Retrospectiva da Arbitragem 2007

Janeiro 15, 2008

Ano novo, vida nova. Este velho e famoso jargão representa, principalmente, a esperança a cada ano que surge de dias melhores em nossas vidas, seja do ponto de vista pessoal ou profissional. No futebol brasileiro e na arbitragem não é diferente. O início de ano cria enormes expectativas na cabeça de todos os profissionais envolvidos com este esporte tão apaixonante.

As comissões estaduais de arbitragem, por sua vez, também correm atrás de novos valores. Afinal, a cada ano que termina alguns árbitros, em função da idade limite, precisam ser substituídos. Desta forma, entre os árbitros também há uma expectativa enorme a cada início de ano. Cria-se a esperança de que sejam lançados nos campeonatos estaduais que se iniciam para mostrarem suas qualidades e

serem aproveitados nas demais competições estaduais, nacionais e até mesmo internacionais.

De início, podem-se citar os novos árbitros internacionais brasileiros:

Evandro Roman (PR) foi o árbitro da partida decisiva no paranaense e com 22 partidas na série A do Brasileirão foi o árbitro que mais atuou.

Marcelo de Lima Henrique (RJ) apitou a decisão da Taça Guanabara no carioca e estreou na série A do Brasileirão apitando doze partidas, mesmo número de partidas em que atuou Djalma Beltrami (FIFA-RJ).

Dibert Pedrosa Moisés (RJ) atuou na partida decisiva do campeonato carioca e atuou em 17 partidas na série A do Brasileirão, perdendo em número de escalas apenas para assistentes do quadro FIFA e Rogério Carlos Rolim, do Paraná.

Emerson Augusto de Carvalho (SP) atuou, assim como Dibert, em 17 partidas na série A do Brasileirão e no ranking da federação paulista já ocupou a posição de número um, sendo escalado em diversas partidas importantes no paulista.

Ângela Paula Regis Ribeiro (MG), Katiúscia Mayer Berger Mendonça (ES) e Maria Eliza Correia Barbosa (SP) foram as assistentes que mais atuaram na série A do Brasileirão, a mineira e a capixaba em 6 partidas e a paulista, em 5. Destaque à assistente capixaba que já iniciou sua carreira internacional, sendo selecionada para atuar no sul-americano feminino sub-17, que está sendo disputado no Chile.

Dando seqüência, podemos destacar alguns outros exemplos:

José Henrique de Carvalho (SP) no paulista apitou clássico, a partida decisiva do campeonato e estreou na série A do Brasileirão apitando nove partidas, entre elas, o clássico carioca Flamengo x Botafogo.

Péricles Bassols Pegado Cortez (RJ) fez sua estréia no carioca com 4 partidas, estreou na série A do Brasileirão atuando em 3 partidas, com destaque para o clássico vovô (Botafogo x Fluminense), e atuou em 8 partidas na série B, dividindo com Edson Esperidião (ES), o título de árbitro que mais atuou nesta série.

Edílson Ramos da Mata (MT) fez sua estréia na série A do Brasileirão atuando na partida Juventude 2 x 0 São Paulo deixando uma boa impressão e foi um dos destaques da série B com 7 partidas.

Edson Esperidião (ES) apitou a primeira partida decisiva do campeonato capixaba e juntamente com Péricles Cortez (RJ) foi o árbitro que mais atuou na série B do Brasileirão.

Rogério Carlos Rolim (PR) atuou na partida decisiva do campeonato paranaense e em 22 partidas na série A, perdendo em número de escalas apenas para Marco Gomes (FIFA-MG) e Aristeu Tavares (FIFA-RJ e Copa do Mundo 2006).

Guilherme Dias Camilo (MG) atuou na segunda partida decisiva do campeonato mineiro e em 17 partidas na série A do Brasileirão, mesmo número de partidas que os assistentes Dibert Moisés e Emerson Carvalho que passam a integrar o quadro FIFA no ano de 2008.

Marcelo Bertanha Barison (RS) no gaúcho foi assistente na partida decisiva e na série A do Brasileiro foi um dos destaques com 14 partidas, atuando em partidas importantes do campeonato como Botafogo x São Paulo no primeiro turno com Carlos Simon no apito. Parece ter tido participação na expulsão do jogador Túlio do Botafogo no lance em que este chuta o tricolor Leandro. O assistente ao pôr a mão no bolso da camisa, mostra ao Simon que era jogada pra cartão, uma possível tática combinada entre o trio, como uma advertência ao árbitro que seria lance pra expulsão.

Ediney Guerreiro Mascarenhas (RJ) atuou nas primeiras partidas decisivas da Taça Guanabara e do campeonato carioca, e dirigiu 7 partidas nas séries A e B do Brasileirão 2007.

