Dalmo Bozzano continua o mesmo

Ex-árbitro conta as polêmicas que marcaram sua carreira em 26 anos de apito

15/04/2007

Quem acompanhou a carreira de Dalmo Bozzano e conversa com ele hoje, dez anos após sua aposentadoria, logo pensa: esse cara continua o mesmo. Falastrão e polêmico, decidiu escrever um livro e contar as histórias que o transformaram no principal nome da arbitragem da história catarinense.

“Não fui o primeiro árbitro de Santa Catarina. Fui o primeiro, o segundo, o terceiro, o quarto, o quinto, o sexto, o sétimo, o oitavo, o nono e o décimo”, fala, no mesmo tom autoritário que marcou sua carreira. E o 11 Dalmo? “É o Juliano (Bozzano, seu filho)”, responde rápido.
No livro “Dalmo Bozano, árbitro ou arbitrário”, Dalmo, 54 anos, narra as aventuras dos 26 que viveu como juiz de futebol. “Foram 1600 jogos apitados, o que acredito ser um recorde mundial”. Dalmo aproveita as páginas do livro para atacar o presidente da Confederação Catarinense de Futebol, Delfim de Pádua Peixoto Filho. “Sei que ele diz por aí que é meu amigo. Isso é mentira. Ele é o único inimigo que tenho no futebol.”

Dalmo Bozzano descobriu que seria árbitro de futebol quando era adolescente e viu um juiz ser expulso de campo por não agradar as duas equipes. “Não foi qualquer coisa que eu achasse correto e esqueceria facilmente”.
Em “Dalmo Bozzano, árbitro ou arbitrário”, ele conta histórias engraçadas como a do dia em que decidiu não dar mais acréscimos nas partidas em que dirigia. Foi num Joinville e Joaçaba na década de 80. Diante de um zero a zero teimoso, Dalmo encerrou o confronto exatamente aos 45 minutos do segundo tempo. Jogadores e repórteres exigiram o acréscimo. “Não ganho hora-extra”, repondeu o sempre polêmico juiz.
Ele teve de carregar esse estilo por muito tempo. “Ou achariam que aderi a hora-extra.” Até o dia em que passou a integrar o quadro da Fifa. “Recebi uma correspondência me obrigando a acrescer o tempo de jogo.”
Essas e outras histórias formaram a carreira de Dalmo Bozzano. “Sorri, chorei, apostei, ganhei, perdi, arrisquei. Mas, fiz tudo do meu jeito.” Um jeito autoritário e marrento. E que ninguém pode negar que deu certo e formou o maior árbitro da história de Santa Catarina.

Histórias

Estava apitando Cruzeiro e São Paulo quando no intervalo do jogo chamei o jogador número 9 do time mineiro e disse a ele que logo eu o veria na Seleção Brasileira. Anos mais tarde, apitando Brasil e Dinamarca, alguém bate em minhas costas e diz: “Seu Dalmo, lembra que o senhor disse que eu chegaria à Seleção”. Era Ronaldo, o Fenômeno.

Chegando em Londrina para mais um jogo, fui recebido por um jovem que dizia ser árbitro local e gostava de minhas arbitragens. Dias depois, apitando em Curitiba, conversando com o diretor de ábitros da Federação Paranaense, falei sobre esse garoto. Em 2003, fui ao casamento desse jovem chamado Heber Roberto Lopes, árbitro da Fifa.

Em Porto Alegre, era recebido no aeroporto por um jovem árbitro. Nos identificamos, tínhamos idéias parecidas sobre futebol e política. Tal era nossa amizade que muitos o chamavam de Bozzaninho. Esse jovem entre tantos jogos importantes apitou a Copa do Mundo em 2002: Carlos Eugênio Simon.
 

Fonte: Diego Santos - www.an.com.br


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