarteto de arbitragem, ficando outro para as funções burocráticas.
O SAFESP...
Todo sindicato é o elo entre o patrão e o empregado, penso que o nosso sindicato também tem este objetivo. Uma das maiores conquistas, sem dúvida, foi a compra de uma nova sede social. O JORNAL DO APITO foi uma grande realização, pois divulga, aproxima e mostra que existimos e estamos trabalhando para a arbitragem ter um futuro cada vez melhor. Observo que existem diretores que de forma anônima, dão suporte ao trabalho realizado.
A ANAF...
A entidade nacional (ANAF) preencheu uma lacuna, pois precisávamos de um órgão que ajudasse na organização, regulamentação e orientação de todos os sindicados estaduais. Tem defendido árbitros no Tribunal da CBF e trabalhado no projeto de regulamentação da atividade e no direito de imagem. Espero que consigam êxito e penso que veio para ficar.
Desconto...
Brasileiro nenhum gosta de desconto que não lhe seja favorável. Todavia a contribuição voluntária é necessária, pois sem ela nenhuma entidade sobrevive.
Direito de utilização da imagem...
Os jogadores recebam por isso de forma justa. Por que os árbitros – muitas vezes focalizados de forma distorcida – nada ganham por isso? A ANAF está cuidando do assunto e espero que – em breve – possamos receber pela utilização de nossa imagem. As emissoras ganham milhões, pagam milhões e nós, nem tostões recebemos...
As regras....
Sem duvida alguma a regra 11 é fundamental, porque ela traz a paixão, emoção, beleza, técnica ao jogo; enfim todos os sentimentos emotivos dos envolvidos (impedimento).
Cartão amarelo para...
Aqueles que tentam ser desleal com o próximo
Cartão vermelho para...
Os que agem com deslealdade.
Mensagem final...
Hoje a carreira de arbitro de futebol é muito concorrida, os requisitos são inúmeros, mas com certeza é uma carreira gratificante. O jovem arbitro hoje que tiver qualidade, seriedade e bom preparo não terá dificuldades para ascender ao primeiro escalão. Todavia, da mesma forma que sobe, se não evoluir, desce...
Valter José dos Reis - Árbitro Assistente FIFA/SP |
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