Arbitro: Ethel Rodrigues (SP)

Ethel Rodrigues, em 1965, apitou até jogos internacionais. Aqui, o saudoso ex-repórter volante, elegante, acompanha o sorteio de lado de campo antes daquele Palmeiras versus URSS. Os capitães eram Shesterniev e Djalma Santos.

Ethel Rodrigues, o Etelvino Rodrigues, um dos maiores "repórteres volantes" da história do rádio esportivo brasileiro de todos os tempos, morreu em Belo Horizonte (MG) no dia 17 de julho de 2001.

Nascido na antiga Borboleta, hoje Bady Bassit (próximo a São José do Rio Preto), no interior de São Paulo, Ethel Rodrigues marcou época no "Scratch do Rádio" da Rádio Bandeirantes-AM de São Paulo, mas teve a infeliz idéia de se tornar árbitro, em 1964 e 1965, apitando pela Federação Paulista de Futebol.

1965: Ethel comandava o trio de arbitragem. Ao fundo, o hospital Albert Eistein. O Morumbi só estava começando a ser construído.

Depois de polêmica arbitragem de um Santos 2x1 Corinthians, em que anulou um gol legítimo de Flávio, do Corinthians, Ethel Rodrigues viu ruir sua carreira de árbitro e de repórter-volante.

Mudou-se para Belo Horizonte onde viveu e morreu. Triste e esquecido. E arrependido de ter-se metido em arbitragem.

Confira acima uma foto histórica reunindo no Pacaembu grandes personalidades da imprensa esportiva, que formaram o "Escrete do Rádio", da Rádio Bandeirantes-AM de São Paulo, nos anos 60.

Veja abaixo, a carta que Milton Neves recebeu do grande Flávio Araújo, amigo de Ethel Rodrigues e atualmente morando em Águas de Santa Bárbara (SP). "Caríssimo Milton, estou lendo no jornal "Oeste Notícias", aqui da minha cidade a sua coluna de estréia no mesmo, neste 9 de fevereiro de 2003.

Chico de Assis, com seu "tijolão" entrevista o ex-árbitro e também o ex-reporter Ethel Rodrigues

A satisfação por lê-lo novamente é empanada pela notícia do desencarne do Ethel Rodrigues. De qualquer maneira, parabéns pelo seu sucesso, a cada dia maior. E registro o meu pesar pelo passamento do Ethel, meu velho amigo.

Como não sei o que o Fiori disse na TV Record, atrevo-me a passar algumas informações que se seguem: Ethel Rodrigues viveu sozinho até seu casamento. Foi criado sem pais. No dia de seu casamento, na Igreja Santo Antonio do Pari. Todos nós, seus colegas ali presentes, demoramos muito tempo o consolando pela crise de choro que o acometeu. Dizia que pela primeira vez iria ter um lar na vida. Era concunhado de Zezinho, aquele centroavante que substituiu Heleno de Freitas no Botafogo e que depois viria para o São Paulo.

Ethel nasceu em Borboleta-SP (hoje Bady Bassit-SP), ao lado de São José do Rio Preto-SP, e na infância trabalhou num armazém da “Secos e Molhados” fazendo entregas numa bicicleta. Era chamado de Zico pela molecada. Um dia, quando entregava um saco de arroz, o mesmo se partiu e derramou o produto por todos os lados. Ficou com o apelido de “Zico Arroz”. Era um dos maiores contadores de piadas que já conheci e nos divertia a todos em nossas viagens para Ribeirão, Rio Preto, Araraquara, Prudente, etc...

Ethel foi o maior repórter esportivo de rádio que conheci. Antes dele, só o Tom Barbosa, aí da sua Jovem Pan. Ethel não tinha medo de perguntar e vivia enquadrando dirigentes com questionamentos ousados. Fazia realmente perguntas que interessavam ao público. Era outro o rádio daquela época. Como árbitro, tinha estilo e qualidade. Pena o que lhe aconteceu. Em São Paulo ficou comprometido. Em Minas Gerais foi a fatalidade de afrontar o poderoso Galo Mineiro. Com um pouco mais de sorte, ou orientação, teria feito carreira também como um dos nossos grandes do apito.

Finalmente, estou anexando uma foto de 1958 onde Ethel está em Presidente Prudente ao lado de meu cunhado, Aristóteles Lopes Pinheiro, que era, na época um excelente rádio-escuta-noticiarista do rádio local e que ciceroneava o Ethel e também ao Fiori e a outros, que vinham até aqui. Ethel Rodrigues empunhava o microfone da Bandeirantes no então estádio da Prudentina.

Fonte: www.miltonneves.com.br


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