ÁRBITROS PARA COPA 2010

Outro importante destaque a ser registrado refere-se ao paulista Sálvio Spínola que concorre a uma vaga na Copa de 2010. Sálvio foi o representante da arbitragem brasileira no Mundial Sub-17 (Coréia do Sul 2007), depois que o gaúcho Leonardo Gaciba, fortíssimo candidato à vaga na copa de 2010, foi cortado do Mundial Sub-20 (Canadá 2007) por ter sido reprovado no teste físico.

O paulista teve excelente participação no torneio, sendo um dos árbitros mais escalados, tendo atuado em 6 partidas: Costa Rica x Togo (primeira fase e jogo de abertura do torneio), Trinidad e Tobago x Gana (primeira fase), Bélgica x Estados Unidos (primeira fase), Espanha x Coréia do Norte (oitavas de final), Inglaterra x Alemanha (quartas de final) e Espanha x Gana (semifinais), o que o credencia de maneira importante para a disputa com o já consagrado Carlos Eugênio Simon, que iria para sua terceira Copa do Mundo (o gaúcho atuou nas copas de 2002 e 2006).
Resta agora ver se terá o mesmo desempenho em competições sul-americanas. Se Sálvio for bem na Libertadores, certamente será o representante brasileiro em Beijing e aí pode desbancar o favorito Simon na corrida para a África do Sul. Em relação aos assistentes parece não haver dúvida, os representantes brasileiros em 2010 certamente serão o gaúcho Altemir Hausmann e o paranaense Roberto Braatz.

DEIXANDO O ESCUDO DA FIFA

Cabe registrar o fim da carreira internacional de dois excelentes árbitros assistentes: o carioca Aristeu Leonardo Tavares (mundialista em 2006) e o paulista Válter José dos Reis perderam a insígnia da entidade máxima do futebol por terem completado 45 anos de idade. Aristeu encerrou o ano tendo atuado nas partidas decisivas do carioca e do cearense e em 23 partidas da série A do Brasileirão, o segundo mais escalado. Válter encerrou o ano tendo atuado na primeira partida da decisão do paulista, no jogo de ida da final da Copa do Brasil e em 20 partidas na série A do Brasileirão.

Infelizmente, o ano de 2007 marcou também o fim da curta carreira internacional (2006 e 2007) de Wilson Luiz Seneme (SP) que foi o destaque da arbitragem na Copa do  Brasil,

tendo atuado em 4 partidas (o mais escalado na competição) e na primeira partida da final. Em função de reprovações nos testes físicos, Seneme atuou em apenas 11 partidas no Brasileirão Série A e foi retirado da lista internacional para o ano de 2008.

FURACÃO PASSA NO QUADRO FEMININO

No quadro feminino internacional houve mudanças drásticas, 83% delas saíram, restando somente a experiente assistente Cleidy Mary Nunes Ribeiro (SC), que renova seu escudo internacional pela 13ª vez consecutiva, um recorde invejável. Ela entrou na história como a primeira (e única) árbitra catarinense a ter o escudo FIFA.

Contrastando com a alegria das motivadas Ângela Paula, Katiúscia e Maria Eliza, que pela primeira vez, terão a honra de atuar com o escudo da FIFA, saem Ana Paula da Silva Oliveira (SP), Marlei Leite da Silva (MG) e Ticiana de Lucena Martins (AL).

Já no apito feminino o descontentamento foi total. Lamentavelmente o Brasil perdeu todas as vagas para árbitras, com as inesperadas saídas de Martha Peçanha de Vasconcelos (RJ) e Silvia Regina de Oliveira (SP). Ninguém as substituiu.

Martha Peçanha já atuou em grandes clássicos no Rio de Janeiro e ficou apenas dois anos com o escudo internacional. Sai sem ter tido oportunidade de mostrar seu talento. Já Silvia Regina deixa o

escudo FIFA, mas escreveu história em mais de 20 anos dedicados à arbitragem. Foi a primeira mulher a apitar uma partida oficial da sul-americana na categoria masculina (2003) e tem em seu currículo 19 jogos do Campeonato Brasileiro da Série A.

E assim iniciamos mais uma temporada. Uns tristes e outros mais felizes. Devemos nos lembrar que todo fim de ano é assim e que a vida é uma constante renovação. No final de 2008 teremos uma nova retrospectiva, enumerando muitos novos valores da arbitragem em nível estadual, nacional e até mesmo internacional. E novamente... lágrimas irão cair, mas muitos sorrisos hão de se abrir!

Fonte: Nei Menezes - cartãovermelho


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