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08.03.2005 Experiência em campo
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São 20 anos de arbitragem, uma Copa do Mundo e velho conhecido das
transmissões de futebol da TV Globo. O Bom Dia Brasil entrevistou José
Roberto Wright(foto).
São 20 anos de arbitragem, uma Copa do Mundo (1990) e velho conhecido das transmissões de futebol da TV Globo. O Bom Dia Brasil entrevistou um especialista do apito: José Roberto Wright. Bom Dia Brasil: De imediato, o que deveria ser feito para dar uma melhorada na arbitragem? José Roberto Wright: Acho que o mais importante é você ter um investimento maciço na quantidade. A geração do Arnaldo César Coelho é fruto do trabalho que João Havelange fez na década de 70 e parte de 80, quando realizou no Brasil mais de 12 cursos internacionais. Há uma troca de informações, há um aprendizado muito grande. É fundamental que todas as federações façam isso. São Paulo, por exemplo, faz; o Rio de Janeiro lamentavelmente agora conseguiu colocar o Cláudio Cerdeira como presidente da comissão, para começar esse trabalho que vai dar fruto daqui a cinco ou seis anos. |
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Como você avalia o sorteio, uma novidade que complicou ainda mais esse problema da arbitragem?
Isso é inadmissível. Você se prepara, conhece a regra do jogo e saber aplicar, tem um preparo atlético, ter sorte em uma série de situações... E qual é a sorte? Ser sorteado. Imagine se, de repente, há um sorteio entre os apresentadores desse jornal para saber quem vai apresentar. A mesma coisa acontece com o árbitro. Ele vai treinar, treinar, treinar e, na hora H, que vai ser escalado, ele perde. De repente, ele pode tentar a sorte no bingo.
O que você acha dessa idéia dos dois árbitros?
Acho válida, no sentido em que os dois corram ao mesmo tempo o campo inteiro, e não só a metade como foi feito em São Paulo. Esse foi o grande equívoco, na minha opinião. Qual é a vantagem dos dois árbitros? Eu posso não ver um lance, mas o outro viu.
Mas, então, seria necessário que os dois corressem sempre em sentido oposto?
Sentido oposto, lateralmente e dividindo o campo por comprimento, como um terço para cada um. Acho que isso seria uma medida efetiva, que daria um resultado bom.
Essa bola com chip, que a Fifa pretende lançar nos próximos meses, ajudaria a detectar se a bola passou não da linha e a dirimir certas falhas. O que você acha? Tira a graça?
Eu acho importante. Inclusive, eu sou membro da comissão de futebol da Fifa e estou indo no sábado que vem para Zurique para discutirmos outras situações. A bola já foi discutida na nossa comissão e foi aprovada ano passado. Ela vai ser colocada em teste em setembro. Eu acho importante, porque é um custo relativamente barato: é o chip da bola e o chip da baliza. Isso ajudaria bastante a dirimir a dúvida se houve o gol ou não.
A opinião do árbitro Cláudio Cerdeira, de que nem todos os estados estariam equipados para solucionar dúvidas com equipamentos eletrônicos, é certamente inquestionável, porque o jogo iria ficar parado toda hora se todos os lances fossem discutidos...
Sem dúvida nenhuma. A televisão é importante em casa, ou nos bares, para que haja discussão. A televisão mostra o que foi e o que deixou de acontecer. Um custo de televisão para transmissão é algo em torno de R$ 25 mil por jogo. Já imaginaram isso em um montante? É uma coisa absurda. Acho que televisão já está inserida no contexto do futebol há muito tempo. Quando fui para a Copa do Mundo da Itália, uma revista de esportes me perguntou o que eu esperava da Copa do Mundo. Eu falei: “Ser melhor do que a televisão”. Por quê? Porque eram 21 câmeras na transmissão, que iriam mostrar tudo. E o árbitro tem que se preparar para isso. Você não pode ir para o campo achando que é o dono da verdade, que vai se preparar para ser melhor que a televisão. Acontecerão erros? Acontecerão. Mas, com certeza, se eles se prepararem e tiver consciência da importância que é o árbitro em campo, ele vai se preparar bem e a coisa vai ser melhor
A punição que pode acontecer hoje (ou não) para o Felipe, do Fluminense, só poderá ser possível porque uma câmera
mostrou...
A televisão mostrou. A única situação que a Fifa aceita para punir o jogador é essa, quando a televisão mostra e o árbitro não está presente ou o assistente não está presente. Por isso, o Felipe vai ser punido, lamentavelmente. É um belo jogador, um rapaz muito agradável de conversar, mas cometeu um erro grave.
Fonte: Entrevista concedida ao
Bom Dia Brasil|
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